Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Radio France anuncia negociações para despedimentos

A empresa pública Radio France revelou aos representantes dos trabalhadores um plano estratégico de modernização que vai implicar a extinção de 270 a 390 postos de trabalho. Segundo a directora-geral, Sibyle Veil, torna-se necessário fazer uma economia de 25 milhões de euros sobre a presente massa salarial, e obter mais quatro milhões para poder contratar meia centena de especialistas nos novos suportes digitais  - portanto 29 milhões de euros, no espaço de três anos.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, os sindicatos presentes adoptaram uma linha comum, recusando-se a negociar na base deste documento e pedindo mais tempo para auditar os números apresentados pela direcção. Abordada por Le Monde, Sibyle Veil afirma que, “com a baixa da dotação do Estado, vamos ter um défice de 40 milhões de euros daqui até 2022”.

Em comunicado, o SNJ – Sindicato Nacional dos Jornalistas da Radio France  afirma que “suprimir mais 300 ou 400 postos de trabalho vai tornar impossível continuar a fazer rádio; para que servimos então?”  O efectivo total, neste momento, é de 4.600 pessoas. 

No plano apresentado, segundo Valeria Emanuele, delegada do SNJ,  “a faixa alta é se dissermos não a tudo, e a baixa é se dissermos sim a tudo”. Faz parte desta última o acordo dos sindicatos ao plano de reorganização do trabalho, que inclui também a supressão de sete a doze dias de folga e da semana de férias por antiguidade. 

“Temos de visar uma forte adaptação das competências e da produtividade da casa”  - advertia já a direcção do grupo no seu projecto  Radio-France 2022, apresentado no início da semana. 

“Para sermos bem-sucedidos, precisamos de ter a coragem de fazer escolhas”  - afirmava o mesmo texto. 

Segundo L’Obs, “o antecessor de Sibyle Veil, Mathieu Gallet, teve de enfrentar uma greve histórica em 2015, um ano depois de ter chegado, quando anunciou restrições de orçamento e redução de efectivos.”

 

Mais informação em Le Figaro  e Le Monde 

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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