Quinta-feira, 14 de Novembro, 2019
Media

Arábia Saudita agrava repressão sobre jornalistas e “bloggers”

A repressão sobre jornalistas e bloggers tem vindo a intensificar-se na Arábia Saudita, segundo a organização Repórteres sem Fronteiras, que aponta o dedo ao príncipe herdeiro,   Mohammed Ben Salman, pelas transformações que estão a ocorrer naquele país.

De acordo com os RSF, estão detidos pelo menos 30 jornalistas e bloggers, por  terem  dirigido críticas ao regime, e alguns deles terão sido torturados.

As autoridades sauditas invocam frequentemente, segundo   escreve Le Monde, as leis antiterroristas e a luta contra o cibercrime para actuar com mão pesada.

Sabrina Bennoui, responsável do escritório dos RSF para o Médio- Oriente, explicou que “se um jornalista critica uma lei ou se denuncia a corrupção ou a pobreza pode ser acusado de incitação ao caos ou à sedição, ou, ainda, de atentado contra a  segurança nacional e de deslealdade  em relação à família real”.

Esta repressão das vozes dos críticos não é nova, mas agravou-se desde a chegada ao poder do príncipe herdeiro,  Mohammed Ben Salman .

Segundo  ainda os   RSF, a Arábia Saudita ocupa o 172º lugar no ranking mundial da liberdade de imprensas,  que engloba 180 países.

Representantes da Organização deslocaram-se em Abril a  Riade para pedir a libertação dos jornalistas encarcerados. Foi uma missão oficial de três dias.

 "Tivemos uma série de encontros entre os dias 21 e 23 de abril e reunimos com responsável de alto nível", afirmou o secretário-geral da organização, Christophe Deloire, sublinhando ter-se tratado de "uma missão sem precedentes".

A RSF revelou o tema das discussões numa mensagem divulgada na rede social Twitter, a propósito de uma reunião internacional dedicada à liberdade de imprensa, organizada em Londres pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros britânico e canadiano.

"[A delegação da RSF esteve] duas horas com o procurador-geral, que nunca se tinha reunido com uma organização não-governamental ocidental nem com pessoas como nós", adiantou Deloire,

Connosco
A internet alterou o paradigma do jornalismo Ver galeria

Os jornalistas de todo o mundo enfrentam os mesmos problemas de forma semelhante.

A internet alterou o paradigma do jornalismo, fazendo com que saísse da esfera isolada, oferecendo o potencial para aumentar o seu público.

Apesar de a informação se disseminar à velocidade de um clique, o jornalismo continua a ser uma tribo. Todos os ataques e desafios enfrentados pelos jornalistas, têm aproximado os profissionais do sector.

A rápida disseminação da desinformação, alimentada pela tecnologia; o aumento do autoritarismo como resposta ao agravamento da desigualdade; e o crescente medo das mudanças demográficas em países ao redor do mundo, são alterações que trazem constantes desafios.

De todos os desafios, a proliferação da desinformação tem sido fulcral na transformação da realidade jornalística.

No pós-eleições americanas, os jornalistas viram-se obrigados a lidar com factos surpreendentes, entre os quais a circunstância de a Rússia tentar disseminar histórias enganosas, com o objectivo de influenciar as eleições e misturar a informação com as “fake news”.

A desinformação, actualmente, encontra-se espalhada pelo mundo e o jornalismo arrisca-se a ser arrastado para o caos.

O artigo de Kyle Pope aborda a temática no seu artigo publicado no site Columbia Journalism Review.

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento Ver galeria

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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