Terça-feira, 10 de Dezembro, 2019
Media

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

A questão “que incomoda”, finalmente, é posta dos dois lados. Há jornalistas a perguntarem por que são odiados e agredidos, e há manifestantes a perguntarem por que são todos descritos como arruaceiros. 

Matthieu, um condutor de pesados, descreve a continuidade do movimento, mais organizado e com participação em reuniões municipais, “para que os cidadãos deixem de ter medo de nós”: 

“Continuamos activos, mas de modo diferente”  -  afirma. E, segundo Claude, uma reformada, “temos de continuar a fazer ver que não somos invisíveis”. 

A apresentação de Florence Aubenas foi bem recebida, com uma das participantes a cumprimentá-la: “Você é a honra da sua profissão. Obrigado por denunciar as desigualdades!” 

Não foi tão fácil com Céline Pigalle, da BFM-TV, a quem um dos manifestantes lançou: 

“A senhora não conhece nada dos gilets jaunes! Está no alto da sua nuvem, como os políticos! Vocês ‘estão-se nas tintas’ para nós! No campo, não vimos ninguém!” 

Céline Pigalle aguentou o embate e fez um esforço de explicação, “reconhecendo erros, indicando que a BFM-TV trabalha no registo de imagem, admitindo um trabalho ‘demasiadamente pouco cauteloso’, com emissões em directo ‘por vezes hipnóticas e infelizes’.” 

Mas contou também que a chuva de críticas contra o trabalho da sua estação  “veio de todos os lados: do governo, dos outros jornalistas e dos gilets jaunes”: 

“Com 70% de audiência no Outono, éramos um dos últimos sítios onde se podiam encontrar espectadores com horizontes muito diferentes. Já ninguém quer ver senão a sua própria opinião.”  (...) 

“A actualidade social dos gilets jaunes teria esclarecido as grelhas de leitura truncadas, tanto parisienses como jornalísticas”  - segundo o texto de Le Monde

Como admite a sua repórter Florence Aubenas: 

“Para nós, o primeiro reflexo era procurar um dirigente e os elementos aglutinadores. Azar nosso, não havia.”  (...)

 

Mais informação em  Le Monde

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A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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