Quinta-feira, 14 de Novembro, 2019
Estudo

Franceses confiam cada vez menos nos seus Media

A confiança dos franceses nos meios de comunicação tem vindo a degradar-se nos últimos cinco anos, e um inquérito muito recente só vem agravar o quadro. Segundo este estudo, da empresa de sondagens de opinião pública Ipsos, participam neste descrédito utentes de todos os suportes de informação. Só 37% dos franceses declaram a sua confiança na televisão e na rádio, e apenas 36% nas revistas e jornais impressos. 

Mais de um quarto (26%) dos cidadãos deste país prefere a informação que lhes chega de pessoas próximas, com 65% deles achando que são essas as informações interessantes, e apenas 46% a considerarem pertinentes as que são veiculadas pelos meios audiovisuais e pela Imprensa.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, estes números são “inquietantes”, sabendo-se que “é este o modo de pensar subjacente à difusão maciça de desinformação pelas redes sociais”  - de que foi bom exemplo o fenómeno dos grupos do Facebook no movimento dos gilets jaunes.  

“No momento em que os deepfake  -  vídeos manipulados com apoio de ferramentas de inteligência artificial -  começam a encontrar eco na Net, e quando o governo se mobiliza contra a manipulação da informação, os media são entendidos como promotores de fake news. Quase metade (48%) dos franceses acham que o jornalismo impresso (jornais e revistas) produz muitas informações falsas.” 

Esta taxa ainda é maior (52%) a respeito da televisão e da rádio. 

Também quanto ao que se passa online, território em que a Ipsos abarcou um espectro muito largo, juntanto o que se lê nos sites de informação mas também o que vem nas redes sociais, é possível chegar a 63% de cidadãos que acham que muito do que lêem é falso.

Os dados revelados são ainda mais inquietantes noutros países, com 82% dos sérvios, 78% dos húngaros e 68% dos russos a entenderem que os seus jornais e revistas partilham informações falsas; para a televisão e a rádio, as respectivas taxas são de 74%, 73% e 71%. 

Ainda na França, 40% dos inquiridos consideram “necessário” o serviço do audiovisual público (Radio France, France Télévisions, Arte e France Médias Monde). Mas um pouco menos de um terço (30%) considera estes meios “ultrapassados, elitistas ou burocráticos”. 

O estudo é baseado nos dados colhidos por inquérito online, junto de 19.541 pessoas de 27 países de todo o mundo  - Portugal não é mencionado. Em França foram entrevistados mais de 1.000 cidadãos, de idades entre os 16 e os 64 anos. 


Mais informação em Le Figaro  e em offremedia.com

Connosco
A internet alterou o paradigma do jornalismo Ver galeria

Os jornalistas de todo o mundo enfrentam os mesmos problemas de forma semelhante.

A internet alterou o paradigma do jornalismo, fazendo com que saísse da esfera isolada, oferecendo o potencial para aumentar o seu público.

Apesar de a informação se disseminar à velocidade de um clique, o jornalismo continua a ser uma tribo. Todos os ataques e desafios enfrentados pelos jornalistas, têm aproximado os profissionais do sector.

A rápida disseminação da desinformação, alimentada pela tecnologia; o aumento do autoritarismo como resposta ao agravamento da desigualdade; e o crescente medo das mudanças demográficas em países ao redor do mundo, são alterações que trazem constantes desafios.

De todos os desafios, a proliferação da desinformação tem sido fulcral na transformação da realidade jornalística.

No pós-eleições americanas, os jornalistas viram-se obrigados a lidar com factos surpreendentes, entre os quais a circunstância de a Rússia tentar disseminar histórias enganosas, com o objectivo de influenciar as eleições e misturar a informação com as “fake news”.

A desinformação, actualmente, encontra-se espalhada pelo mundo e o jornalismo arrisca-se a ser arrastado para o caos.

O artigo de Kyle Pope aborda a temática no seu artigo publicado no site Columbia Journalism Review.

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento Ver galeria

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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