Terça-feira, 10 de Dezembro, 2019
Estudo

Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

O autor procurou novos dados sobre a velocidade de propagação das notícias no meio digital a partir de um estudo realizado por três investigadores da Universidade de Munster, na Alemanha. Foram analisados mais de 480 mil artigos noticiosos divulgados pelos sites de 28 principais meios de comunicação alemães, sendo o trabalho de recolha feito durante um período de nove meses, entre 2013 e 2014.

O critério da busca de “eventos caracterizados por essa natureza ‘noticiável’ amplamente partilhada” conduziu a um grupo de 95 notícias principais, descritas em 1.919 artigos nesses 28 sites

Joshua Benton rcorda que tudo se passou há algum tempo, "nos anos de Obama" e, entre os eventos noticiados, sobressaem o caso de Amanda Knox, a jovem americana que esteve presa em Itália, acusada de homicídio de uma colega de apartamento, a morte de Nelson Mandela, ataques de tubarões, a queda do avião da Malásia MH370, a vitória do Qatar para a organização da próxima Taça do Mundo em 2022, a venda da Motorola pela Google, a legalização das drogas leves pelo Uruguay e a história da “múmia misteriosa encontrada num sótão na Alemanha”. 

O estudo revelou que muitos factores identificados não tinham grande importância: 

“Só notícias de tipo negativo, e histórias envolvendo personalidades famosas, aceleravam mais os processos de difusão.” 
Assim, a morte de uma celebridade  - que obtinha alta pontuação tanto na categoria de “desastre” como na de “proeminência” -  fica no topo da capacidade de propagação.  (...) 

E que tipo de histórias podem atrasar essa propagação? O estudo revelou um padrão por contraste:  acontecimentos “caracterizados por um vasto alcance para além de grupos pequenos abrandavam a difusão digital”;  mas outros, com impacto inicial sobre indivíduos ou pequenos grupos, espalham-se mais depressa:

“Quanto mais largo for o leque de pessoas afectadas por um acontecimento, mais provável é que seja menos rápida a difusão dessa notícia desde o início.” 

“Não é especialmente surpreendente que as más notícias se espalhem mais depressa.  (...)  Uma grande história negativa é também o tipo de coisa que um editor não quer falhar. Tendem a ser mais rapidamente partilhadas; e se alguém morre, é mais fácil confirmar isso em 20 minutos do que um caso de intriga política.” 

Mas o autor confessa algum desespero quando pensa na quantidade de horas de trabalho de jornalistas gastas a fazer a sequência de uma história que saíu noutro jornal: 

“Treze daqueles sites gastaram tempo com a múmia do sótão, que finalmente não era assim tão egípcia, e até tinha ossos de plástico  - embora com um crâneo humano autêntico (horripilante)!”  (...)

 

Mais informação no artigo aqui citado  e noutro texto de Joshua Benton

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


ver mais >
Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
Agenda
31
Dez
20
Jan