Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Tecnologias

Os Media digitais, os equívocos e os direitos de "portagem"

A sobrevivência do jornalismo digital está condicionada pelas “estradas” tecnológicas que supostamente lhe trouxeram o acesso às audiências globais que não tinham no impresso. É verdade que o fizeram, mas ficando também com os direitos de “portagem” na sua mão. A questão de fundo é sempre a mesma: quem é o verdadeiro gatekeeper? Quem tem o poder das “chaves”?

Este debate é sintetizado, com a identificação exacta dos protagonistas, num parágrafo que o jornalista Diogo Queiroz de Andrade coloca entre os primeiros de um texto publicado, precisamente, num jornal digital  - o ECO – Economia online:

“O actual modelo de negócio da Internet exige que se faça dinheiro quase só de duas formas: ou através de publicidade ou através da assinatura. Como a taxa de adesão a assinaturas é muito baixa, resta a publicidade. O negócio é dominado pelos gigantes da Internet, que produziram produtos gratuitos que exploram a privacidade de cada utilizador para lhes direccionar publicidade e enriquecer brutalmente com isso.”

O título do texto que aqui citamos é “Dissecar o Nónio”, e o seu autor reflecte sobre aquilo que o Nónio se propõe ser, “um sistema de registo unificado para os media digitais portugueses”, e o que daí resulta na prática: 

“A ideia é que o perfil de cada utilizador seja partilhado pelos títulos, de forma a poderem direccionar a publicidade e cobrarem mais pela mesma. Esta é a explicação técnica simplificada, mas o que justifica este texto é que o Nónio é um fantástico estudo de caso da comunicação social portuguesa e dos seus consumidores.”  (...) 

A crítica de Diogo Queiroz de Andrade é que “o Nónio nasceu com cinco anos de atraso”; que a sua chegada “foi tão mal gerida que nem ocorreu a ninguém registar o endereço nonio.pt antes de divulgar o projecto, e hoje esse link corresponde ironicamente a uma campanha anti-Nónio”; que “a coisa só faria sentido se todos aderissem, o que não foi conseguido (e é sintomático que os dois órgãos mais notáveis que não aderem sejam o Observador e o ECO, projetos digitais com uma administração moderna e que não arrastam consigo uma subserviência administrativa às direcções comerciais)”; e que o projecto “não foi devidamente testado junto de consumidores”, sendo antes “mal comunicado e mal explicado” aos mesmos. 

Tendo dito isto, acrescenta que, “se algum dia o Nónio desse o passo seguinte a coisa seria mais grave: a plataforma prevê personalizar não só a publicidade mas também os conteúdos, aumentando o risco de exposição selectiva a determinados tipos de notícias (o famoso efeito ‘bolha’ que foi cunhado por Eli Parisier)”. 

E acrescenta também que, em sua opinião, “todos os erros do Nónio são fruto de um ecossistema mediático comprometido em Portugal, de que os consumidores são também grandes responsáveis”, nomeadamente os “treinadores de bancada” cuja lógica, vinda do futebol, se propagou aos “jornalistas das redes sociais”: 

“É uma espécie extraordinária: não paga, não consome e exige que os meios de comunicação sejam cada vez melhores e que se mantenham gratuitos  – pior, exige que exista informação para que toda a sociedade possa ter acesso a informação de qualidade e faça as escolhas certas, mas não quer comprometer empenho ou dinheiro nisso.”  (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra no ECO

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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The Children’s Media Conference
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