Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

Liberdade de Imprensa em declínio incluindo países democráticos

A liberdade de Imprensa está em declínio em muitos países por todo o mundo, e a democracia está em retrocesso, segundo o relatório Freedom in the World 2019, divulgado pela ONG americana Freedom House. Mesmo regimes democráticos “estão a associar-se aos governos autoritários para impedir o jornalismo independente”, sendo registados “importantes recuos na liberdade de informar, incluindo na Europa”.

Nos Estados Unidos, os ataques de Donald Trump contra a Imprensa “exacerbaram a crescente erosão da confiança nos media dirigidos ao grande público”  - afirma também o mesmo relatório.

Nos termos da classificação usada pela Freedom House, a situação na Hungria e na Sérvia desceu do nível designado como Livre para o de Parcialmente Livre;  entre os Não Livres, agravou-se a descida da Nicarágua, Venezuela e China;  o Zimbabwe subiu de Não Livre para Parcialmente Livre.

Em diversos países democráticos, “vastos segmentos da população deixaram de receber informações não tendenciosas”, assinala ainda a Freedom House.

“Em algumas das democracias mais influentes do mundo, os dirigentes populistas dirigiram as tentativas coordenadas para asfixiar a independência dos media”  - considera Sarah Repucci, investigadora nesta organização de defesa dos direitos humanos. E refere serem dirigentes que se apresentam frequentemente como “defensores de uma maioria lesada”. 

“Se as ameaças contra a liberdade dos media são preocupantes por si, é o seu efeito sobre as democracias que as torna verdadeiramente perigosas”, sublinhou. 

Segundo notícia da Lusa  - que aqui citamos do Observador -  “os dirigentes húngaro, Viktor Orban, e sérvio, Aleksandar Vucic, conseguiram silenciar o jornalismo crítico e assegurar que os principais media são detidos por personalidades que simpatizam com a liderança política”. 

Na Índia, o Governo do primeiro-ministro Narendra Modi também tentou pressionar os media independentes através da selecção de licenças televisivas e apoiou campanhas destinadas a desencorajar os discursos considerados “antinacionais”. O documento considera ainda que têm sido registadas algumas melhorias em diversos países no campo da liberdade de imprensa, indicando a Etiópia, Malásia, Equador e Gâmbia. 

“Nos últimos anos, a Freedom House tem sido acusada de envolvimento em diversos escândalos, incluindo receber fundos do Departamento de Estado para ‘actividades clandestinas’ no Irão, ou de criticar excessivamente Estados que se opõem aos interesses dos Estados Unidos e ser complacente com regimes que apoiam a estratégia internacional norte-americana”  -  refere também a notícia que citamos. 

No corpo do texto de apresentação do relatório, no site da Freedom House  - cujo link incluímos -  o “declínio” referido é identificado também nos Estados Unidos: 

“Embora a democracia, na América, permaneça robusta segundo parâmetros globais, tem enfraquecido significativamente ao longo dos últimos oito anos, e os ataques constantes, do actual Presidente, contra o primado da Lei, um jornalismo assente em factos e outros princípios e normas da democracia, ameaçam [trazer] mais declínio.” 

“Tendo observado padrões semelhantes noutras nações, onde a democracia acabou por ser vencida pelo autoritarismo, a Freedom House adverte que a resiliência das instituições democráticas nos Estados Unidos não pode ser dada como garantida, perante ataques como estes.”  (...) 

A pontuação final dos Estados Unidos, sobre uma tabela de 100 pontos usada pelo relatório Freedom in the World, é a mesma (86) que tinha em 2017, com dois indicadores mudando em direcções opostas: 

“A pontuação sobre liberdade de reunião melhorou, visto que não houve repetição da violência relacionada com actos de protesto, que tinha levado a uma pontuação mais baixa nos dois anos anteriores. Na verdade, houve um aumento de actos cívicos e manifestações, sobre temas que vão desde os direitos das mulheres e as políticas de imigração até ao problema dos ataques a tiro em escolas.” 

“A pontuação sobre tratamente igual perante a Lei diminuíu, devido à política e actos do governo que restringiram indevidamente os direitos legais dos que buscam asilo, sinais de discriminação na aceitação de refugiados para realojamento, e dureza excessiva ou incongruentes políticas de controlo da imigração que resultaram na separação de crianças dos membros adultos da suas famílias, entre outros factos problemáticos.” 

Enquanto esta pontuação (de 86) “coloca os Estados Unidos abaixo de outras grandes democracias como a França, a Alemanha e o Reino Unido, eles continuam firmemente na categoria de Livre”. 

“No entanto, o seu declínio de oito pontos, em igual número de anos, é significativo. Os países que lhe ficam mais próximos, em termos do total das pontuações da Freedom in the World, são o Belize, a Croácia, a Grécia, a Letónia e a Mongólia.”  (...)

O relatório enumera os países que mudaram de posição, no último ano, designadamente aqueles que, estando classificados como Não Livres, mais desceram, como a Nicarágua ( - 12 pontos) e a Venezuela ( - 7 pontos) e, com menos quatro pontos, um grupo de seis países que inclui o Egipto (Não Livre) e o Paquistão (Parcialmente Livre). 

Seguem-se depois, com descidas de três pontos, nove países, incluindo o Brasil (no patamar de Livre), a China (Não Livre), El Salvador (Livre) e Guatemala (Parcialmente Livre) e, na Europa, a Moldávia (Parcialmente Livre) e a Roménia (Livre). 

Há na mesma tabela seis países que sobem entre três a sete pontos acima da posição que ocupavam, mas mantendo-se no patamar de Não Livres  Angola e a Etiópia, e no de Parcialmente Livres  o Equador, Gâmbia, Malásia e, na Europa, a Arménia.

 

Mais informação no Observador,  o texto de apresentação e o relatório Freedom in the World 2019

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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