Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

"Le Monde" comemora os 75 anos com gente dentro...

No ano em que comemora o seu 75º aniversário, o diário Le Monde recolhe o testemunho de diversas personalidades, francesas ou vindas de outros países, que passaram pelo jornal ou foram marcadas por ele para a vida. Uma das que não podiam faltar é a  do escritor grego Vassilis Alexakis, hoje também francês, autor de livros que escreve numa das duas línguas e depois traduz (ele mesmo, naturalmente) para a outra.

Le Monde faz 75 anos? Então eu sou da mesma idade do jornal. Evidentemente, para o diário, isto é apenas uma primeira etapa. Para mim, é mais o começo do fim. Já teria dificuldade em subir os cinco andares a pé, como quando entrei pela primeira vez [na antiga sede], na varanda da rue des Italiens, por baixo do grande relógio.”

Vassilis veio para França em 1961, para estudar jornalismo na Universidade de Lille. Em 1969 falou com Claude Julien, que chefiava na redacção o serviço de Estrangeiro, para fazer trabalhos como freelance, e foi encaminhado para Jacqueline Piatier, que dirigia a secção Le Monde des livres

“Era uma senhora que parecia um pouco severa, ao jovem que eu era. Perguntou-me se eu tinha lido o Don Quixote...  ‘É daí que vem toda a literatura moderna’  - explicou-me ela. Eu acho que disse aí a maior mentira da minha vida, porque não tive coragem de confessar a minha incultura. Só o li trinta anos mais tarde, e percebi que ela tinha razão: toda a literatura moderna vem do livro de Cervantes.” 

Como conta o autor, ficou surpreendido pela facilidade com que foi acolhido, sendo um grego chegado a Paris: 

“Eu tinha o diploma da escola de jornalismo de Lille, mas receava que não acreditassem no meu conhecimento do francês. Pensei durante muito tempo que era porque tinham pena de um opositor ao regime dos coronéis [a Grécia foi governada, de 1967 a 1974, por uma junta militar].” 

“Na verdade, é porque tínhamos praticamente a mesma idade, o jornal e eu [Vassilis Alexakis nasceu a 25 de Dezembro de 1942, é poucos meses mais velho que o Le Monde].  Nunca me senti tão feliz como quando saí nesse dia do Monde. Estava como um seminarista que vê finalmente [a Basílica de] S. Pedro, em Roma!” 

Le Monde já tinha muito prestígio na Grécia. Líamos quando o encontrávamos, durante a ditadura dos coronéis. Traduzíamos para os amigos que não falavam francês. Era uma abertura para saber o que se passava na casa ao lado. Era o nosso jornal.”  (...) 

Depois dos seus 40 anos, Vassilis deixou o jornalismo para se consagrar a tempo inteiro à literatura. 

“São actividades exigentes, que tomam tempo”  - explica. “É difícil praticá-las bem ao mesmo tempo. E, depois, os 40 anos são a idade da separação.”  (...) 

Vassilis escreveu os seus primeiros romances em francês. A sua primeira obra em grego foi Talgo, em 1981, que ele próprio traduziu depois para francês. Passou a fazer isso com outros livros.

 

Mais informação em Le Monde

Connosco
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No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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