Sábado, 6 de Junho, 2020
Opinião

The Times e a luta por assinantes digitais

por Manuel Falcão

Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo.

A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores frequentes de edições digitais proporcionaram melhores indicadores em termos de alcance e interacção com a publicidade online, o que constitui uma ajuda preciosa na angariação de anunciantes e na criação de valor para a publicidade.

Através do recurso a técnicas avançadas de machine learning os editores destes dois jornais britânicos procuram compreender os desejos e as necessidades dos seus leitores, oferecendo-lhes conteúdos adequados para que eles permençam como assinantes.

Segundo o site Digiday, a News UK, a empresa detentora destes dois títulos, desenvolveu um algoritmo, que é conhecido internamente com o nome James, que automaticamente selecciona para os assinantes os conteúdos mais relevantes para cada um, com critérios baseados nos seus hábitos de leitura, e isto ao longo dos períodos do dia em que visitam os sites respectivos, variando a tipologia dos artigos com a hora a que são sugeridos.

Este algoritmo permite também adequar as newsletters que os assinantes subscreveram de acordo com as suas preferências. Um ano após ter sido introduzido James conseguiu que menos 49% dos assinantes cancelassem as suas assinaturas.

A maior dificulade das empresas de media hoje em dia, afirma o responsável pelas relações com os leitores, Mike Migliore, é conseguir estabelecer relações com alguém que não se conhece, com quem nunca se falou, ganhando a sua confiança e conseguindo obter resultados em quantidade e em qualidade.

Na realidade os dois títulos têm novos assinantes todos os dias e manter a ligação com eles é fundamentalç para o siucersso comercial da acção – e o James tem sido absolutamente crucial em relação a isso, diz o mesmo responsável à Digiday.

Enquanto um leitor prefere estar a ler artigos mais longos durante duas horas algumas vezes por semana e outro pode ligar-se várias vezes por dia, em períodos de cinco minutos cada e sem o recurso a Inteligência Artificial não é possível ter um conhecimento aprofundado do universo e dos hábitos, sublinha Migliore.

Segundo a News UK os assinantes digitais dos seus títulos geram mil milhões de dados diariamente e o algoritmo inteligente analisa esta informação para conseguir disponibilizar o conteúdo certo no momento certo do dia aos assinantes.

No seu processo evolutivo o James foi alimentado por uma amostragem de 117 mil assinantes e leitores, representativa em termos de segmentações demográficas.

Durante algum tempo James enviou emails diários a esta amostragem, para conhecer melhor os seus hábitos e foi assim que conseguiu aperfeiçoar a selecção de propostas de leitura que oferece.

Durante o ano de testes 70% das pessoas interagiam com os emails enviados e apenas 15% os rejeitavam – e a maior parte destes eram já leitores fiéis com os seus hábitos estabelecidos e que não queriam alterações.

 

 ( Texto publicado originalmente no suplemento “Dinheiro  Vivo” do DN )

 

 

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
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Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
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Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
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15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas