Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Nomeação

Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Fabiola Gianotti, filha de um geólogo do Piemonte e de uma siciliana apaixonada por música e arte, escolheu o curso de Física depois dos seus estudos clássicos e de ter concluído o curso de piano no Conservatório de Milão. Frequentou igualmente aulas de ballet clássico, desenvolveu uma paixão pela culinária que permanece até hoje, enquanto na escola se apaixonou pelo grego, o latim e a filosofia. A música exerce sobre ela uma influência fundamental e ensinou-lhe uma abordagem rigorosa da vida.

 

Gianotti procurou primeiro a Filosofia, na Universidade, porque lhe permitia equacionar as grandes perguntas, mas acabou por mudar para o curso de Física, quando percebeu que este lhe daria mais hipóteses de encontrar as respostas que procurava.

 

Essa combinação de influências artísticas e científicas deixou-a com três paixões na vida: música, física e culinária.  

“Todas três seguem regras muito precisas”  - afirma. “A harmonia musical é baseada em princípios físicos, enquanto na cozinha os ingredientes devem ser pesados com precisão. Ao mesmo tempo, temos de ser capazes de inventar, porque, se seguimos sempre a mesma receita, nunca criamos nada de novo.”  (...)

Sobre a premiada deste ano, Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, sublinhou a missão de Fabiola Gianotti como Directora-Geral do CERN  -  “instituição europeia mundialmente reconhecida no campo da pesquisa nuclear, abrangendo um amplo espectro de actividades que vão desde a pesquisa ao desenvolvimento tecnológico e à formação de jovens, até ao papel extremamente importante na contribuição para a construção da paz, através da união de cientistas de diferentes países”.

 

Dos dois distinguidos com Menções Especiais, Kasper Holten, Director do Royal Danish Theatre, tem procurado “demonstrar a importância de os indivíduos serem bem informados e esclarecidos através da compreensão da sua herança cultural”.

Tanto no trabalho artístico como na sua gestão, Kasper Holten promoveu e desenvolveu parcerias e colaborações por toda a Europa. Os seus esforços para colocar as artes performativas no discurso central da sociedade alcançaram novos públicos-alvo.  Já montou mais de 75 óperas, peças de teatro e espectáculos musicais em vários países europeus, bem como nos Estados Unidos, na Rússia, em Israel, Austrália, Argentina, China e Japão.

 

Angelo Castiglioni recebe a Menção Especial por,  “juntamente com o seu irmão gémeo Alfredo, já falecido, ter dedicado sessenta anos de vida a numerosas explorações e expedições arqueológicas e etnográficas no norte e centro da África”.

Os resultados impressionantes dessas missões foram publicados em numerosos livros e em filmes e documentários, como testemunho único dos usos e costumes de grupos étnicos já desaparecidos ou que estavam a perder as suas raízes culturais originais.

Os resultados do trabalho de Castiglioni estão expostos no Museu Castiglioni, criado no município de Varese, na Lombardia, com a doação dos achados arqueológicos e etnográficos recolhidos durante as suas expedições.

 

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013; o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk foi distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram ex-aequo a edição de 2016; em 2017, o cineasta Wim Wenders foi o vencedor e, em 2018, a vencedora foi a historiadora inglesa Bettany Hughes.

 

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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