Sexta-feira, 17 de Janeiro, 2020
Estudo

Franceses confiam cada vez menos nos seus Media

A confiança dos franceses nos meios de comunicação tem vindo a degradar-se nos últimos cinco anos, e um inquérito muito recente só vem agravar o quadro. Segundo este estudo, da empresa de sondagens de opinião pública Ipsos, participam neste descrédito utentes de todos os suportes de informação. Só 37% dos franceses declaram a sua confiança na televisão e na rádio, e apenas 36% nas revistas e jornais impressos. 

Mais de um quarto (26%) dos cidadãos deste país prefere a informação que lhes chega de pessoas próximas, com 65% deles achando que são essas as informações interessantes, e apenas 46% a considerarem pertinentes as que são veiculadas pelos meios audiovisuais e pela Imprensa.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, estes números são “inquietantes”, sabendo-se que “é este o modo de pensar subjacente à difusão maciça de desinformação pelas redes sociais”  - de que foi bom exemplo o fenómeno dos grupos do Facebook no movimento dos gilets jaunes.  

“No momento em que os deepfake  -  vídeos manipulados com apoio de ferramentas de inteligência artificial -  começam a encontrar eco na Net, e quando o governo se mobiliza contra a manipulação da informação, os media são entendidos como promotores de fake news. Quase metade (48%) dos franceses acham que o jornalismo impresso (jornais e revistas) produz muitas informações falsas.” 

Esta taxa ainda é maior (52%) a respeito da televisão e da rádio. 

Também quanto ao que se passa online, território em que a Ipsos abarcou um espectro muito largo, juntanto o que se lê nos sites de informação mas também o que vem nas redes sociais, é possível chegar a 63% de cidadãos que acham que muito do que lêem é falso.

Os dados revelados são ainda mais inquietantes noutros países, com 82% dos sérvios, 78% dos húngaros e 68% dos russos a entenderem que os seus jornais e revistas partilham informações falsas; para a televisão e a rádio, as respectivas taxas são de 74%, 73% e 71%. 

Ainda na França, 40% dos inquiridos consideram “necessário” o serviço do audiovisual público (Radio France, France Télévisions, Arte e France Médias Monde). Mas um pouco menos de um terço (30%) considera estes meios “ultrapassados, elitistas ou burocráticos”. 

O estudo é baseado nos dados colhidos por inquérito online, junto de 19.541 pessoas de 27 países de todo o mundo  - Portugal não é mencionado. Em França foram entrevistados mais de 1.000 cidadãos, de idades entre os 16 e os 64 anos. 


Mais informação em Le Figaro  e em offremedia.com

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Jornalistas sobem ao palco para contar as suas histórias ... Ver galeria

Os jornais deixaram de estar devidamente enraizados no seu lugar, os jornalistas não interagem com a comunidade e as comunidades de leitores estão a desintegrar-se. Uma nova tendência mediática está, contudo, a aproximar, novamente, os jornalistas das audiências. 

A imprensa de alguns países - como a Finlândia, Espanha e França -, está a começar a apostar num formato de "notícias ao vivo", onde os jornalistas estão, literalmente, em cima do palco e conversam com o público sobre as suas histórias, reportagens e vivências, o que está a ajudar o jornalismo a combater a crise de credibilidade. 

O público está pronto a conhecer a pesquisa preliminar dos jornalistas, que se mostram dispostos a partilhar os desenvolvimentos das suas histórias. Ouvir os jornalistas em “carne e osso” humaniza tanto as histórias quanto os escritores e levanta o véu sobre as práticas da redacção. Os participantes dos eventos ficam satisfeitos por terem a oportunidade de fazer perguntas, participar numa discussão e potencialmente influenciar a estratégia editorial.

Em Helsínquia, por exemplo, a “performance” do principal jornal diário está, habitualmente, esgotada. Em Madrid, o "Diário Vivo" oferece "uma noite única em que os jornalistas contam histórias verdadeiras, íntimas e universais pela primeira vez". O público compromete-se a não gravar o evento e, na Finlândia, reúne-se com os jornalistas para "tomar um copo", depois de saírem de cena.


Leitores franceses com reservas em relação aos “media” Ver galeria

Um estudo anual realizado para o diário francês "La Croix", revelou que há um decréscimo no interesse pela actualidade e que os leitores confiam cada vez menos nos "media".

Segundo a pesquisa, apenas 59% dos franceses segue as notícias com interesse "muito elevado" ou "elevado", 41% dizem que estão "muito pouco" ou "bastante pouco" interessados. Esta é a maior queda registada desde que este tipo de inquérito começou a ser realizado, em 1987, o que confirma uma certa apatia.

A confiança nos "media" continua extremamente baixa. Apenas 50% dos franceses considera que as notícias transmitidas na rádio são credíveis e a credibilidade em relação ao conteúdo televisivo é de apenas 40%. Os jornais têm a confiança de 46% das leitores e a internet é considerada o meio de informação menos fidedigno.

O fenómeno parece estar ligado, em parte, ao número de canais de informação, que se multiplica pelas redes sociais, e às notícias que muitas vezes provocam ansiedade e medo.


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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