Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

Desinformação intencional mina a confiança nas instituições

Uma significativa maioria dos cidadãos norte-americanos entende que a desinformação intencional é um problema sério, e culpa por isso os dirigentes políticos e os activistas, acima dos jornalistas. Mas, quando se trata de indicar quem deve resolver o problema, a responsabilidade é sobretudo endereçada aos últimos.

Assim, 68% dos adultos inquiridos para um relatório recente do Pew Research Center declaram que a desinformação afecta muito a confiança nas instituições de governo, e 54% acrescentam que afecta a própria confiança dos cidadãos entre si. Mais de metade (56%) pensam mesmo que o problema vai piorar nos próximos anos.

E mesmo não culpando os jornalistas como os principais causadores da desinformação, 53% entendem que são eles que devem assumir a principal responsabilidade pela sua redução  - muito acima dos 12% que acham que isso compete ao Governo, ou dos 9% que dizem que devem ser as plataformas digitais.

O relatório agora divulgado pelo Pew Research Center parte de uma sondagem junto de 6.127 cidadãos adultos, realizada entre 19 de Fevereiro e 4 de Março de 2019.

Segundo notícia da Lusa  - que aqui citamos do Observador -  o referido estudo revela que “que as pessoas que acedem à informação através das redes sociais digitais são mais vulneráveis às notícias falsas do que aquelas que a recebem através dos media tradicionais (jornais, revistas, rádios e TVs)”. 

“Cerca de 60% dos norte-americanos que consomem notícias pelas redes sociais dizem já ter partilhado fake news. Dois terços dos norte-americanos diz já ter sido sujeito a imagens e vídeos adulterados, mas reconhece ter dificuldade em detectar as formas de manipulação mais complexas.” 

“A pesquisa constata ainda que a filiação política dos utilizadores é um factor relevante na percepção sobre as notícias falsas: os Republicanos são mais propensos do que os Democratas a detectarem o que consideram ser notícias falsas e também a culparem os jornalistas pela desinformação.”  (...) 

Segundo o texto divulgado no site do Pew Research Center, “no ambiente digital, metade dos consumidores de notícias pelas redes sociais deixaram de ser seguidores de alguém que conhecem porque acharam que essa pessoa estava a colocar desinformação; a mesma percentagem deixou de seguir uma empresa noticiosa pelo mesmo motivo”.  (...) 

Além das referidas diferenças de atitude, sobre estas matérias, entre os que se declararam Republicanos ou Democratas, o relatório identifica também diferenças etárias: 

“Os americanos mais jovens (entre os 18 e os 28 anos) tendem a ser menos preocupados sobre o impacto das notícias ‘fabricadas’ do que os mais velhos, dizem que as encontram menos e são menos propensos a culpar por isso tanto os políticos como os activistas, jornalistas ou agentes externos.” 

“E, à semelhança dos que preferem as redes sociais para obter as notícias, tendem a ser menos pessimistas do que os mais velhos a respeito do futuro deste assunto.”  (...) 

Cerca de dois terços (67%) dos inquiridos “dizem que as notícias ‘fabricadas’ intencionalmente para desinformação causam muitíssima confusão sobre os factos básicos dos assuntos correntes, enquanto 63% sentem do mesmo modo a respeito de um vídeo que seja alterado ou forjado; e em grande maioria, de 79% e 77%, respectivamente, são a favor de restrição destes dois tipos de conteúdos”.

De modo geral, os cidadãos americanos entendem que a maior parte da desinformação intencional  “é criada em torno de dois temas principais: a política e eleições (73%) e o entretenimento e celebridades (61%)”. 

“Tanto a polítca como o entretenimento excedem de longe todos os restantes quatro temas apresentados no inquérito.”  (...)

 

Mais informação no Obervador  e o texto citado do Pew Research Center

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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