Quinta-feira, 9 de Abril, 2020
Estudo

Franceses confiam cada vez menos nos seus Media

A confiança dos franceses nos meios de comunicação tem vindo a degradar-se nos últimos cinco anos, e um inquérito muito recente só vem agravar o quadro. Segundo este estudo, da empresa de sondagens de opinião pública Ipsos, participam neste descrédito utentes de todos os suportes de informação. Só 37% dos franceses declaram a sua confiança na televisão e na rádio, e apenas 36% nas revistas e jornais impressos. 

Mais de um quarto (26%) dos cidadãos deste país prefere a informação que lhes chega de pessoas próximas, com 65% deles achando que são essas as informações interessantes, e apenas 46% a considerarem pertinentes as que são veiculadas pelos meios audiovisuais e pela Imprensa.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, estes números são “inquietantes”, sabendo-se que “é este o modo de pensar subjacente à difusão maciça de desinformação pelas redes sociais”  - de que foi bom exemplo o fenómeno dos grupos do Facebook no movimento dos gilets jaunes.  

“No momento em que os deepfake  -  vídeos manipulados com apoio de ferramentas de inteligência artificial -  começam a encontrar eco na Net, e quando o governo se mobiliza contra a manipulação da informação, os media são entendidos como promotores de fake news. Quase metade (48%) dos franceses acham que o jornalismo impresso (jornais e revistas) produz muitas informações falsas.” 

Esta taxa ainda é maior (52%) a respeito da televisão e da rádio. 

Também quanto ao que se passa online, território em que a Ipsos abarcou um espectro muito largo, juntanto o que se lê nos sites de informação mas também o que vem nas redes sociais, é possível chegar a 63% de cidadãos que acham que muito do que lêem é falso.

Os dados revelados são ainda mais inquietantes noutros países, com 82% dos sérvios, 78% dos húngaros e 68% dos russos a entenderem que os seus jornais e revistas partilham informações falsas; para a televisão e a rádio, as respectivas taxas são de 74%, 73% e 71%. 

Ainda na França, 40% dos inquiridos consideram “necessário” o serviço do audiovisual público (Radio France, France Télévisions, Arte e France Médias Monde). Mas um pouco menos de um terço (30%) considera estes meios “ultrapassados, elitistas ou burocráticos”. 

O estudo é baseado nos dados colhidos por inquérito online, junto de 19.541 pessoas de 27 países de todo o mundo  - Portugal não é mencionado. Em França foram entrevistados mais de 1.000 cidadãos, de idades entre os 16 e os 64 anos. 


Mais informação em Le Figaro  e em offremedia.com

Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


ver mais >
Opinião
Com a crise do coronavirus, os sinos começaram a “tocar a rebate” pela Imprensa que, em Portugal, já se defrontava com uma situação precária, devido à quebra continuada de vendas e de receitas publicitárias. Os anunciantes começaram por migrar para as televisões, com uma política de preços em jeito de “saldo de fim de estação”, e mais tarde para a Internet, seduzidos pelas ...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
Em toda a parte, ou quase, a pandemia causada pelo coronavírus fechou em casa muitos milhões de pessoas, para evitarem ser contaminadas. Um dos efeitos desse confinamento foi terem aumentado as audiências de televisão. Por outro lado, as pessoas precisam de informação, por isso o estado de emergência em Portugal mantém abertos os quiosques, que vendem jornais.   Melhores tempos para a comunicação social? Nem por isso,...
No Brasil uma empresa de mídia afixou uma campanha, de grande formato, com uma legenda: “Eu tô aqui porque sou um outdoor. E você, tá fazendo o quê na rua?”. Este é o melhor exemplo que vi nos últimos dias sobre a necessidade de manter a comunicação e reforçar as mensagens. Em Portugal e no estrangeiro sucedem-se adiamentos e cancelamentos de campanhas. Mas há também marcas que resolveram até...
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun