Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Media

Informação contaminada pela "comunicação lixeira"

Veio para ficar, e está instalada entre nós, a “comunicação lixeira”, depois de ultrapassados todos os limites de degradação da qualidade da comunicação, que era suposto transmitir “informação e conhecimento”.

Parece-nos hoje inevitável que, nos processos eleitorais, a transmissão das mensagens se tenha convertido num “exercício de impostura, um território em que tudo é permitido, incluindo a mentira e o insulto e, no limite, o espaço do debate público se tenha tornado uma autêntica lixeira cívica”.

A reflexão é do jornalista José Antonio Zarzalejos, um dos autores destacados na mais recente edição da revista Cuadernos de Periodistas, da Asociación de la Prensa de Madrid, cujo tema de fundo é “O assalto da mentira à comunicação política”.

A mesma preocupação anima Clara Jiménez Cruz, co-fundadora e dirigente do site de verificação de factos e jornalismo de dados Maldita.es. O seu texto adverte os meios de comunicação sobre a necessidade de terem em conta “o impacto da desinformação sobre a sociedade, de investirem na formação das suas redacções em verificação de factos, e de adoptarem procedimentos de rectificação transparentes e honestos, se querem contribuir para a limpeza do ecossistema informativo e para a credibilidade do jornalismo.” 

Por seu lado, Marc Amorós García, autor do livro Fake news, la verdad de las notícias falsas, afirma que “o jornalismo é ao mesmo tempo vítima e culpado” da desinformação, o que gera “um cenário de desconfiança e ataque sistemático” contra os media e os jornalistas. 

Insiste na importância das normas de verificação, lamentando que a qualidade da boa informação acabe por ser equiparada à desinformação. 

Pablo Romero, redactor do jornal espanhol Público, chama a atenção para o papel desempenhado pelas grandes plataformas da Internet, acusadas como distribuidoras de mentiras, especialmente nas campanhas políticas dos EUA e do Brasil, e qua agora tentam “combater determinadas mensagens tóxicas, mal intencionadas ou expressamente falsas, sem caírem na censura de conteúdos”. 

Entre outros temas incluídos nesta edição, Francisco Rouco explica como mesmo a Imprensa dos chamados  millennials também é atacada pela crise e sofre com fecho de meios e despedimentos.

 

No site da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...