Quinta-feira, 14 de Novembro, 2019
Media

Jornais espanhóis perdem audiência...

No período decorrido entre 2008 e 2019, a audiência conjunta dos diários de expansão nacional, em Espanha, caíu 49%, tendo passado dos 4,679 milhões de leitores para os 2,408 milhões. Durante o mesmo período, os principais diários das comunidades autónomas, embora caindo, fizeram-no em menor medida, dos 4,498 milhões de leitores para os 3,273 milhões  - o que significa uma perda de menos 27%.

Outro ponto digno de nota é o de que, no começo da crise, a soma de leitores dos quatro grandes diários de expansão nacional (El País, El Mundo, ABC e La Razón) era superior, em 181 mil, à de todos os dezasseis diários locais avaliados  - mas, em 2009, já estes superavam, em audiência, os nacionais; e um deles, o Ideal, de Granada, teve em 2019 mais leitores do que dez anos antes.

Os dados são do EGM – Estudio General de Medios, que aqui citamos da APM – Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.  

A agência DigiMedios, a que pertence este estudo, cita também o Eurobarómetro especial realizado pela União Europeia algumas semanas antes das últimas eleições para o Parlamento Europeu, segundo o qual 70% dos cidadãos espanhóis declaravam ter recebido informação política por meio da televisão. 

A muito curta distância vêm os 67% que tinham consultado, nesse período de campanha, algum meio digital, e em terceiro lugar os que o tinham feito nas redes sociais e nos jornais e revistas, com 63% em cada uma destas áreas de consulta. 

Note-se que os utentes que frequentaram mais os media digitais e as redes sociais já superam os que utilizaram a televisão, o que sugere uma tendência nesse sentido. O texto que citamos considera surpreendente a menor importância da rádio para este efeito. 

“Os dados do Eurobarómetro poderiam indicar uma mudança de tendência na agenda de informação política dos espanhóis, como consequência do elevado grau de penetração da Internet. Tradicionalmente era reconhecido o papel preponderante da televisão.” 

Embora os mercados televisivos da Europa continuem dominados por empresas nacionais, portanto europeias, “as suas quotas de audiência estão a retroceder ligeiramente, verificando-se uma penetração constante dos grupos dos Estados Unidos, segundo um estudo do Observatório Audiovisual Europeu (EAO, na sigla em inglês)  - The Internationalisation of TV audiences in Europe”. 

“Outra característica dos mercados televisivos europeus é a sua elevada concentração, mais marcada em países com maiores mercados (Itália, Rússia, França, Reino Unido e Alemanha). Outro dado que aponta na mesma direcção é que, em 2017, dois terços dos canais que operavam na Europa tinham quotas de audiência de 1% ou ainda mais baixas.”

 

Mais informação na APM  e na DigiMedios.   

Connosco
A internet alterou o paradigma do jornalismo Ver galeria

Os jornalistas de todo o mundo enfrentam os mesmos problemas de forma semelhante.

A internet alterou o paradigma do jornalismo, fazendo com que saísse da esfera isolada, oferecendo o potencial para aumentar o seu público.

Apesar de a informação se disseminar à velocidade de um clique, o jornalismo continua a ser uma tribo. Todos os ataques e desafios enfrentados pelos jornalistas, têm aproximado os profissionais do sector.

A rápida disseminação da desinformação, alimentada pela tecnologia; o aumento do autoritarismo como resposta ao agravamento da desigualdade; e o crescente medo das mudanças demográficas em países ao redor do mundo, são alterações que trazem constantes desafios.

De todos os desafios, a proliferação da desinformação tem sido fulcral na transformação da realidade jornalística.

No pós-eleições americanas, os jornalistas viram-se obrigados a lidar com factos surpreendentes, entre os quais a circunstância de a Rússia tentar disseminar histórias enganosas, com o objectivo de influenciar as eleições e misturar a informação com as “fake news”.

A desinformação, actualmente, encontra-se espalhada pelo mundo e o jornalismo arrisca-se a ser arrastado para o caos.

O artigo de Kyle Pope aborda a temática no seu artigo publicado no site Columbia Journalism Review.

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento Ver galeria

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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