Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Opinião

Novidades, Tendências & Curiosidades Digitais

por Manuel Falcão

Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital patrocinado deverão triplicar até 2021 e as previsões do mercado internacional apontam para uma subida progressiva e constante dos preços da publicidade em meios digitais nos próximos anos. Vale a pena conhecer algumas das principais conclusões do relatório referido. Em primeiro lugar, a plataforma preferida para trabalhar conteúdos: 55% dos inquiridos declarou utilizar e preferir a plataforma WordPress.

Em segundo lugar os publishers digitais consideram que a diversificação das receitas é o único caminho possível para garantir que o negócio seja saudável. Foram referidas cinco estratégias principais de monetização: 79% dos publishers obtêm receitas da publicidade nas suas propriedades digitais. Mas outras fontes de receita incluem a indicação de links afiliados (30%), vendas de assinaturas (22%), branded content e publicidade nativa (18%) e eventos fora do ambiente digital (12%). As newsletters e os emails continuam a ser a forma mais popular de os publishers contactarem o seu público e aumentarem o tráfego nos seus sites e são utilizados por 80% dos inquiridos. A presença em social media faz o pleno – é universal, todos a têm, pelo menos numa plataforma, frequentemente em mais do que uma. Outro dado a ter em conta é que existe uma correlação acentuada entre a frequência da publicalção de conteúdos novos e o tráfego obtido. Enquanto os modelos de negócio e a forma de elaboração e utilização de contéudos varia, a verdade é que o ponto comum é que a grande maioria dos publishers com bons resultados produz e disponibiliza grandes quantidades de novos conteúdos a um ritmo semanal. Finalmente a maior parte dos publishers permite acesso ao seu arquivo como forma de prolongar a permanência no site e oferecer maior possibilidade de exposição da publicidade dos seus anunciantes.

 

Para aligeirar termino com um outro estudo, levado a cabo pelo Flipboard e que estuda a correlação entre os conteúdos consumidos pelos seus 145 milhões de utilizadores e que permitirá a algumas marcas encarar a segmentação à luz de nova informação. Assim, por exemplo, 79% das pessoas que lêem sobre sapatos de desporto também se interessam por artigos sobre negócios e economia, o que ultrapassa os 70% que procuram informação sobre festivais musicais e que também querem saber de noticiário económico. Outras curiosidades: 59% de pessoas que procuram artigos sobre animais domésticos também procuram informação sobre política e 52% das pessoas que pesquisam artigos sobre nutrição querem ler artigos sobre marketing.

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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