Sábado, 1 de Outubro, 2022
Memória

Agustina Bessa-Luís: a palavra insubstituível e a imensa obra

Morreu aos 96 anos Agustina Bessa-Luís, vulto maior das letras portuguesas, uma escritora que preferia ganhar o Prémio Nobel da Paz ao da Literatura. Foi distinguida por muitos outros, em vez destes, e deixa uma obra vastíssima, embora  - segundo a própria autora -  pouco lida:

“Poucos são os que me lêem, mas muitíssimo mais os que me conhecem”  - disse um dia.

Como recorda, no Público, Miguel Esteves Cardoso, “a sua vida passou também pelos jornais (uma intensa actividade que a Fundação Calouste Gulbenkian compilou em 2017, nos três volumes de Ensaios e Artigos (1951-2007), num total de nada menos do que 2.791 páginas organizadas pela neta da escritora, Lourença Baldaque).”

Foi directora, entre 1986 e 1987, do diário portuense O Primeiro de Janeiro, tendo ainda protagonizado em 2005, com a jornalista Maria João Seixas, o programa Ela por Ela.

Curiosamente, o seu despertar para a descrição do mundo começou pela imagem, neste caso pelo cinema, antes da escrita.

Começou a ler muito cedo, aos quatro anos. A sua própria memória de vida, recolhida em entrevistas que aqui citamos do Observador, parte deste ponto: “Quando aprendi a ler, no mundo fez-se luz e passei a compreender tudo.” A escrita chegou mais tarde. 

Quando era pequena, o pai tinha um cinema no Porto. A família vivia em Águas Santas, na Maia, e Agustina costumava ir todas as quintas-feiras ao cinema do Porto. Era o pai que a levava. “E deixava-me em liberdade”  - contou em 2003 a Anabela Mota Ribeiro. 

“Havia um café-concerto, uma sala de exposições, um jardim, onde se projectava cinema no Verão. Foi esse enamoramento da imagem, antes da escrita, que tive como campo de descoberta.” 

Estes caminhos cruzados levam a que várias obras suas tenham sido adaptadas ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, “e assim foram vistas, além de lidas:  Fanny Owen (1981, adaptado para Francisca),  Vale Abraão (1993),  As Terras do Risco (1995, adaptado para O Convento)  e O Princípio da Incerteza (2002).” 

“Ela escrevia, ele filmava: foi uma parceria criativa que durou mais de duas décadas e resultou em quase uma dezena de filmes  - com alguns ‘confortáveis conflitos’ pelo meio.”  

“A autora escreveu ainda, para Oliveira, os diálogos de Party (1996), a partir da sua peça de teatro Party: Garden-Party dos Açores. Do seu conto  A Mãe de um Rio Oliveira havia de fazer Inquietude (1998). E também o realizador João Botelho adaptou um romance seu, em 2009:  A Corte do Norte.”


O velório da escritora decorre na Sé Catedral do Porto, a partir das 10h.30 de terça, 3 de Junho, com as exéquias solenes celebradas pelo Bispo do Porto, D. Manuel Linda, às 16 horas.  Foi decretado para este dia luto nacional.

 

 

Mais informação no Público  e no Observador

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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