null, 21 de Julho, 2019
Estudo

Maior risco para o jornalismo é perda de credibilidade

Interrogados sobre qual é o maior risco do jornalismo a curto prazo, os jornalistas portugueses declaram, em primeiro lugar (com 30,7% das respostas), que é a sua “descredibilização aos olhos do público e das audiências”. Vêm a seguir, com a mesma percentagem (22,8%), o de desaparecer, “tornar-se irrelevante ou perder influência”, e o do “facilitismo e falta de investigação”.

A “precariedade dos jornalistas e das redacções” é o maior risco para 20,8%, e a “dependência ou subserviência a interesses económicos ou políticos” aparece em primeiro lugar em 16,8% das respostas.  Estes dados são do relatório “O que devem saber os Jornalistas? Práticas e Formação em Portugal”, realizado pelo OberCom – Observatório da Comunicação e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), com o apoio do Sindicato dos Jornalistas e do CENJOR, agora divulgado.

A maioria dos jornalistas centra-se na faixa entre os 46 e os 55 anos (com 29,8%), seguida pela faixa entre os 36 e os 45 (com 25,1%). Na faixa entre os 26 e os 35 há 17,9% de inquiridos e, na que têm mais de 56 anos, há 16,6%. O inquérito, enviado e preenchido por via digital, foi respondido por 236 inquiridos.

No que diz respeito à formação, e respondendo à pergunta sobre que apostas consideram que deveriam ser feitas para o futuro, 28,8% falam de “melhorar a componente prática”, 27% de melhorar a que respeita “ao uso de tecnologias e à multimédia”, e 26,1% ao “reforço de competências éticas e deontológicas”. 

Nas considerações finais deste trabalho verifica-se que “muitos dos jornalistas têm sentido necessidade de obter formação complementar, sendo que, nos últimos cinco anos, mais de metade dos inquiridos obteve algum tipo de formação, a maioria destes por iniciativa própria e sem qualquer tipo de apoio por parte da empresa em que trabalha”. 

Sobre os modelos de ensino e futuras melhorias que poderiam ser feitas, surgiram algumas conclusões interessantes: 

“Em termos do futuro do ensino, parece essencial que as instituições procurem oferecer aos alunos uma componente mais prática, nomeadamente com a existência de estágios mais regulares em empresas, mas também com, por exemplo, visitas recorrentes a redacções de meios de comunicação, de modo a incutir nos alunos noções mais próximas da realidade jornalística.”  (...) 

“Seria também interessante para o ensino do jornalismo que se apostasse numa maior interdisciplinaridade, oferecendo aos alunos não apenas formação mais específica  - que, de qualquer modo, se revela naturalmente importante -  mas também formação ou noções fortes em áreas como História, Sociologia ou Economia, proporcionando aos alunos um conhecimento mais geral sobre as questões da sociedade e dos homens.” 

“A isto alia-se a necessidade que os jornalistas sentem em que sejam incluídos e reforçados nos alunos aspectos de índole ética e deontológica, que ofereceriam estrutura à sua actividade como profissionais. Isto porque, do que foi retirado da análise às respostas dos jornalistas, por vezes o que parece faltar aos jovens jornalistas são noções mais básicas não apenas sobre a realidade das redacções, mas também sobre a realidade que os rodeia enquanto cidadãos, e não tanto questões técnicas ou específicas.” 

“Uma visão mais ampla do que é o jornalismo, vendo este não como uma actividade fechada, mas principalmente como uma actividade que se interrelaciona com diversas outras áreas, poderia beneficiar e oferecer competências de base aos jovens que iniciam a prática jornalística.” 

Sobre o grau de escolaridade verificado por este estudo, 37,7% dos inquiridos referem ter uma licenciatura de quatro a cinco anos, com menos (20,8%) a deterem um bacharelato ou uma licenciatura de três anos;  já 15,7% dizem ter mestrado, 15,3% referem ter apenas o ensino secundário e 4,2% são doutorados. 

Mais informação no OberCom, que inclui o link para o texto ingral deste relatório, em pdf.

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
04
Set
Infocomm China
09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China