Quinta-feira, 17 de Outubro, 2019
Opinião

O descalabro da Global Media

por Dinis de Abreu

O descalabro do Grupo Global Media era uma questão de tempo. Alienada a sede patrimonial do Diário de Notícias  - o histórico edifício projectado por Pardal Monteiro, no topo da avenida da Liberdade, entregue sem preconceitos à gula imobiliária, perante a indiferença do Municipio e do Governo  - o plano inclinado ficou à vista.
Se ao centenário DN foi destinado um comodato  nas Torres Lisboa,  ao Jornal de Notícias cabe uma garagem como destino, enquanto a sua  sede emblemática, numa zona nobre do Porto, mudou de mãos,  na mesma lógica de “vender os anéis para salvar os dedos”...

O colapso já admitido por responsáveis da administração do Grupo, com um despedimento colectivo no horizonte -  por não haver sequer dinheiro para montar um programa de rescisões  amigáveis -, faz prever o pior.

Os dois títulos, que já foram de referência, são as mais recentes vítimas de um acumular de erros sucessivos, envolvendo – há que escrevê-lo com frontalidade  – tanto  administrações  como  direcções editoriais. 

O DN, reconvertido em semanário, é um fantasma do jornal de prestígio que marcou gerações e influenciou a agenda de governos ao longo de século e meio de publicação. 

Tem uma circulação irrisória em papel, e não conseguiu fixar assinantes no digital. Tornou-se numa triste  irrelevância que não vai longe, com a agravante de correrem rumores sobre o desbaratamento do seu arquivo histórico, o que,  a confirmar-se seria  um crime de lesa- Cultura.

Já o JN , embora com perdas significativas de leitores na sua edição em papel,  tem resistido no digital. Porém,  tal como o DN,  perdeu influência , e a mesma gula imobiliária também não o poupou.


Em ambos os casos , o actual chairman do Grupo, Daniel Proença de Carvalho,  não tem motivos para se orgulhar. Advogado com uma carreira invejável  - alavancada pelo  processo de António Champalimaud - , há muito que se interessa pela Comunicação Social , desde a televisão à imprensa.

Fica com o nome manchado e ligado ao naufrágio de um Grupo que não fundou,  mas que não soube evitar que se afundasse . Uma tristeza.


A crise declarada da Global Média, que engloba ainda a TSF , em rota descendente -  agora  com a Radio Observador, mais ágil e aberta,  a disputar-lhe a vocação  matricial de “rádio de informação” -,funciona como uma espécie de antecâmara do desmantelamento a prazo.

 
Os media portugueses não estão a viver os melhores dias. O DN  primeiro, e o JN a seguir, são o pré-aviso de um  futuro comprometido. Haja quem perceba que,  sem jornalismo qualificado  e independente, é a própria democracia que fica em causa.  

Connosco
Ser jornalista no México é tornar-se “correspondente de guerra sem sair da sua terra” Ver galeria

Marcela Turati foi reconhecida com o Prémio Maria Moors Cabot 2019, atribuído pela Escola de Jornalismo da Universidade de Columbia, pela sua excelência profissional e por promover, com as suas reportagens, um melhor entendimento interamericano.

É fundadora, com outros jornalistas, da rede Periodistas de a Pie e do portal de investigação Quinto Elemento Lab, colectivos que procuram defender a liberdade de expressão e apoiar o exercício do jornalismo em regiões pobres e perigosas.

A jornalista deu uma entrevista ao Knight Center, na qual falou do seu percurso profissional e das dificuldades enfrentadas no México para o exercício da profissão.
Para Turati, ser jornalista no país é um “desafio constante” e uma responsabilidade, equivalente a tornar-se “correspondente de guerra sem sair da sua terra”.

Desde 2008, que cobre casos de vítimas de violência, lidando regularmente com pessoas que têm familiares desaparecidos, testemunhas de massacres, entre outros. Como profissional, procura cobrir a violência a partir de uma abordagem de direitos humanos e o seu objectivo é continuar a contar estas histórias sem as normalizar.

O Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI tem um acordo de parceria, publicou a entrevista com a jornalista no seu site.

Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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