Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

O "ecossistema informativo" impõe jornalismo fora das redacções

Gostemos ou não, a divulgação de notícias já não é unidireccional, do jornalista para o público, “como prevêem os manuais de redacção da maior parte da Imprensa”. Na era digital, o jornalismo não se limita ao que se passa dentro das redacções, mas num “ecossistema informativo” em que os profissionais passaram a ser “apenas um dos protagonistas” no grande fluxo de notícias que circulam dentro da comunidade.

Assim, a preocupação central “deixa de ser a prioridade na busca de inovações técnicas no exercício do jornalismo, para ser a forma como ele se insere” nesses fluxos de informação. É esta a reflexão inicial de um texto de Carlos Castilho, no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

Se esta notícia é boa ou é má, vamos ver  - talvez dependa da atitude de cada um. O autor não põe a questão nestes termos, mas descreve o que se passa à nossa volta quanto a este “novo posicionamento dos profissionais dentro do fluxo de notícias”, e que “é mais perceptível no âmbito local”, dada a proximidade e conhecimento mútuo entre os diversos actores envolvidos.

O conceito de “ecossistema informativo” refere, portanto, todo o conjunto de elementos que compõem o ambiente social onde os nossos meios de comunicação estão inseridos. [É tratado em pormenor no trabalho Local Journalism - The Decline of Newspapers and the Rise of the Digital Media, co-editado pelo Instituto Reuters e pela Universidade de Oxford] 

Como conta o autor do artigo que aqui citamos, “a notícia pode ter sido redigida e distribuída por profissionais, mas, ao circular, ela inevitavelmente gera novos complementos e opiniões que, por sua vez, retroalimentam o fluxo informativo dentro da comunidade e acabam gerando novos factos, dados e eventos noticiosos”.  (…) 

Carlos Castilho cita o investigador e docente de Comunicação Andreas Hepp, da Universidade de Bremen, segundo o qual o surgimento de novas funções dentro do processo de produção digital da informação provoca mesmo “uma redefinição radical do que entendemos por jornalismo, na medida em que a actividade já não se limita mais à produção de notícias e reportagens”: 

“Áreas como processamento de dados, design de informações e empreendedorismo já não podem ser consideradas como estranhas ao jornalismo.”  (…) 

“Tudo isso mostra que o jornalismo começa a ser exercido dentro de um novo contexto caracterizado pelo compartilhamento de dados entre pessoas com diferentes habilidades e competências”  - a que o investigador suíço Etienne Wenger chama “comunidades de prática”: 

“Numa redacção, predomina o interesse em produzir notícias como parte de uma actividade comercial, enquanto nas comunidades de prática a preocupação central é resolver problemas a partir do compartilhamento de dados.”  (…) 

Citando de novo o trabalho de Andreas Hepp, Carlos Castilho conclui que a realidade digital está a empurrar o jornalismo para uma função pioneira “no desenvolvimento de novos formatos informativos e novos fluxos de notícias” dentro das comunidades humanas, obrigando os profissionais “a abandonarem uma série de rotinas, princípios e valores tradicionais na maioria das redacções”.  (…)

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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