Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Radio France anuncia negociações para despedimentos

A empresa pública Radio France revelou aos representantes dos trabalhadores um plano estratégico de modernização que vai implicar a extinção de 270 a 390 postos de trabalho. Segundo a directora-geral, Sibyle Veil, torna-se necessário fazer uma economia de 25 milhões de euros sobre a presente massa salarial, e obter mais quatro milhões para poder contratar meia centena de especialistas nos novos suportes digitais  - portanto 29 milhões de euros, no espaço de três anos.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, os sindicatos presentes adoptaram uma linha comum, recusando-se a negociar na base deste documento e pedindo mais tempo para auditar os números apresentados pela direcção. Abordada por Le Monde, Sibyle Veil afirma que, “com a baixa da dotação do Estado, vamos ter um défice de 40 milhões de euros daqui até 2022”.

Em comunicado, o SNJ – Sindicato Nacional dos Jornalistas da Radio France  afirma que “suprimir mais 300 ou 400 postos de trabalho vai tornar impossível continuar a fazer rádio; para que servimos então?”  O efectivo total, neste momento, é de 4.600 pessoas. 

No plano apresentado, segundo Valeria Emanuele, delegada do SNJ,  “a faixa alta é se dissermos não a tudo, e a baixa é se dissermos sim a tudo”. Faz parte desta última o acordo dos sindicatos ao plano de reorganização do trabalho, que inclui também a supressão de sete a doze dias de folga e da semana de férias por antiguidade. 

“Temos de visar uma forte adaptação das competências e da produtividade da casa”  - advertia já a direcção do grupo no seu projecto  Radio-France 2022, apresentado no início da semana. 

“Para sermos bem-sucedidos, precisamos de ter a coragem de fazer escolhas”  - afirmava o mesmo texto. 

Segundo L’Obs, “o antecessor de Sibyle Veil, Mathieu Gallet, teve de enfrentar uma greve histórica em 2015, um ano depois de ter chegado, quando anunciou restrições de orçamento e redução de efectivos.”

 

Mais informação em Le Figaro  e Le Monde 

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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