Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Estudo

Maior risco para o jornalismo é perda de credibilidade

Interrogados sobre qual é o maior risco do jornalismo a curto prazo, os jornalistas portugueses declaram, em primeiro lugar (com 30,7% das respostas), que é a sua “descredibilização aos olhos do público e das audiências”. Vêm a seguir, com a mesma percentagem (22,8%), o de desaparecer, “tornar-se irrelevante ou perder influência”, e o do “facilitismo e falta de investigação”.

A “precariedade dos jornalistas e das redacções” é o maior risco para 20,8%, e a “dependência ou subserviência a interesses económicos ou políticos” aparece em primeiro lugar em 16,8% das respostas.  Estes dados são do relatório “O que devem saber os Jornalistas? Práticas e Formação em Portugal”, realizado pelo OberCom – Observatório da Comunicação e o Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), com o apoio do Sindicato dos Jornalistas e do CENJOR, agora divulgado.

A maioria dos jornalistas centra-se na faixa entre os 46 e os 55 anos (com 29,8%), seguida pela faixa entre os 36 e os 45 (com 25,1%). Na faixa entre os 26 e os 35 há 17,9% de inquiridos e, na que têm mais de 56 anos, há 16,6%. O inquérito, enviado e preenchido por via digital, foi respondido por 236 inquiridos.

No que diz respeito à formação, e respondendo à pergunta sobre que apostas consideram que deveriam ser feitas para o futuro, 28,8% falam de “melhorar a componente prática”, 27% de melhorar a que respeita “ao uso de tecnologias e à multimédia”, e 26,1% ao “reforço de competências éticas e deontológicas”. 

Nas considerações finais deste trabalho verifica-se que “muitos dos jornalistas têm sentido necessidade de obter formação complementar, sendo que, nos últimos cinco anos, mais de metade dos inquiridos obteve algum tipo de formação, a maioria destes por iniciativa própria e sem qualquer tipo de apoio por parte da empresa em que trabalha”. 

Sobre os modelos de ensino e futuras melhorias que poderiam ser feitas, surgiram algumas conclusões interessantes: 

“Em termos do futuro do ensino, parece essencial que as instituições procurem oferecer aos alunos uma componente mais prática, nomeadamente com a existência de estágios mais regulares em empresas, mas também com, por exemplo, visitas recorrentes a redacções de meios de comunicação, de modo a incutir nos alunos noções mais próximas da realidade jornalística.”  (...) 

“Seria também interessante para o ensino do jornalismo que se apostasse numa maior interdisciplinaridade, oferecendo aos alunos não apenas formação mais específica  - que, de qualquer modo, se revela naturalmente importante -  mas também formação ou noções fortes em áreas como História, Sociologia ou Economia, proporcionando aos alunos um conhecimento mais geral sobre as questões da sociedade e dos homens.” 

“A isto alia-se a necessidade que os jornalistas sentem em que sejam incluídos e reforçados nos alunos aspectos de índole ética e deontológica, que ofereceriam estrutura à sua actividade como profissionais. Isto porque, do que foi retirado da análise às respostas dos jornalistas, por vezes o que parece faltar aos jovens jornalistas são noções mais básicas não apenas sobre a realidade das redacções, mas também sobre a realidade que os rodeia enquanto cidadãos, e não tanto questões técnicas ou específicas.” 

“Uma visão mais ampla do que é o jornalismo, vendo este não como uma actividade fechada, mas principalmente como uma actividade que se interrelaciona com diversas outras áreas, poderia beneficiar e oferecer competências de base aos jovens que iniciam a prática jornalística.” 

Sobre o grau de escolaridade verificado por este estudo, 37,7% dos inquiridos referem ter uma licenciatura de quatro a cinco anos, com menos (20,8%) a deterem um bacharelato ou uma licenciatura de três anos;  já 15,7% dizem ter mestrado, 15,3% referem ter apenas o ensino secundário e 4,2% são doutorados. 

Mais informação no OberCom, que inclui o link para o texto ingral deste relatório, em pdf.

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...