Sábado, 26 de Setembro, 2020
Nomeação

Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Fabiola Gianotti, filha de um geólogo do Piemonte e de uma siciliana apaixonada por música e arte, escolheu o curso de Física depois dos seus estudos clássicos e de ter concluído o curso de piano no Conservatório de Milão. Frequentou igualmente aulas de ballet clássico, desenvolveu uma paixão pela culinária que permanece até hoje, enquanto na escola se apaixonou pelo grego, o latim e a filosofia. A música exerce sobre ela uma influência fundamental e ensinou-lhe uma abordagem rigorosa da vida.

 

Gianotti procurou primeiro a Filosofia, na Universidade, porque lhe permitia equacionar as grandes perguntas, mas acabou por mudar para o curso de Física, quando percebeu que este lhe daria mais hipóteses de encontrar as respostas que procurava.

 

Essa combinação de influências artísticas e científicas deixou-a com três paixões na vida: música, física e culinária.  

“Todas três seguem regras muito precisas”  - afirma. “A harmonia musical é baseada em princípios físicos, enquanto na cozinha os ingredientes devem ser pesados com precisão. Ao mesmo tempo, temos de ser capazes de inventar, porque, se seguimos sempre a mesma receita, nunca criamos nada de novo.”  (...)

Sobre a premiada deste ano, Maria Calado, Presidente do Centro Nacional de Cultura, sublinhou a missão de Fabiola Gianotti como Directora-Geral do CERN  -  “instituição europeia mundialmente reconhecida no campo da pesquisa nuclear, abrangendo um amplo espectro de actividades que vão desde a pesquisa ao desenvolvimento tecnológico e à formação de jovens, até ao papel extremamente importante na contribuição para a construção da paz, através da união de cientistas de diferentes países”.

 

Dos dois distinguidos com Menções Especiais, Kasper Holten, Director do Royal Danish Theatre, tem procurado “demonstrar a importância de os indivíduos serem bem informados e esclarecidos através da compreensão da sua herança cultural”.

Tanto no trabalho artístico como na sua gestão, Kasper Holten promoveu e desenvolveu parcerias e colaborações por toda a Europa. Os seus esforços para colocar as artes performativas no discurso central da sociedade alcançaram novos públicos-alvo.  Já montou mais de 75 óperas, peças de teatro e espectáculos musicais em vários países europeus, bem como nos Estados Unidos, na Rússia, em Israel, Austrália, Argentina, China e Japão.

 

Angelo Castiglioni recebe a Menção Especial por,  “juntamente com o seu irmão gémeo Alfredo, já falecido, ter dedicado sessenta anos de vida a numerosas explorações e expedições arqueológicas e etnográficas no norte e centro da África”.

Os resultados impressionantes dessas missões foram publicados em numerosos livros e em filmes e documentários, como testemunho único dos usos e costumes de grupos étnicos já desaparecidos ou que estavam a perder as suas raízes culturais originais.

Os resultados do trabalho de Castiglioni estão expostos no Museu Castiglioni, criado no município de Varese, na Lombardia, com a doação dos achados arqueológicos e etnográficos recolhidos durante as suas expedições.

 

O escritor italiano Claudio Magris foi o primeiro laureado do Prémio Europeu Helena Vaz da Silva, em 2013; o escritor turco e Prémio Nobel da Literatura Orhan Pamuk foi distinguido em 2014; o músico catalão Jordi Savall foi premiado em 2015; o cartoonista francês Jean Plantureux, conhecido como Plantu, e o ensaísta português Eduardo Lourenço venceram ex-aequo a edição de 2016; em 2017, o cineasta Wim Wenders foi o vencedor e, em 2018, a vencedora foi a historiadora inglesa Bettany Hughes.

 

Connosco
“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.

Em declarações à agência de notícias France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido “mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


Liberdade de imprensa em Hong Kong continua a deteriorar-se Ver galeria

As autoridades de Hong Kong estão a apertar  as restrições à liberdade de imprensa, tendo anunciado que vão deixar de aceitar determinadas acreditações jornalísticas.

Assim, só serão aceites acreditações fornecidas por organizações noticiosas registadas no sistema de informação governamental. Desta forma, as centenas de  jornalistas membros daHong Kong Journalists Association (HKJA) e da Hong Kong Press Photographers Association (HKPPA) não poderão comparecer a conferências de imprensa. 

Entretanto, a  HKJA, a HKPPA, e cinco outros sindicatos, exigiram que a nova política fosse retirada. "A emenda permite às autoridades decidirem quem é considerado repórter, o que altera, fundamentalmente, o sistema existente em Hong Kong.  (...) Isto condicionará, gravemente, a liberdade de imprensa, conduzindo a cidade a um regime autoritário".

Numa carta remetida ao Hong Kong Foreign Correspondents Club , um superintendente da polícia, Kwok Ka-chuen,  tentou justificar a aplicação da emenda, afirmando que as manifestações da região semi-autónoma "atraem, frequentemente centenas de repórteres, que participam em protestos, e que agridem a polícia”.  "Isto sobrecarrega a aplicação da lei”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo