Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Memória

Agustina Bessa-Luís: a palavra insubstituível e a imensa obra

Morreu aos 96 anos Agustina Bessa-Luís, vulto maior das letras portuguesas, uma escritora que preferia ganhar o Prémio Nobel da Paz ao da Literatura. Foi distinguida por muitos outros, em vez destes, e deixa uma obra vastíssima, embora  - segundo a própria autora -  pouco lida:

“Poucos são os que me lêem, mas muitíssimo mais os que me conhecem”  - disse um dia.

Como recorda, no Público, Miguel Esteves Cardoso, “a sua vida passou também pelos jornais (uma intensa actividade que a Fundação Calouste Gulbenkian compilou em 2017, nos três volumes de Ensaios e Artigos (1951-2007), num total de nada menos do que 2.791 páginas organizadas pela neta da escritora, Lourença Baldaque).”

Foi directora, entre 1986 e 1987, do diário portuense O Primeiro de Janeiro, tendo ainda protagonizado em 2005, com a jornalista Maria João Seixas, o programa Ela por Ela.

Curiosamente, o seu despertar para a descrição do mundo começou pela imagem, neste caso pelo cinema, antes da escrita.

Começou a ler muito cedo, aos quatro anos. A sua própria memória de vida, recolhida em entrevistas que aqui citamos do Observador, parte deste ponto: “Quando aprendi a ler, no mundo fez-se luz e passei a compreender tudo.” A escrita chegou mais tarde. 

Quando era pequena, o pai tinha um cinema no Porto. A família vivia em Águas Santas, na Maia, e Agustina costumava ir todas as quintas-feiras ao cinema do Porto. Era o pai que a levava. “E deixava-me em liberdade”  - contou em 2003 a Anabela Mota Ribeiro. 

“Havia um café-concerto, uma sala de exposições, um jardim, onde se projectava cinema no Verão. Foi esse enamoramento da imagem, antes da escrita, que tive como campo de descoberta.” 

Estes caminhos cruzados levam a que várias obras suas tenham sido adaptadas ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, “e assim foram vistas, além de lidas:  Fanny Owen (1981, adaptado para Francisca),  Vale Abraão (1993),  As Terras do Risco (1995, adaptado para O Convento)  e O Princípio da Incerteza (2002).” 

“Ela escrevia, ele filmava: foi uma parceria criativa que durou mais de duas décadas e resultou em quase uma dezena de filmes  - com alguns ‘confortáveis conflitos’ pelo meio.”  

“A autora escreveu ainda, para Oliveira, os diálogos de Party (1996), a partir da sua peça de teatro Party: Garden-Party dos Açores. Do seu conto  A Mãe de um Rio Oliveira havia de fazer Inquietude (1998). E também o realizador João Botelho adaptou um romance seu, em 2009:  A Corte do Norte.”


O velório da escritora decorre na Sé Catedral do Porto, a partir das 10h.30 de terça, 3 de Junho, com as exéquias solenes celebradas pelo Bispo do Porto, D. Manuel Linda, às 16 horas.  Foi decretado para este dia luto nacional.

 

 

Mais informação no Público  e no Observador

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

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Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

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O Clube


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Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
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A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...