Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Nasce a "BritBox" no Reino Unido para concorrer com a Netflix

A BBC e a ITV  (a principal rede de televisão privada no Reino Unido) vão lançar, em conjunto, um serviço pago de vídeos online, com a intenção declarada de concorrerem no espaço da Netflix. A BritBox já existe, para os consumidores nos Estados Unidos e no Canadá, mas o serviço para o Reino Unido só estará operacional no último trimestre de 2019.

Assim, por uma assinatura de 5,99 libras por mês (cerca de 6,70 euros), a BritBox passa a oferecer o catálogo das emissões e séries dos dois grupos. E, ao contrário dos serviços de replay já existentes (o iPlayer da BBC e o ITV Hub), pode recuar aos arquivos do passado, permitindo recuperar as antigas séries populares.

Juntas na BritBox, a BBC e a ITV prometem “o melhor da criatividade britânica”, já que reunem metade das audiências medidas no Reino Unido, com 31% para a BBC e 23% para a ITV.

Desde 2012, os britânicos gastam, em média, menos 38 minutos por dia diante da televisão tradicional, o que significa uma queda de 15%. Este tempo foi todo transferido para os sites de vídeo online, com a Netflix e a Amazon Prime à cabeça. Doze milhões de lares já têm uma ou várias assinaturas. 

Pelo lado da ITV, os resultados do primeiro semestre, agora conhecidos, acusam as consequências desta mudança de hábitos dos telespectadores. O volume de negócios caíu 7%, para os 1,5 mil milhões de libras, sobretudo por causa da baixa da publicidade, enquanto o lucro líquido recuava 14%, para os 247 milhões de libras. E isto apesar de ser um bom ano em termos de audiências. 

Segundo Le Monde, que aqui citamos, este “lançamento tardio” revela “as dificuldades da televisão tradicional perante os novos gigantes da Internet”. 

“A mesma ideia já tinha sido sugerida há dez anos, mas a comissão britânica sobre a concorrência tinha impedido, receando uma posição dominante demasiado forte.”  (...) 

Segundo The Guardian, “apesar de se tratar de uma joint venture, a BritBox vai essencialmente ser controlada pela ITV, cuja administração actual vai dirigir o serviço e detém 90% da empresa”: 

“A BBC não investe no serviço mas fica com 10% das acções, e vai tratá-lo como o seu serviço de streaming comercial prioritário, mandando a maior parte da sua programação própria para a BritBox, além de emprestar a sua marca e fornecer apoio de marketing.” 

The Guardian recorda também o ocorrido em 2008, quando se falou do Project Kangaroo, que faria a pool de conteúdos das maiores estações de televisão do Reino Unido, mas “a comissão da concorrência bloqueou o plano, com o argumento de que tornaria as emissoras existentes demasiado dominantes no mercado do vídeo online”: 

“Esta decisão é vista, no meio da indústria de TV britânica, como o ‘pecado original’ que consentiu que empresas dos Estados Unidos, como a Netflix, dominassem o mercado do streaming, deixando as empresas a britânicas a jogar à apanhada.”



Mais informação em Le Monde  e em The Guardian

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

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Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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