Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Opinião

Políticos e comentadores interessados…

por Dinis de Abreu

Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento.

O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem as almas  com as suas doutas opiniões, enquanto seguem escrupulosamente uma agenda própria ou ditada pelos partidos ou capelas a que pertencem.

Todos, sem excepção, “batem com a mão no peito”,  jurando pela sua independência e rigor de análise,  mesmo quando são iniludíveis os sinais dos interesses que perseguem.

São mal conhecidas as “mais-valias” que as televisões obtém, no “carrossel” das  audiências, com estes contratados de “luxo”, pagos com elevados “cachets”,  que superam, por vezes, os rendimentos auferidos noutras actividades.

O certo, porém, é que o seu número tem vindo sempre a aumentar, constituindo uma singularidade mediática, quer em termos europeus,  quer em relação a outras regiões do Globo.

Um programa decano nesta arte foi a “Quadratura do Círculo”, que mudou de estação, sendo rebpatizado “Circulatura do Quadrado”, um título absurdo pare nele caberem os mesmos protagonistas.

Mas o politico pioneiro e grande percursor deste movimento,  que domina as antenas do audiovisual, foi, sem dúvida, o actual Presidente da República, que fez escola e acabou a ser  seguido por numerosos “discípulos”.   

Se as contas da revista “Sábado”, citada pela Agência Lusa, estiverem certas, contabilizaram-se, em 2018,  mais de 70 políticos e ex-políticos  como comentadores nas televisões, rádios e jornais,  que receberam, no conjunto,  acima de 1,2 milhões de euros . É obra!...

Num estudo mais alargado,  o “Expresso” , sem pôr em causa estas contas, foi ainda mais longe e concluiu que, até Março,  havia registo de 95 políticos  “com tempo de emissão ou espaço de escrita garantidos”. Um fenómeno.

O certo é que esta originalidade está para ficar, enquanto os jornalistas têm sido progressivamente substituídos na  função de comentadores, facto que a presidente do respectivo Sindicato classificou a como algo equivalente a  ” dar o ouro ao bandido”.

À medida que se aproxima nova consulta eleitoral, desta vez para as Legislativas, é fácil antever a intensificação deste “modus operandi”, a pretexto  do esclarecimento do espaço público.

Um comentador politico residente goza, assim, do melhor de dois mundos: defende as cores do “clube”, à esquerda ou à direita, e ainda é bem pago…

Sinal dos tempos, em que se “governa” cada vez mais pelas televisões e um candidato a político precisa de ser, primeiro,  bom comunicador. E actor. A causa pública vem depois, como adorno para disfarçar o óbvio.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
Agenda
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul
24
Set
Radio Show
09:00 @ Hilton Anatole, Dallas, EUA
07
Out