Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Estudo

Desinformação intencional mina a confiança nas instituições

Uma significativa maioria dos cidadãos norte-americanos entende que a desinformação intencional é um problema sério, e culpa por isso os dirigentes políticos e os activistas, acima dos jornalistas. Mas, quando se trata de indicar quem deve resolver o problema, a responsabilidade é sobretudo endereçada aos últimos.

Assim, 68% dos adultos inquiridos para um relatório recente do Pew Research Center declaram que a desinformação afecta muito a confiança nas instituições de governo, e 54% acrescentam que afecta a própria confiança dos cidadãos entre si. Mais de metade (56%) pensam mesmo que o problema vai piorar nos próximos anos.

E mesmo não culpando os jornalistas como os principais causadores da desinformação, 53% entendem que são eles que devem assumir a principal responsabilidade pela sua redução  - muito acima dos 12% que acham que isso compete ao Governo, ou dos 9% que dizem que devem ser as plataformas digitais.

O relatório agora divulgado pelo Pew Research Center parte de uma sondagem junto de 6.127 cidadãos adultos, realizada entre 19 de Fevereiro e 4 de Março de 2019.

Segundo notícia da Lusa  - que aqui citamos do Observador -  o referido estudo revela que “que as pessoas que acedem à informação através das redes sociais digitais são mais vulneráveis às notícias falsas do que aquelas que a recebem através dos media tradicionais (jornais, revistas, rádios e TVs)”. 

“Cerca de 60% dos norte-americanos que consomem notícias pelas redes sociais dizem já ter partilhado fake news. Dois terços dos norte-americanos diz já ter sido sujeito a imagens e vídeos adulterados, mas reconhece ter dificuldade em detectar as formas de manipulação mais complexas.” 

“A pesquisa constata ainda que a filiação política dos utilizadores é um factor relevante na percepção sobre as notícias falsas: os Republicanos são mais propensos do que os Democratas a detectarem o que consideram ser notícias falsas e também a culparem os jornalistas pela desinformação.”  (...) 

Segundo o texto divulgado no site do Pew Research Center, “no ambiente digital, metade dos consumidores de notícias pelas redes sociais deixaram de ser seguidores de alguém que conhecem porque acharam que essa pessoa estava a colocar desinformação; a mesma percentagem deixou de seguir uma empresa noticiosa pelo mesmo motivo”.  (...) 

Além das referidas diferenças de atitude, sobre estas matérias, entre os que se declararam Republicanos ou Democratas, o relatório identifica também diferenças etárias: 

“Os americanos mais jovens (entre os 18 e os 28 anos) tendem a ser menos preocupados sobre o impacto das notícias ‘fabricadas’ do que os mais velhos, dizem que as encontram menos e são menos propensos a culpar por isso tanto os políticos como os activistas, jornalistas ou agentes externos.” 

“E, à semelhança dos que preferem as redes sociais para obter as notícias, tendem a ser menos pessimistas do que os mais velhos a respeito do futuro deste assunto.”  (...) 

Cerca de dois terços (67%) dos inquiridos “dizem que as notícias ‘fabricadas’ intencionalmente para desinformação causam muitíssima confusão sobre os factos básicos dos assuntos correntes, enquanto 63% sentem do mesmo modo a respeito de um vídeo que seja alterado ou forjado; e em grande maioria, de 79% e 77%, respectivamente, são a favor de restrição destes dois tipos de conteúdos”.

De modo geral, os cidadãos americanos entendem que a maior parte da desinformação intencional  “é criada em torno de dois temas principais: a política e eleições (73%) e o entretenimento e celebridades (61%)”. 

“Tanto a polítca como o entretenimento excedem de longe todos os restantes quatro temas apresentados no inquérito.”  (...)

 

Mais informação no Obervador  e o texto citado do Pew Research Center

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
Ao longo do último ano os jornais britânicos The Times e The Sunday Times têm desenvolvido esforços consideráveis para conseguir manter os assinantes digitais que foram angariando ao longo do tempo. A renovação das assinaturas digitais é uma das crónicas dores de cabeça que os editores de publicações enfrentam, tanto mais que estudos recentes comprovam que uma sólida base de assinantes e leitores...
“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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Social Media Day: Halifax
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The Children’s Media Conference
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