null, 21 de Julho, 2019
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Não podemos criar realidades paralelas causadas pelos algoritmos...

É verdade que a Internet trouxe um aumento de conexões entre pessoas e a “facilidade de proliferação de conteúdos e debates sem o espaço físico. Olhando essas palavras, parece um cenário maravilhoso; mas não podemos tratar com normalidade o actual contexto.”

“Todos os dias ficamos exaustos com o festival de memes agressivos e discursos emocionais em busca de likes, ocupando os lugares de possíveis discussões mais aprofundadas, que poderiam tratar os problemas reais de maneira mais racional, fora da bolha digital e sem ideias populistas direccionadas só a nichos indisponíveis ao diálogo.”

Finalmente, esse aumento de conexões “aumentou a proliferação de ódio no mundo virtual, com o risco da violência ser transferida para o mundo real”.

A reflexão é do jornalista Lucas Souza Dorta, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

“O problema”  - como afirma o autor -  “é que estamos ficando mais sensíveis ao contraditório, mesmo que o grau de discordância seja mínimo”.  No fundo, todos temos tendência para procurar “o que é mais próximo dos nossos gostos”: 

“Até na vida real costumamos ter mais convívio com conteúdos e indivíduos próximos das nossas ideias e afinidades, mas, no mundo fora das telas dos computadores, as ‘bolhas’ são mais fáceis de serem furadas.” 

Na vida real vemos realidades diferentes e damo-nos conta de que “o mundo não é o grupinho do WhatsApp ou a timeline do Facebook e do Twitter que nos prende durante boa parte do quotidiano. Lá fora é que nos damos conta da complexidade dos agrupamentos e em boa parte dos ambientes entendemos que nem tudo é como a gente deseja e nem todos têm o mesmo estilo de vida e de personalidade por causa de diferentes factores de convivência, repertórios e ensinamentos”. 

“Infelizmente, está sendo comum ver grupos parecidos, com discordâncias mínimas, brigarem entre si, com ambos tentando impor suas ideias de forma beligerante. Já é possível observar o fenómeno da formação de ‘bolhas’ dentro dos próprios grupos, que passam a se dividir e formar subgrupos com alto grau de intolerância entre seres humanos com ideais parecidos e pequenas diferenças.”  (...) 

Em sociedades governadas por coligações de partidos diferentes, “os debates mais quentes fazem parte da rotina e devem continuar fazendo, pois são importantes para os contrapesos da democracia”: 

“O problema é que, no ambiente virtual, a cultura do confronto, da distorção e imposição de ideias, vem se tornando regra e, consequentemente, pode acabar sendo modelo para o mundo real. Isso é incentivado pelo excesso de segmentação e de algoritmos das redes sociais.”  (...) 

Lucas Souza Dorta defende como essencial termos em conta o contraditório, “até para sabermos os motivos de discordarmos ou concordarmos com algo e tornarmos a troca de ideias mais transparente e menos agressiva”, escapando do “excessivo discurso de ódio que contaminou a Internet”: 

“O modo caps lock [escrever em maiúsculas] e a gritaria roubaram o lugar daqueles que teriam mais qualidade para acrescentar nos debates, mesmo que fosse de um jeito popular.” 

“Essa ‘algoritmização’ da vida está fazendo sucesso na política e são comuns cenas de parlamentares filmando-se em momentos inoportunos em busca de likes. Há o incentivo de ambientes hostis que causam uma interdependência entre o internauta fanático e a figura que fala para seu público por meio de qualquer aplicativo ou aparelho tecnológico.” 

“Não podemos criar realidades paralelas causadas pelos algoritmos, porque poderá chegar um momento da humanidade em que não saberemos diferenciar o real do virtual e vamos mentir para nós mesmos em busca da satisfação pessoal. No futuro, há o risco de existir uma distopia com o ser humano enxergando somente o que ele quer ver, distorcendo factos comprovados em nome de alguma paixão ou bem maior.”  (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China