Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Editores americanos querem partilhar receitas de Google e Facebook

Várias entidades representativas das empresas dos media foram recebidas pela comissão das leis anti-trust do Congresso dos Estados Unidos, em nova fase da sua reivindicação por uma partilha mais justa das receitas acumuladas pelas grandes plataformas tecnológicas. O objectivo é, neste momento, o de conseguirem uma excepção às regras do direito de concorrência, que lhes permita negociarem colectivamente, perante a Google e o Facebook, sobre essa partilha, a visibilidade dos seus conteúdos e o controlo dos dados de audiência.

O precedente decorre, em parte, da adopção, a 26 de Março, da nova Directiva Europeia sobre Direitos de Autor. “O poder de nogociação das empresas tecnológicas é de tal grandeza que os editores não se encontram em condições de obter acordos justos”  - afirmou, na CNN, Sally Hubbard, do grupo de reflexão anti-trust  Open Markets Institute.

As condições para este passo são agora mais favoráveis porque o senador Democrata David Cicilline, autor do projecto de lei entregue em 2018, é hoje o presidente da referida comissão na Câmara dos Representantes. Uma lei semelhante foi apresentada, a 3 de Junho, no Senado, havendo desta vez apoio de Democratas e Republicanos a ambos os documentos.

Na véspera destas audições no Congresso, a NMA – News Media Alliance, uma associação de editores que reune cerca de dois mil jornais nos Estados Unidos e no Canadá, publicou um estudo segundo o qual só a Google teria obtido 4,7 mil milhões de dólares (cerca de 4,2 mil milhões de euros) de receitas publicitárias em 2018, graças aos artigos da Imprensa propostos no seu motor de busca e no agregador Google News.

Ora este número fica muito próximo do total das receitas publicitárias online do conjunto dos media norte-americanos, calculado em 5,1 mil milhões de dólares. 

Segundo Le Monde, que aqui citamos, a metodologia deste estudo é contestada, por manifestar resultados extrapolados a partir de dados que datam de 2008, bem como pelo facto de a Google News não ter anúncios. Mas “estas imprecisões recordam a dificuldade de medir o peso da plataforma neste sector, de tal modo a Google continua opaca quanto ao seu modelo económico e ao seu algoritmo”.  (...) 

Por contraste, os dissabores da Imprensa, nos EUA, são bem conhecidos. A queda das vendas no papel, desde há uma década, não foi compensada pela publicidade online e pelas receitas do digital, a não ser para um número restrito de alguns títulos de prestígio, como The New York Times e The Washington Post

Cerca de um jornal em cada cinco desapareceu, nos Estados Unidos, desde 2004, e as redacções tiveram os seus efectivos reduzidos em 45% entre 2008 e 2017, segundo um estudo do Pew Research Center publicado em 2018.

O duopólio Google – Facebook vai absorver, em 2019, 59% dos investimentos em publicidade, pelas contas do gabinete de pesquisa de mercado eMarketer.

 

O artigo aqui citado, na íntegra em Le Monde.  Mais informação no Jornal de Negócios.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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