null, 21 de Julho, 2019
Media

Jornalismo "proactivo" para captar de novo leitores desencantados

Vale a pena publicar notícias que ninguém vai ler? E se muitos já não lêem porque não querem? Que podemos nós diante do número crescente dos que intencionalmente evitam os noticiários?
O último relatório do Instituto Reuters, sobre jornalismo digital, diz que o seu número já vai nos 32%.

“Tanto o Reino Unido como os EUA estão sob o efeito de um longo período de noticiário político muitíssimo anormal, devido ao Brexit e à eleição de Donald Trump. O que daqui resulta, se dermos crédito às conclusões do relatório, é um abaixamento do interesse em envolverem-se com quaisquer fontes de notícias.”

Segundo Emily Bell, que aqui citamos do diário britânico The Guardian, “há muitas vezes uma grande diferença entre o que as pessoas dizem que fazem e aquilo que realmente estão a fazer”. Os números das audiências podem não ser todos explicáveis por um declínio de interesse  - também reflectem as mudanças de ranking do motor de busca da Google, ou do algoritmo que alimenta o portal do Facebook.

Mas é verdade que há cada vez mais jornalistas e editores preocupados pela questão de saber como captar de novo a atenção dos que já estão no ponto de rejeitar as notícias.

“Se eu pudesse dispensar toda a minha equipa [que trata] das redes sociais, e substitui-la por uma equipa de envolvimento de audiências, era isso que fazia amanhã”  - disse a Emily Bell um editor com este tipo de preocupação. 

“Editar as notícias, e motivar as audiências no sentido de se interessarem por elas, são [duas coisas] muitas vezes consideradas como, intrinsecamente, a mesma função  - embora as competências necessárias para ambas possam estar em tensão uma com a outra”  - esclarece a autora. 

O site de “jornalismo lento” Tortoise, de que já aqui falámos, anunciou um esforço de alargamento da sua rede de membros por meio de palestras sobre temas definidos, em escolas, centros comunitários e outros espaços como estes. 

Já o Huffington Post tinha feito tournées pelos EUA (e partes do Reino Unido), com um autocarro, logo a seguir às eleições de 2016. The Guardian organizou os seus primeiros eventos de “notícias abertas” aos leitores há mais de uma década, e The New York Times tem o seu espaço próprio para este efeito, ligado ao seu grande edifício no centro de Nova Iorque. 

As revistas The Atlantic e New Yorker, bem como o diário nativo-digital Texas Tribune, têm estado a fazer os seus próprios “festivais de ideias, que constituem não só uma base à qual convidam os seus leitores, para tomarem parte num debate, mas ainda para proporem assinaturas e contribuições voluntárias”. 

Também a rede Solutions Journalism Network tem feito experiências ao nível local, envolvendo directamente as comunidades para falarem de coisas que as afectam, e ajudando assim as redacções “a cobrirem os assuntos de um modo que possa sugerir resultados, mais do que simplesmente esclarecer os problemas”. 

Está assim a desenvolver-se um crescente interesse por um jornalismo “proactivo”, que procura chegar ao contacto com aquelas audiências desinteressadas, evitando “os efeitos diluentes das redes sociais”. 

Mesmo que tenhamos dúvidas sobre o seu resultado  - como conclui Emily Bell -  “estas iniciativas de envolvimento proporcionam, pelo menos, um contacto vivo real com outros seres humanos, abordando não só os problemas do modelo de negócio das empresas de media, mas também alguns dos efeitos de isolamento digital que estão na sua causa”.


O artigo aqui citado, na íntegra em The Guardian

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China