Quinta-feira, 14 de Novembro, 2019
Media

Aprovado novo Código Global de Ética para os Jornalistas

A referência à importância dos factos é explícita nos três primeiros artigos do Código Global de Ética para os Jornalistas, agora aprovado pela Federação Internacional de Jornalistas como actualização dos padrões de ética profissional já definidos na Declaração de Princípios de Conduta dos Jornalistas de 1954.

Assim, o seu primeiro ponto declara que “o primeiro dever do jornalista é o respeito pelos factos e pelo direito do público à verdade”. O segundo afirma que deve “distinguir claramente a informação factual do comentário e da crítica”, e o terceiro que deve relatar “apenas de acordo com factos de que conhece a origem”.

O texto foi aprovado durante o 30º Congresso da FJI, a 12 de Junho, em Tunes. O seu secretário-geral, Anthony Bellanger, congratula-se pela adopção do novo documento, referindo que, partindo embora dos mesmos deveres rconhecidos em 1954, “inclui também direitos, num mundo em que a profissão está a ser agredida”.

O quarto ponto do texto declara que o jornalista “utilizará unicamente métodos correctos para obter informação, imagens, documentos e dados, revelando sempre o seu estatuto de jornalista e abstendo-se de usar gravação oculta de imagens ou som, excepto quando lhe for impossível recolher informação que seja imperativamente de interesse público”.  (...) 

O quinto ponto sublinha que as noções de “urgência ou imediatez na divulgação de informação não devem tomar precedência sobre a verificação dos factos, fontes e/ou a oferta de resposta”.  (...) 

No décimo ponto definem-se como actos de “grave má conduta profissional” o plágio, a distorção dos factos e a calúnia, difamação ou acusações infundadas. 

O décimo primeiro declara que o jornalista “deve abster-se de actuar como auxiliar da polícia ou de outros derviços de segurança”, só devendo facultar “informação que já tenha sido publicada num órgão de comunicação”.

 

Mais informação no site da Federação Internacional de Jornalistas e no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, que contém os links para três versões oficiais já divulgadas, em espanhol, francês e inglês.

Connosco
A internet alterou o paradigma do jornalismo Ver galeria

Os jornalistas de todo o mundo enfrentam os mesmos problemas de forma semelhante.

A internet alterou o paradigma do jornalismo, fazendo com que saísse da esfera isolada, oferecendo o potencial para aumentar o seu público.

Apesar de a informação se disseminar à velocidade de um clique, o jornalismo continua a ser uma tribo. Todos os ataques e desafios enfrentados pelos jornalistas, têm aproximado os profissionais do sector.

A rápida disseminação da desinformação, alimentada pela tecnologia; o aumento do autoritarismo como resposta ao agravamento da desigualdade; e o crescente medo das mudanças demográficas em países ao redor do mundo, são alterações que trazem constantes desafios.

De todos os desafios, a proliferação da desinformação tem sido fulcral na transformação da realidade jornalística.

No pós-eleições americanas, os jornalistas viram-se obrigados a lidar com factos surpreendentes, entre os quais a circunstância de a Rússia tentar disseminar histórias enganosas, com o objectivo de influenciar as eleições e misturar a informação com as “fake news”.

A desinformação, actualmente, encontra-se espalhada pelo mundo e o jornalismo arrisca-se a ser arrastado para o caos.

O artigo de Kyle Pope aborda a temática no seu artigo publicado no site Columbia Journalism Review.

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento Ver galeria

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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