Terça-feira, 10 de Dezembro, 2019
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"Le Monde" comemora os 75 anos com gente dentro...

No ano em que comemora o seu 75º aniversário, o diário Le Monde recolhe o testemunho de diversas personalidades, francesas ou vindas de outros países, que passaram pelo jornal ou foram marcadas por ele para a vida. Uma das que não podiam faltar é a  do escritor grego Vassilis Alexakis, hoje também francês, autor de livros que escreve numa das duas línguas e depois traduz (ele mesmo, naturalmente) para a outra.

Le Monde faz 75 anos? Então eu sou da mesma idade do jornal. Evidentemente, para o diário, isto é apenas uma primeira etapa. Para mim, é mais o começo do fim. Já teria dificuldade em subir os cinco andares a pé, como quando entrei pela primeira vez [na antiga sede], na varanda da rue des Italiens, por baixo do grande relógio.”

Vassilis veio para França em 1961, para estudar jornalismo na Universidade de Lille. Em 1969 falou com Claude Julien, que chefiava na redacção o serviço de Estrangeiro, para fazer trabalhos como freelance, e foi encaminhado para Jacqueline Piatier, que dirigia a secção Le Monde des livres

“Era uma senhora que parecia um pouco severa, ao jovem que eu era. Perguntou-me se eu tinha lido o Don Quixote...  ‘É daí que vem toda a literatura moderna’  - explicou-me ela. Eu acho que disse aí a maior mentira da minha vida, porque não tive coragem de confessar a minha incultura. Só o li trinta anos mais tarde, e percebi que ela tinha razão: toda a literatura moderna vem do livro de Cervantes.” 

Como conta o autor, ficou surpreendido pela facilidade com que foi acolhido, sendo um grego chegado a Paris: 

“Eu tinha o diploma da escola de jornalismo de Lille, mas receava que não acreditassem no meu conhecimento do francês. Pensei durante muito tempo que era porque tinham pena de um opositor ao regime dos coronéis [a Grécia foi governada, de 1967 a 1974, por uma junta militar].” 

“Na verdade, é porque tínhamos praticamente a mesma idade, o jornal e eu [Vassilis Alexakis nasceu a 25 de Dezembro de 1942, é poucos meses mais velho que o Le Monde].  Nunca me senti tão feliz como quando saí nesse dia do Monde. Estava como um seminarista que vê finalmente [a Basílica de] S. Pedro, em Roma!” 

Le Monde já tinha muito prestígio na Grécia. Líamos quando o encontrávamos, durante a ditadura dos coronéis. Traduzíamos para os amigos que não falavam francês. Era uma abertura para saber o que se passava na casa ao lado. Era o nosso jornal.”  (...) 

Depois dos seus 40 anos, Vassilis deixou o jornalismo para se consagrar a tempo inteiro à literatura. 

“São actividades exigentes, que tomam tempo”  - explica. “É difícil praticá-las bem ao mesmo tempo. E, depois, os 40 anos são a idade da separação.”  (...) 

Vassilis escreveu os seus primeiros romances em francês. A sua primeira obra em grego foi Talgo, em 1981, que ele próprio traduziu depois para francês. Passou a fazer isso com outros livros.

 

Mais informação em Le Monde

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A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

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Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

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O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

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Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

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“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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