null, 21 de Julho, 2019
Opinião

O digital no futebol - ou como a tecnologia levou o Liverpool à vitória…

por Manuel Falcão

Recentemente o New York Times publicou um artigo onde revelava uma faceta pouco conhecida da preparação do Liverpoool, que foi o grande vencedor da Champions League este ano.

O mérito não é só do treinador, é também de um dos homens da equipa do clube, Ian Graham, doutorado em Física, e que esteve aliás na base da escolha de Jurgen Klopp para treinar a equipa.

Graham aplica modelos matemáticos e uma sistemática recolha e análise de dados para ajudar o Liverpool a tomar decisões – nas contratações, nas tácticas de jogo, na preparação das grandes competições.

Na realidade Ian Graham foi o “ovo de colombo” que revolucionou o clube – sem ter os recursos financeiros de equipas como o Real Madrid, o Manchester City ou o Barcelona, o Liverpool socorreu-se da ciência como alavanca para o seu desenvolvimento.

É uma nova atitude que está a despertar a curiosidade em todo o mundo e a revolucionar o desporto. Pela mão de Graham, um físico formado na Universidade de Cambridge, a “big data” saltou para o meio do relvado e o resultado é surpreendente.

O método desenvolvido por Graham permite estudar o comportamento de jogadores, analisar o seu potencial e ajudar a direcção do Liverpool a tomar decisões.

Não há contratações sem o parecer de Ian Graham, e foi ele aliás a peça decisiva na contratação do treinador, mas também de jogadores como Naby Keita, um guineense que se destacou no campeonato austríaco, onde a sua performance foi estudada pelo cientista do Liverpool.

A relação de Graham com o treinador é curiosa. Pouco depois de chegar ao Liverpool, Jurgen Klopp conheceu pessoalmente o director de pesquisa do clube, que foi quem tinha recomendado a contratação de Klopp.

Graham mostrou-lhe então uma série de dados do Borussia Dortmund, o anterior clube de Klopp. Jogo por jogo Graham mostrou um olhar alternativo sobre as estatísticas dos jogos – até de um desafio em que o Dortmund perdeu por dois a zero, apesar de ter dominado o jogo do princípio ao fim.

Graham não tinha assistido ao jogo, limitou-se a compilar e estudar dados do Borussia e os números analisados mostravam que o estilo de futebol de Klopp era adequado ao que o Liverpool queria implementar na equipa. Foi com esses dados que Graham convenceu os dirigentes do Liverpool a contratarem Klopp e Graham ficou o seu braço direito.

O físico especializou-se ao longo dos anos na análise de dados de jogadores e conta com uma base de dados de milhares de futebolistas de todo o mundo. Aqueles que mais se destacam são recomendados e alguns, como Keita, acabam contratados pela equipa.

Outro caso é o que envolve a contratação de Mohamed Sala que Graham achou que se complementava com o brasileiro Roberto Firmino. O entendimento entre os dois jogadores levou a que  Salah marcasse 32 golos no campeonato inglês.

A análise permite também definir a táctica de jogo. Graham provou que o lado direito do ataque do Liverpool fazia mais golos com cruzamento na área do que o lado esquerdo, levando Klopp a adequar  a forma de jogo, que transmitiu à equipa.

O técnico alemão tem o cuidado de não inundar o balneário com estatísticas, mas explica a conclusão a que chegou e as mudanças que acha adequadas. E tem dado resultado.

 

 O que é o “digital day”?

 

Uma iniciativa pouco conhecida da União Europeia é o Digital Day, que este ano decorreu em meados de Abril.

Trata-se de um evento que tem por objectivo conjugar esforços e recursos os estados membros da União Europeia para acelerar o desenvolvimento digital em áreas chave que possam permitir obter benefícios visíveis à economia e à sociedade e Portugal é um dos países aderentes.

Em anos anteriores o Digital Day lançou iniciativas de cooperação em áreas como a supercomputação, a condução automatizada, a indústria digital, Inteligência Artificial, aplicações à área da saúde e blockchain, uma tecnologia de segurança.

Este ano os destaques foram para a recomendação de guidelines éticas no sector da inteligência artificial, para a cooperação na digitalização do património histórico dos países da CE e para iniciativas de digitalização da agricultura e em áreas rurais e também promover maior participação das mulheres na digitalização da sociedade.

 

Uma nova forma de ter acesso a conteúdos fechados

 

A revista Wired, que pertence à Condé Nast,  um dos maiores grupos editoriais especializado em revistas de prestígio, lançou no passado dia um  de Junho uma nova forma de acesso a conteúdos fechados, reservados até aqui a assinantes.

Ao longo do último ano a Wired conseguiu aumentar o número de assinantes digitais em 100 mil, o que transformou a paywall da revista num êxito.

Agora a Wired decidiu trabalhar em conjunto com anunciantes na área do recrutamento de novos assinantes.

A primeira experiência aconteceu com a We Transfer. Normalmente os leitores não assinantes têm direito a quatro artigos por mês – agora podem ler um quinto artigo, com o patrocínio do sistema de partilha de ficheiros We Transfer.

Para a Wired esta campanha tem um duplo efeito: aumentar as receitas da publicidade e fomentar novos assinantes – a revista provou que os leitores que atingem repetidamente o limite de artigos acabam por se tornar assinantes e espera aumentar o número em mais 140 mil subscritores em 2019.

Quanto à We Transfer, esta é a sua primeira grande campanha publicitária e a escolha recaiu numa revista conhecida por ser uma espécie de bíblia da informação sobre o mundo digital.

Antes da Wired já o Washington Post tinha permitido que anunciantes patrocinassem o acesso a conteúdos pagos, um movimento que está a ser pensado até por canais de subscrição de video.

 

( Publicado originalmente no Executive Digest )

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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09:00 @ Lagos, Nigéria
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Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China