null, 21 de Julho, 2019
Opinião

Políticos e comentadores interessados…

por Dinis de Abreu

Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento.

O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem as almas  com as suas doutas opiniões, enquanto seguem escrupulosamente uma agenda própria ou ditada pelos partidos ou capelas a que pertencem.

Todos, sem excepção, “batem com a mão no peito”,  jurando pela sua independência e rigor de análise,  mesmo quando são iniludíveis os sinais dos interesses que perseguem.

São mal conhecidas as “mais-valias” que as televisões obtém, no “carrossel” das  audiências, com estes contratados de “luxo”, pagos com elevados “cachets”,  que superam, por vezes, os rendimentos auferidos noutras actividades.

O certo, porém, é que o seu número tem vindo sempre a aumentar, constituindo uma singularidade mediática, quer em termos europeus,  quer em relação a outras regiões do Globo.

Um programa decano nesta arte foi a “Quadratura do Círculo”, que mudou de estação, sendo rebpatizado “Circulatura do Quadrado”, um título absurdo pare nele caberem os mesmos protagonistas.

Mas o politico pioneiro e grande percursor deste movimento,  que domina as antenas do audiovisual, foi, sem dúvida, o actual Presidente da República, que fez escola e acabou a ser  seguido por numerosos “discípulos”.   

Se as contas da revista “Sábado”, citada pela Agência Lusa, estiverem certas, contabilizaram-se, em 2018,  mais de 70 políticos e ex-políticos  como comentadores nas televisões, rádios e jornais,  que receberam, no conjunto,  acima de 1,2 milhões de euros . É obra!...

Num estudo mais alargado,  o “Expresso” , sem pôr em causa estas contas, foi ainda mais longe e concluiu que, até Março,  havia registo de 95 políticos  “com tempo de emissão ou espaço de escrita garantidos”. Um fenómeno.

O certo é que esta originalidade está para ficar, enquanto os jornalistas têm sido progressivamente substituídos na  função de comentadores, facto que a presidente do respectivo Sindicato classificou a como algo equivalente a  ” dar o ouro ao bandido”.

À medida que se aproxima nova consulta eleitoral, desta vez para as Legislativas, é fácil antever a intensificação deste “modus operandi”, a pretexto  do esclarecimento do espaço público.

Um comentador politico residente goza, assim, do melhor de dois mundos: defende as cores do “clube”, à esquerda ou à direita, e ainda é bem pago…

Sinal dos tempos, em que se “governa” cada vez mais pelas televisões e um candidato a político precisa de ser, primeiro,  bom comunicador. E actor. A causa pública vem depois, como adorno para disfarçar o óbvio.

Connosco
A formação académica do jornalismo profisional em debate Ver galeria

A FAPE – Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que reune mais de 19 mil associados, declarou em Junho de 2019 que vai deixar de admitir nesta qualidade jornalistas que não estejam habilitados com um título académico de jornalismo, mesmo que estejam exercendo a profissão. O seu presidente, Nemesio Rodriguez, disse a eldiario.es  que o objectivo era “valorizar o título de jornalista e resolver o problema da intrusão”.

Uma consequência inesperada, entre várias críticas chegadas, foi a desvinculação, da sua pertença à FAPE, decidida pela AECC – Asociación Española de Comunicación Científica, cujos profissionais, especializados na comunicação científica, detêm maioritariamente outras licenciaturas. O seu presidente, Antonio Calvo, declarou que não fazia sentido “continuar a pertencer a uma associação onde não podem entrar metade dos nossos sócios”.

Este episódio reacendeu um debate que se alarga à própria vocação das associações de jornalistas. Sobre ambas as questões, e outras relacionadas, a  Red Ética da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano  organizou um tweet-debate marcado para 18 de Julho, de cujas conclusões daremos conta quando forem publicadas.

Apelo de investigadores contra "fake news" em divulgação científica Ver galeria

Será que a ciência é “distorcida” pelos media, por incapacidade de fazerem uma divulgação rigorosa, ou por qualquer outro motivo?
É para responder a este problema que o colectivo denominado NoFakeScience, composto por duas dezenas de cientistas e especialistas na divulgação de ciência, redigiu e publica no diário francês L’Opinion um texto que apela a um “trabalho de mãos dadas” entre jornalistas e cientistas. Juntaram-se a eles outros 230 grandes nomes da investigação, de todo o mundo, perfazendo assim um total de 250 signatários deste apelo.

“Nesta hora em que a desconfiança nos media e nas instituições chega ao extremo, apelamos a um questionamento profundo de toda a cadeia de informação, para que os temas de natureza científica possam ser restituídos a todos sem deformação sensacionalista nem ideológica, e para que a confiança possa ser, a longo prazo, restaurada entre os cientistas, os meios de comunicação e os cidadãos”  -  afirma o primeiro parágrafo do texto.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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09:00 @ Lagos, Nigéria
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09:00 @ Chengdu, Sichuan Province, China