Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Opinião

The Times e a luta por assinantes digitais

por Manuel Falcão

Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo.

A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores frequentes de edições digitais proporcionaram melhores indicadores em termos de alcance e interacção com a publicidade online, o que constitui uma ajuda preciosa na angariação de anunciantes e na criação de valor para a publicidade.

Através do recurso a técnicas avançadas de machine learning os editores destes dois jornais britânicos procuram compreender os desejos e as necessidades dos seus leitores, oferecendo-lhes conteúdos adequados para que eles permençam como assinantes.

Segundo o site Digiday, a News UK, a empresa detentora destes dois títulos, desenvolveu um algoritmo, que é conhecido internamente com o nome James, que automaticamente selecciona para os assinantes os conteúdos mais relevantes para cada um, com critérios baseados nos seus hábitos de leitura, e isto ao longo dos períodos do dia em que visitam os sites respectivos, variando a tipologia dos artigos com a hora a que são sugeridos.

Este algoritmo permite também adequar as newsletters que os assinantes subscreveram de acordo com as suas preferências. Um ano após ter sido introduzido James conseguiu que menos 49% dos assinantes cancelassem as suas assinaturas.

A maior dificulade das empresas de media hoje em dia, afirma o responsável pelas relações com os leitores, Mike Migliore, é conseguir estabelecer relações com alguém que não se conhece, com quem nunca se falou, ganhando a sua confiança e conseguindo obter resultados em quantidade e em qualidade.

Na realidade os dois títulos têm novos assinantes todos os dias e manter a ligação com eles é fundamentalç para o siucersso comercial da acção – e o James tem sido absolutamente crucial em relação a isso, diz o mesmo responsável à Digiday.

Enquanto um leitor prefere estar a ler artigos mais longos durante duas horas algumas vezes por semana e outro pode ligar-se várias vezes por dia, em períodos de cinco minutos cada e sem o recurso a Inteligência Artificial não é possível ter um conhecimento aprofundado do universo e dos hábitos, sublinha Migliore.

Segundo a News UK os assinantes digitais dos seus títulos geram mil milhões de dados diariamente e o algoritmo inteligente analisa esta informação para conseguir disponibilizar o conteúdo certo no momento certo do dia aos assinantes.

No seu processo evolutivo o James foi alimentado por uma amostragem de 117 mil assinantes e leitores, representativa em termos de segmentações demográficas.

Durante algum tempo James enviou emails diários a esta amostragem, para conhecer melhor os seus hábitos e foi assim que conseguiu aperfeiçoar a selecção de propostas de leitura que oferece.

Durante o ano de testes 70% das pessoas interagiam com os emails enviados e apenas 15% os rejeitavam – e a maior parte destes eram já leitores fiéis com os seus hábitos estabelecidos e que não queriam alterações.

 

 ( Texto publicado originalmente no suplemento “Dinheiro  Vivo” do DN )

 

 

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Agenda
21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá
22
Jun
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
25
Jun
Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido