Quinta-feira, 14 de Novembro, 2019
Opinião

O digital no futebol - ou como a tecnologia levou o Liverpool à vitória…

por Manuel Falcão

Recentemente o New York Times publicou um artigo onde revelava uma faceta pouco conhecida da preparação do Liverpoool, que foi o grande vencedor da Champions League este ano.

O mérito não é só do treinador, é também de um dos homens da equipa do clube, Ian Graham, doutorado em Física, e que esteve aliás na base da escolha de Jurgen Klopp para treinar a equipa.

Graham aplica modelos matemáticos e uma sistemática recolha e análise de dados para ajudar o Liverpool a tomar decisões – nas contratações, nas tácticas de jogo, na preparação das grandes competições.

Na realidade Ian Graham foi o “ovo de colombo” que revolucionou o clube – sem ter os recursos financeiros de equipas como o Real Madrid, o Manchester City ou o Barcelona, o Liverpool socorreu-se da ciência como alavanca para o seu desenvolvimento.

É uma nova atitude que está a despertar a curiosidade em todo o mundo e a revolucionar o desporto. Pela mão de Graham, um físico formado na Universidade de Cambridge, a “big data” saltou para o meio do relvado e o resultado é surpreendente.

O método desenvolvido por Graham permite estudar o comportamento de jogadores, analisar o seu potencial e ajudar a direcção do Liverpool a tomar decisões.

Não há contratações sem o parecer de Ian Graham, e foi ele aliás a peça decisiva na contratação do treinador, mas também de jogadores como Naby Keita, um guineense que se destacou no campeonato austríaco, onde a sua performance foi estudada pelo cientista do Liverpool.

A relação de Graham com o treinador é curiosa. Pouco depois de chegar ao Liverpool, Jurgen Klopp conheceu pessoalmente o director de pesquisa do clube, que foi quem tinha recomendado a contratação de Klopp.

Graham mostrou-lhe então uma série de dados do Borussia Dortmund, o anterior clube de Klopp. Jogo por jogo Graham mostrou um olhar alternativo sobre as estatísticas dos jogos – até de um desafio em que o Dortmund perdeu por dois a zero, apesar de ter dominado o jogo do princípio ao fim.

Graham não tinha assistido ao jogo, limitou-se a compilar e estudar dados do Borussia e os números analisados mostravam que o estilo de futebol de Klopp era adequado ao que o Liverpool queria implementar na equipa. Foi com esses dados que Graham convenceu os dirigentes do Liverpool a contratarem Klopp e Graham ficou o seu braço direito.

O físico especializou-se ao longo dos anos na análise de dados de jogadores e conta com uma base de dados de milhares de futebolistas de todo o mundo. Aqueles que mais se destacam são recomendados e alguns, como Keita, acabam contratados pela equipa.

Outro caso é o que envolve a contratação de Mohamed Sala que Graham achou que se complementava com o brasileiro Roberto Firmino. O entendimento entre os dois jogadores levou a que  Salah marcasse 32 golos no campeonato inglês.

A análise permite também definir a táctica de jogo. Graham provou que o lado direito do ataque do Liverpool fazia mais golos com cruzamento na área do que o lado esquerdo, levando Klopp a adequar  a forma de jogo, que transmitiu à equipa.

O técnico alemão tem o cuidado de não inundar o balneário com estatísticas, mas explica a conclusão a que chegou e as mudanças que acha adequadas. E tem dado resultado.

 

 O que é o “digital day”?

 

Uma iniciativa pouco conhecida da União Europeia é o Digital Day, que este ano decorreu em meados de Abril.

Trata-se de um evento que tem por objectivo conjugar esforços e recursos os estados membros da União Europeia para acelerar o desenvolvimento digital em áreas chave que possam permitir obter benefícios visíveis à economia e à sociedade e Portugal é um dos países aderentes.

Em anos anteriores o Digital Day lançou iniciativas de cooperação em áreas como a supercomputação, a condução automatizada, a indústria digital, Inteligência Artificial, aplicações à área da saúde e blockchain, uma tecnologia de segurança.

Este ano os destaques foram para a recomendação de guidelines éticas no sector da inteligência artificial, para a cooperação na digitalização do património histórico dos países da CE e para iniciativas de digitalização da agricultura e em áreas rurais e também promover maior participação das mulheres na digitalização da sociedade.

 

Uma nova forma de ter acesso a conteúdos fechados

 

A revista Wired, que pertence à Condé Nast,  um dos maiores grupos editoriais especializado em revistas de prestígio, lançou no passado dia um  de Junho uma nova forma de acesso a conteúdos fechados, reservados até aqui a assinantes.

Ao longo do último ano a Wired conseguiu aumentar o número de assinantes digitais em 100 mil, o que transformou a paywall da revista num êxito.

Agora a Wired decidiu trabalhar em conjunto com anunciantes na área do recrutamento de novos assinantes.

A primeira experiência aconteceu com a We Transfer. Normalmente os leitores não assinantes têm direito a quatro artigos por mês – agora podem ler um quinto artigo, com o patrocínio do sistema de partilha de ficheiros We Transfer.

Para a Wired esta campanha tem um duplo efeito: aumentar as receitas da publicidade e fomentar novos assinantes – a revista provou que os leitores que atingem repetidamente o limite de artigos acabam por se tornar assinantes e espera aumentar o número em mais 140 mil subscritores em 2019.

Quanto à We Transfer, esta é a sua primeira grande campanha publicitária e a escolha recaiu numa revista conhecida por ser uma espécie de bíblia da informação sobre o mundo digital.

Antes da Wired já o Washington Post tinha permitido que anunciantes patrocinassem o acesso a conteúdos pagos, um movimento que está a ser pensado até por canais de subscrição de video.

 

( Publicado originalmente no Executive Digest )

Connosco
A internet alterou o paradigma do jornalismo Ver galeria

Os jornalistas de todo o mundo enfrentam os mesmos problemas de forma semelhante.

A internet alterou o paradigma do jornalismo, fazendo com que saísse da esfera isolada, oferecendo o potencial para aumentar o seu público.

Apesar de a informação se disseminar à velocidade de um clique, o jornalismo continua a ser uma tribo. Todos os ataques e desafios enfrentados pelos jornalistas, têm aproximado os profissionais do sector.

A rápida disseminação da desinformação, alimentada pela tecnologia; o aumento do autoritarismo como resposta ao agravamento da desigualdade; e o crescente medo das mudanças demográficas em países ao redor do mundo, são alterações que trazem constantes desafios.

De todos os desafios, a proliferação da desinformação tem sido fulcral na transformação da realidade jornalística.

No pós-eleições americanas, os jornalistas viram-se obrigados a lidar com factos surpreendentes, entre os quais a circunstância de a Rússia tentar disseminar histórias enganosas, com o objectivo de influenciar as eleições e misturar a informação com as “fake news”.

A desinformação, actualmente, encontra-se espalhada pelo mundo e o jornalismo arrisca-se a ser arrastado para o caos.

O artigo de Kyle Pope aborda a temática no seu artigo publicado no site Columbia Journalism Review.

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento Ver galeria

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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