null, 21 de Julho, 2019
Media

Jornais espanhóis perdem audiência...

No período decorrido entre 2008 e 2019, a audiência conjunta dos diários de expansão nacional, em Espanha, caíu 49%, tendo passado dos 4,679 milhões de leitores para os 2,408 milhões. Durante o mesmo período, os principais diários das comunidades autónomas, embora caindo, fizeram-no em menor medida, dos 4,498 milhões de leitores para os 3,273 milhões  - o que significa uma perda de menos 27%.

Outro ponto digno de nota é o de que, no começo da crise, a soma de leitores dos quatro grandes diários de expansão nacional (El País, El Mundo, ABC e La Razón) era superior, em 181 mil, à de todos os dezasseis diários locais avaliados  - mas, em 2009, já estes superavam, em audiência, os nacionais; e um deles, o Ideal, de Granada, teve em 2019 mais leitores do que dez anos antes.

Os dados são do EGM – Estudio General de Medios, que aqui citamos da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.  

A agência DigiMedios, a que pertence este estudo, cita também o Eurobarómetro especial realizado pela União Europeia algumas semanas antes das últimas eleições para o Parlamento Europeu, segundo o qual 70% dos cidadãos espanhóis declaravam ter recebido informação política por meio da televisão. 

A muito curta distância vêm os 67% que tinham consultado, nesse período de campanha, algum meio digital, e em terceiro lugar os que o tinham feito nas redes sociais e nos jornais e revistas, com 63% em cada uma destas áreas de consulta. 

Note-se que os utentes que frequentaram mais os media digitais e as redes sociais já superam os que utilizaram a televisão, o que sugere uma tendência nesse sentido. O texto que citamos considera surpreendente a menor importância da rádio para este efeito. 

“Os dados do Eurobarómetro poderiam indicar uma mudança de tendência na agenda de informação política dos espanhóis, como consequência do elevado grau de penetração da Internet. Tradicionalmente era reconhecido o papel preponderante da televisão.” 

Embora os mercados televisivos da Europa continuem dominados por empresas nacionais, portanto europeias, “as suas quotas de audiência estão a retroceder ligeiramente, verificando-se uma penetração constante dos grupos dos Estados Unidos, segundo um estudo do Observatório Audiovisual Europeu (EAO, na sigla em inglês)  - The Internationalisation of TV audiences in Europe”. 

“Outra característica dos mercados televisivos europeus é a sua elevada concentração, mais marcada em países com maiores mercados (Itália, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha). Outro dado que aponta na mesma direcção é que, em 2017, dois terços dos canais que operavam na Europa tinham quotas de audiência de 1% ou ainda mais baixas.”

 

Mais informação na APM  e na DigiMedios.   

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Um relatório recente sobre os princípios de actuação mais frequentes dos maiores publishers digitais dá algumas indicações que vale a pena ter em conta. O estudo “Digital Publishers Report”, divulgado pelo site Digiday, analisa as práticas de uma centena de editores e destaca alguns factores que, na sua opinião, permitem obter os melhores resultados. O estudo estima que as receitas provenientes de conteúdo digital...
E lá se foi mais um daqueles Artistas geniais que tornam a existência humana mais suportável… Guillermo Mordillo era um daqueles raríssimos autores que não precisam de palavras para nos revelarem os aspectos mais evidentes, e também os mais escondidos, das nossas vidas – os alegres, os menos alegres, os cómicos, os ridículos, até os trágicos -- com um traço redondo, que dava aos seus bonecos uma vivacidade...
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China