Quinta-feira, 14 de Novembro, 2019
Media

Revista satírica "Mad" suspende publicação regular

A famosa revista satírica americana Mad vai deixar de estar presente todos os meses, como até aqui, nas bancas de jornais. A editora de publicações de banda desenhada DC Comics, detentora do título, anuncia que, a partir do Outono de 2019, a Mad terá apenas edições especiais, de fim de ano ou de colectâneas de conteúdos “clássicos”, disponíveis nas lojas especializadas ou enviadas aos assinantes.

Vários artistas e criadores nesta área do entretenimento, muitos dos quais cresceram como leitores da Mad,  já exprimiram publicamente a sua tristeza pela notícia  -  entre eles Al Yankovic, que lamenta a perda de “uma das grandes instituições Americanas de todos os tempos!”

Segundo The Guardian, que aqui citamos, a Mad nasceu em 1952 como um livro de banda desenhada, com a sua primeira edição quase totalmente escrita pelo editor Harvey Kurtzman. Tornou-se revista em 1955 “e começou rapidamente a ganhar influência e audiência com a sua sátira aguda e a sua divertida loucura”. 

Ultrapassou, em 1974, os dois milhões de leitores, mas nos últimos anos tornou-se claro que já não tinha a força de outros tempos. 

Outro autor de banda desenhada, Bill Sienkiewicz, declarou em tweet

“Espero que as pessoas compreendam o que isto significa para nós como nação, tanto como cultura, ou como uma sociedade crítica que funciona. A MAD não era APENAS uma revista de humor. Não é apenas o fim de uma era; é o fim do ...”  -  deixando a reticência em suspenso. 

Donald Trump comparou um dos candidatos democratas à nomeação presidencial para 2020, Pete Buttigieg, à figura orelhuda e desdentada caracterizada na revista como Neuman, e famosa pelo dito  - “What, me worry?”  [O quê? Eu preocupado?]. 

O visado reconhece que teve de ir procurar no Google do que se tratava, admitindo que “deve ser por uma questão geracional”.

A revista Mad respondeu-lhe à letra: “Quem é o Pete Buttigieg? Deve ser uma questão geracional.”

 

Mais informação em The Guardian  e no Público

Connosco
A internet alterou o paradigma do jornalismo Ver galeria

Os jornalistas de todo o mundo enfrentam os mesmos problemas de forma semelhante.

A internet alterou o paradigma do jornalismo, fazendo com que saísse da esfera isolada, oferecendo o potencial para aumentar o seu público.

Apesar de a informação se disseminar à velocidade de um clique, o jornalismo continua a ser uma tribo. Todos os ataques e desafios enfrentados pelos jornalistas, têm aproximado os profissionais do sector.

A rápida disseminação da desinformação, alimentada pela tecnologia; o aumento do autoritarismo como resposta ao agravamento da desigualdade; e o crescente medo das mudanças demográficas em países ao redor do mundo, são alterações que trazem constantes desafios.

De todos os desafios, a proliferação da desinformação tem sido fulcral na transformação da realidade jornalística.

No pós-eleições americanas, os jornalistas viram-se obrigados a lidar com factos surpreendentes, entre os quais a circunstância de a Rússia tentar disseminar histórias enganosas, com o objectivo de influenciar as eleições e misturar a informação com as “fake news”.

A desinformação, actualmente, encontra-se espalhada pelo mundo e o jornalismo arrisca-se a ser arrastado para o caos.

O artigo de Kyle Pope aborda a temática no seu artigo publicado no site Columbia Journalism Review.

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento Ver galeria

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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