Sábado, 30 de Maio, 2020
Opinião

Políticos e comentadores interessados…

por Dinis de Abreu

Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento.

O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem as almas  com as suas doutas opiniões, enquanto seguem escrupulosamente uma agenda própria ou ditada pelos partidos ou capelas a que pertencem.

Todos, sem excepção, “batem com a mão no peito”,  jurando pela sua independência e rigor de análise,  mesmo quando são iniludíveis os sinais dos interesses que perseguem.

São mal conhecidas as “mais-valias” que as televisões obtém, no “carrossel” das  audiências, com estes contratados de “luxo”, pagos com elevados “cachets”,  que superam, por vezes, os rendimentos auferidos noutras actividades.

O certo, porém, é que o seu número tem vindo sempre a aumentar, constituindo uma singularidade mediática, quer em termos europeus,  quer em relação a outras regiões do Globo.

Um programa decano nesta arte foi a “Quadratura do Círculo”, que mudou de estação, sendo rebpatizado “Circulatura do Quadrado”, um título absurdo pare nele caberem os mesmos protagonistas.

Mas o politico pioneiro e grande percursor deste movimento,  que domina as antenas do audiovisual, foi, sem dúvida, o actual Presidente da República, que fez escola e acabou a ser  seguido por numerosos “discípulos”.   

Se as contas da revista “Sábado”, citada pela Agência Lusa, estiverem certas, contabilizaram-se, em 2018,  mais de 70 políticos e ex-políticos  como comentadores nas televisões, rádios e jornais,  que receberam, no conjunto,  acima de 1,2 milhões de euros . É obra!...

Num estudo mais alargado,  o “Expresso” , sem pôr em causa estas contas, foi ainda mais longe e concluiu que, até Março,  havia registo de 95 políticos  “com tempo de emissão ou espaço de escrita garantidos”. Um fenómeno.

O certo é que esta originalidade está para ficar, enquanto os jornalistas têm sido progressivamente substituídos na  função de comentadores, facto que a presidente do respectivo Sindicato classificou a como algo equivalente a  ” dar o ouro ao bandido”.

À medida que se aproxima nova consulta eleitoral, desta vez para as Legislativas, é fácil antever a intensificação deste “modus operandi”, a pretexto  do esclarecimento do espaço público.

Um comentador politico residente goza, assim, do melhor de dois mundos: defende as cores do “clube”, à esquerda ou à direita, e ainda é bem pago…

Sinal dos tempos, em que se “governa” cada vez mais pelas televisões e um candidato a político precisa de ser, primeiro,  bom comunicador. E actor. A causa pública vem depois, como adorno para disfarçar o óbvio.

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


ver mais >
Opinião
Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas