Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

O "ecossistema informativo" impõe jornalismo fora das redacções

Gostemos ou não, a divulgação de notícias já não é unidireccional, do jornalista para o público, “como prevêem os manuais de redacção da maior parte da Imprensa”. Na era digital, o jornalismo não se limita ao que se passa dentro das redacções, mas num “ecossistema informativo” em que os profissionais passaram a ser “apenas um dos protagonistas” no grande fluxo de notícias que circulam dentro da comunidade.

Assim, a preocupação central “deixa de ser a prioridade na busca de inovações técnicas no exercício do jornalismo, para ser a forma como ele se insere” nesses fluxos de informação. É esta a reflexão inicial de um texto de Carlos Castilho, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Se esta notícia é boa ou é má, vamos ver  - talvez dependa da atitude de cada um. O autor não põe a questão nestes termos, mas descreve o que se passa à nossa volta quanto a este “novo posicionamento dos profissionais dentro do fluxo de notícias”, e que “é mais perceptível no âmbito local”, dada a proximidade e conhecimento mútuo entre os diversos actores envolvidos.

O conceito de “ecossistema informativo” refere, portanto, todo o conjunto de elementos que compõem o ambiente social onde os nossos meios de comunicação estão inseridos. [É tratado em pormenor no trabalho Local Journalism - The Decline of Newspapers and the Rise of the Digital Media, co-editado pelo Instituto Reuters e pela Universidade de Oxford] 

Como conta o autor do artigo que aqui citamos, “a notícia pode ter sido redigida e distribuída por profissionais, mas, ao circular, ela inevitavelmente gera novos complementos e opiniões que, por sua vez, retroalimentam o fluxo informativo dentro da comunidade e acabam gerando novos factos, dados e eventos noticiosos”.  (…) 

Carlos Castilho cita o investigador e docente de Comunicação Andreas Hepp, da Universidade de Bremen, segundo o qual o surgimento de novas funções dentro do processo de produção digital da informação provoca mesmo “uma redefinição radical do que entendemos por jornalismo, na medida em que a actividade já não se limita mais à produção de notícias e reportagens”: 

“Áreas como processamento de dados, design de informações e empreendedorismo já não podem ser consideradas como estranhas ao jornalismo.”  (…) 

“Tudo isso mostra que o jornalismo começa a ser exercido dentro de um novo contexto caracterizado pelo compartilhamento de dados entre pessoas com diferentes habilidades e competências”  - a que o investigador suíço Etienne Wenger chama “comunidades de prática”: 

“Numa redacção, predomina o interesse em produzir notícias como parte de uma actividade comercial, enquanto nas comunidades de prática a preocupação central é resolver problemas a partir do compartilhamento de dados.”  (…) 

Citando de novo o trabalho de Andreas Hepp, Carlos Castilho conclui que a realidade digital está a empurrar o jornalismo para uma função pioneira “no desenvolvimento de novos formatos informativos e novos fluxos de notícias” dentro das comunidades humanas, obrigando os profissionais “a abandonarem uma série de rotinas, princípios e valores tradicionais na maioria das redacções”.  (…)

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul
24
Set
Radio Show
09:00 @ Hilton Anatole, Dallas, EUA
07
Out