Sexta-feira, 3 de Abril, 2020
Opinião

O descalabro da Global Media

por Dinis de Abreu

O descalabro do Grupo Global Media era uma questão de tempo. Alienada a sede patrimonial do Diário de Notícias  - o histórico edifício projectado por Pardal Monteiro, no topo da avenida da Liberdade, entregue sem preconceitos à gula imobiliária, perante a indiferença do Municipio e do Governo  - o plano inclinado ficou à vista.
Se ao centenário DN foi destinado um comodato  nas Torres Lisboa,  ao Jornal de Notícias cabe uma garagem como destino, enquanto a sua  sede emblemática, numa zona nobre do Porto, mudou de mãos,  na mesma lógica de “vender os anéis para salvar os dedos”...

O colapso já admitido por responsáveis da administração do Grupo, com um despedimento colectivo no horizonte -  por não haver sequer dinheiro para montar um programa de rescisões  amigáveis -, faz prever o pior.

Os dois títulos, que já foram de referência, são as mais recentes vítimas de um acumular de erros sucessivos, envolvendo – há que escrevê-lo com frontalidade  – tanto  administrações  como  direcções editoriais. 

O DN, reconvertido em semanário, é um fantasma do jornal de prestígio que marcou gerações e influenciou a agenda de governos ao longo de século e meio de publicação. 

Tem uma circulação irrisória em papel, e não conseguiu fixar assinantes no digital. Tornou-se numa triste  irrelevância que não vai longe, com a agravante de correrem rumores sobre o desbaratamento do seu arquivo histórico, o que,  a confirmar-se seria  um crime de lesa- Cultura.

Já o JN , embora com perdas significativas de leitores na sua edição em papel,  tem resistido no digital. Porém,  tal como o DN,  perdeu influência , e a mesma gula imobiliária também não o poupou.


Em ambos os casos , o actual chairman do Grupo, Daniel Proença de Carvalho,  não tem motivos para se orgulhar. Advogado com uma carreira invejável  - alavancada pelo  processo de António Champalimaud - , há muito que se interessa pela Comunicação Social , desde a televisão à imprensa.

Fica com o nome manchado e ligado ao naufrágio de um Grupo que não fundou,  mas que não soube evitar que se afundasse . Uma tristeza.


A crise declarada da Global Média, que engloba ainda a TSF , em rota descendente -  agora  com a Radio Observador, mais ágil e aberta,  a disputar-lhe a vocação  matricial de “rádio de informação” -,funciona como uma espécie de antecâmara do desmantelamento a prazo.

 
Os media portugueses não estão a viver os melhores dias. O DN  primeiro, e o JN a seguir, são o pré-aviso de um  futuro comprometido. Haja quem perceba que,  sem jornalismo qualificado  e independente, é a própria democracia que fica em causa.  

Connosco
A importância do jornalismo no reforço da transparência Ver galeria

É missão de todos os jornalistas ajudar o público a ver e a compreender os acontecimentos mais relevantes para a sociedade. Faz ainda parte dessa profissão auxiliar as pessoas a distinguir as opiniões, desde as irracionais, instigadas pelo ódio, aos factos jornalisticamente apurados. 

Em tempo de pandemia do novo coronavírus, a informação de qualidade ganha o mesmo grau de importância que o trabalho de médicos e de cientistas. Um novo estudo ou a cura de uma doença deverá ser divulgado e discutido à exaustão por especialistas e terá a divulgação assegurada pelos veículos de comunicação por intermédio dos jornalistas.

Num oportuno artigo publicado no Observatório da Imprensa, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceira, a jornalista Denise Becker reflectiu sobre a importância do papel da imprensa fidedigna, particularmente, numa altura em que figuras políticas desvalorizam os impactos de uma pandemia. 
Segundo a autora, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem deixado a nação perplexa, ao minimizar os efeitos do novo coronavírus, contrariando as recomendações dos médicos, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde para conter a disseminação da pandemia. Da mesma forma , o Presidente tem tecido duras críticas aos “media”, acusando-os de alarmismo e disseminar o pânico.

A vaga de "infodemia" como consequência do Covid-19 Ver galeria

A história da Humanidade ficou marcada por diversas pandemias, que tiveram consequências profundas. Tais acontecimentos marcaram o imaginário de alguns dos mais proeminentes autores da literatura modernas, que tomam acontecimentos trágicos, e absurdos, como a base das suas obras, reflexões e analogias.

Agora, atravessamos uma situação semelhante, mas com uma infinidade de recursos informativos. Nunca tivemos tantas possibilidades de informação e comunicação disponíveis, em momentos de crise e tensão, e  tantos dados e números que ajudam, sem dúvida, nas nossas tentativas de restabelecer o controle sobre a caótica situação. É a vaga da “infodemia”.

Saber o que acontece, as possibilidades envolvidas, as fórmulas para lidar com o risco e com a doença são factores fundamentais. No entanto, esse avanço em relação a outros tempos e ameaças produz, também, efeitos colaterais.

Perante os actuais acontecimentos  que assolam o mundo, o filósofo José Costa teceu considerações sobre algumas das mais conhecidas metáforas da literatura contemporânea, que fazem “ponte” com essa “infodemia”.  O artigo foi, originalmente, publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


ver mais >
Opinião
Agenda
06
Abr
16
Abr
SEO para Jornalistas
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona