Sábado, 17 de Agosto, 2019
Opinião

The Times e a luta por assinantes digitais

por Manuel Falcão

Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo.

A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores frequentes de edições digitais proporcionaram melhores indicadores em termos de alcance e interacção com a publicidade online, o que constitui uma ajuda preciosa na angariação de anunciantes e na criação de valor para a publicidade.

Através do recurso a técnicas avançadas de machine learning os editores destes dois jornais britânicos procuram compreender os desejos e as necessidades dos seus leitores, oferecendo-lhes conteúdos adequados para que eles permençam como assinantes.

Segundo o site Digiday, a News UK, a empresa detentora destes dois títulos, desenvolveu um algoritmo, que é conhecido internamente com o nome James, que automaticamente selecciona para os assinantes os conteúdos mais relevantes para cada um, com critérios baseados nos seus hábitos de leitura, e isto ao longo dos períodos do dia em que visitam os sites respectivos, variando a tipologia dos artigos com a hora a que são sugeridos.

Este algoritmo permite também adequar as newsletters que os assinantes subscreveram de acordo com as suas preferências. Um ano após ter sido introduzido James conseguiu que menos 49% dos assinantes cancelassem as suas assinaturas.

A maior dificulade das empresas de media hoje em dia, afirma o responsável pelas relações com os leitores, Mike Migliore, é conseguir estabelecer relações com alguém que não se conhece, com quem nunca se falou, ganhando a sua confiança e conseguindo obter resultados em quantidade e em qualidade.

Na realidade os dois títulos têm novos assinantes todos os dias e manter a ligação com eles é fundamentalç para o siucersso comercial da acção – e o James tem sido absolutamente crucial em relação a isso, diz o mesmo responsável à Digiday.

Enquanto um leitor prefere estar a ler artigos mais longos durante duas horas algumas vezes por semana e outro pode ligar-se várias vezes por dia, em períodos de cinco minutos cada e sem o recurso a Inteligência Artificial não é possível ter um conhecimento aprofundado do universo e dos hábitos, sublinha Migliore.

Segundo a News UK os assinantes digitais dos seus títulos geram mil milhões de dados diariamente e o algoritmo inteligente analisa esta informação para conseguir disponibilizar o conteúdo certo no momento certo do dia aos assinantes.

No seu processo evolutivo o James foi alimentado por uma amostragem de 117 mil assinantes e leitores, representativa em termos de segmentações demográficas.

Durante algum tempo James enviou emails diários a esta amostragem, para conhecer melhor os seus hábitos e foi assim que conseguiu aperfeiçoar a selecção de propostas de leitura que oferece.

Durante o ano de testes 70% das pessoas interagiam com os emails enviados e apenas 15% os rejeitavam – e a maior parte destes eram já leitores fiéis com os seus hábitos estabelecidos e que não queriam alterações.

 

 ( Texto publicado originalmente no suplemento “Dinheiro  Vivo” do DN )

 

 

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

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Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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