Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Editores americanos querem partilhar receitas de Google e Facebook

Várias entidades representativas das empresas dos media foram recebidas pela comissão das leis anti-trust do Congresso dos Estados Unidos, em nova fase da sua reivindicação por uma partilha mais justa das receitas acumuladas pelas grandes plataformas tecnológicas. O objectivo é, neste momento, o de conseguirem uma excepção às regras do direito de concorrência, que lhes permita negociarem colectivamente, perante a Google e o Facebook, sobre essa partilha, a visibilidade dos seus conteúdos e o controlo dos dados de audiência.

O precedente decorre, em parte, da adopção, a 26 de Março, da nova Directiva Europeia sobre Direitos de Autor. “O poder de nogociação das empresas tecnológicas é de tal grandeza que os editores não se encontram em condições de obter acordos justos”  - afirmou, na CNN, Sally Hubbard, do grupo de reflexão anti-trust  Open Markets Institute.

As condições para este passo são agora mais favoráveis porque o senador Democrata David Cicilline, autor do projecto de lei entregue em 2018, é hoje o presidente da referida comissão na Câmara dos Representantes. Uma lei semelhante foi apresentada, a 3 de Junho, no Senado, havendo desta vez apoio de Democratas e Republicanos a ambos os documentos.

Na véspera destas audições no Congresso, a NMA – News Media Alliance, uma associação de editores que reune cerca de dois mil jornais nos Estados Unidos e no Canadá, publicou um estudo segundo o qual só a Google teria obtido 4,7 mil milhões de dólares (cerca de 4,2 mil milhões de euros) de receitas publicitárias em 2018, graças aos artigos da Imprensa propostos no seu motor de busca e no agregador Google News.

Ora este número fica muito próximo do total das receitas publicitárias online do conjunto dos media norte-americanos, calculado em 5,1 mil milhões de dólares. 

Segundo Le Monde, que aqui citamos, a metodologia deste estudo é contestada, por manifestar resultados extrapolados a partir de dados que datam de 2008, bem como pelo facto de a Google News não ter anúncios. Mas “estas imprecisões recordam a dificuldade de medir o peso da plataforma neste sector, de tal modo a Google continua opaca quanto ao seu modelo económico e ao seu algoritmo”.  (...) 

Por contraste, os dissabores da Imprensa, nos EUA, são bem conhecidos. A queda das vendas no papel, desde há uma década, não foi compensada pela publicidade online e pelas receitas do digital, a não ser para um número restrito de alguns títulos de prestígio, como The New York Times e The Washington Post

Cerca de um jornal em cada cinco desapareceu, nos Estados Unidos, desde 2004, e as redacções tiveram os seus efectivos reduzidos em 45% entre 2008 e 2017, segundo um estudo do Pew Research Center publicado em 2018.

O duopólio Google – Facebook vai absorver, em 2019, 59% dos investimentos em publicidade, pelas contas do gabinete de pesquisa de mercado eMarketer.

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Le Monde.  Mais informação no Jornal de Negócios.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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