null, 21 de Julho, 2019
Media

"L'Humanité" aprova despedimentos para salvar o jornal

O diário francês L’Humanité, que se encontra, desde Fevereiro, em situação de administração judicial, por dificuldades financeiras, aceitou um procedimento de recuperação que implica a supressão de um quinto dos seus postos de trabalho.

As organizações sindicais representativas dos seus trabalhadores aceitaram por unanimidade um PSE – Plan de Sauvegarde de l’Emploi  que vai levar, entre Julho e Agosto, ao despedimento de 35 assalariados, mais a partida de outros seis, por passagem à reforma ou demissão, entre um total de 157.

O conhecido jornal comunista tinha-se declarado, no fim de Janeiro, em cessação de pagamentos. Reduzindo a massa salarial em cerca de 2,3 milhões de euros por ano, este PSE deve restaurar o equilíbrio de L’Humanité, cujas perdas chegaram ao milhão e meio de euros em 2018.

“Depois de um mês e meio de negociações entre a direcção, os administradores judiciais e os seus representantes sindicais, os assalariados de L’Humanité vão agora pagar o preço duro de participarem no esforço colectivo e assegurarem o futuro do jornal”  - anunciou o SNJ – Sindicato Nacional dos Jornalistas francês.  

O acordo referido prevê ainda a criação de nove postos de trabalho, abertos à reclassificação dos que são despedidos.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, L’Humanité já tinha escapado à cessação de pagamentos em 2016, mas está exposto, desde há vários anos, a uma baixa da receita das vendas em quiosque e das assinaturas, além da proveniente da publicidade.

“As primeiras diminuíram, em 2018, 500 mil euros (sobre um total de 16,5 milhões), enquanto o volume de negócios publicitário caía 19%. Entre 2017 e 2018, L’Humanité perdeu 5,7% da sua circulação, que era de 32.900 exemplares em Dezembro do ano findo.” 

“O jornal é ainda afectado por uma dívida de treze milhões de euros. Depois de ter aceite o corte dos seus efectivos, conta agora com os administradores judiciais para o renegociarem junto dos credores.”  (...) 

“Este título, fundado em 1904 por Jean Jaurès, e que foi o órgão oficial do Partido Comunista Francês entre 1920 e 1994, pode apoiar-se sobre o envolvimento forte dos seus leitores, aos quais dirige regularmente apelos.  (...)  Mais de 2,4 milhões de euros foram recolhidos depois do [apelo] de Janeiro.” 

“É necessário que se mantenha este impulso de solidariedade para ajudar a financiar o PSE e a Festa de L’Humanité, em Setembro”  - sublinha o representante dos trabalhadores junto do Tribunal de Comércio de Bobigny, a que pertence a administração judicial. 

“O jornal espera obter lucro deste evento, em 2019, e aproveitar desta visibilidade para recolher mais uma vaga de donativos.”

 

Mais informação em Le Monde  e em L’Humanité

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China