Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

"NYT" suspende "cartoon" político depois de publicar António

O diário The New York Times anunciou o fim da publicação de caricaturas políticas na sua edição internacional, alargando assim a esta a prática seguida na edição que sai nos Estados Unidos.
A explicação apresentada é a de que o jornal já reflectia há um ano sobre esta possibilidade, mas Patrick Chappatte, um dos seus caricaturistas mais conhecidos, não hesita em considerar a medida como decorrente da polémica causada pela publicação de um desenho do autor português António, que mostra Donald Trump como um cego conduzido por um “cão-piloto” com a face de Benjamin Netanyahu.

A referida publicação, ocorrida em finais de Abril, foi considerada antissemita dentro e fora dos Estados Unidos, e The New York Times retirou-a com um pedido público de desculpas.

Segundo Le Monde, que aqui citamos, o director do NYT, Arthur Sulzberger, ordenou na altura um processo disciplinar ao editor responsável pela escolha do desenho de António, bem como o fim da utilização do material proposto pela agência externa que o tinha veiculado para o jornal. 

Por seu lado, o caricaturista Patrick Chappatte, que trabalha há mais de vinte anos para The New York Times, lamenta este desfecho “causado por um único desenho  - que não era meu -  e que nunca devia ter sido publicado no melhor jornal do mundo”. 

Afirma ainda que, “nestes últimos anos, centenas dos melhores caricaturistas da Imprensa nos Estados Unidos perderam o seu emprego porque os editores os achavam demasiado críticos de Donald Trump”. 

“Devemos talvez começar a inquietar-nos?”  -  pergunta. “E rebelarmo-nos. Os desenhadores de Imprensa nasceram com a democracia e, quando as liberdades são ameaçadas, são eles também.” (...) 

James Bennet, responsável editorial do NYT, declarou, via Twitter, que o jornal deseja manter o trabalho de Patrick Chappatte e de Heng Kim Song, o outro caricaturista mais conhecido do jornal, embora de outras formas.

 

Mais informação em Le Monde,   em The New York Times  e no  site do CPI, na altura da polémica.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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