Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Mundo

A rejeição dos Media no Festival Internacional de Jornalismo

Um dos sete grandes temas propostos no Festival Internacional de Jornalismo 2019, organizado pelo Grupo Le Monde em Couthures, nas margens do rio Garonne, em meados de Julho próximo, é o da rejeição dos media e dos jornalistas, aspecto incontornável do movimento dos “coletes amarelos”. E para entrar de frente na questão, logo a seguir à sessão de abertura, na manhã de sexta 12, a grande-repórter Florence Aubenas e o fotojornalista Edouard Elias, que fizeram para Le Monde a reportagem das grandes manifestações de Dezembro de 2018, vão partilhar a mesa de debate com quatro gilets jaunes da região de Marmande.

Entre outros jornalistas que conheceram a agressividade nas ruas de Paris, Céline Pigalle, chefe da redacção da BFM-TV, um canal de televisão particularmente visado, o historiador Alexis Lévrier e as deputadas Aurore Bergé e Clémentine Autain serão participantes nesta reflexão colectiva sobre as causas e as consequências desta contestação.

O Festival Internacional de Jornalismo, agora na sua quarta edição, decorre durante todo esse fim-de-semana, de 12 a 14 de Julho.

Mas nem só o caso francês será tratado. A questão da representatividade actual dos media, que não tem fronteiras, vai animar o Kiosque International, sob o título abrangente de “Uma Imprensa internacional desorientada”. Serão oradores principais Richard Werly, de Le Temps, Sébastien Hervieu, do Courrier International, e Marc Bassets, de El País, estando ainda presentes jornalistas de La Repubblica, The Guardian, The New York Times, Le Soir e Süddeutsche Zeitung

Como conta Le Monde, que aqui citamos, os três dias do Festival, “destinado ao grande público, vão ter como remate, no domingo, o ‘verdadeiro-falso processo do jornalismo’, com uma ‘audiência’ organizada na praça central de Couthures  - com magistrados autênticos e também verdadeiros jornalistas -  em cuja conclusão os participantes poderão pronunciar-se sobre a responsabilidade dos media.”  (...) 

Ainda neste contexto de “tribunal”: um outro dos sete grandes temas propostos, tendo como título  “Os jornalistas estão acima das leis?”, vai ter como intervenientes principais o magistrado Philippe Bilger, o advogado William Bourdon, os ex-ministros Rachida Dati e Jean-François Copé, as jornalistas Violette Lazard (de L’Obs) e Elise Vincent (de Le Monde), em debate animado por Gérard Davet e Fabrice Lhomme. 

O sétimo tema, concebido e animado por Pierre Haski, presidente dos Réporters sans Frontières, é dedicado à Tunísia  - “a única das Primaveras Árabes que continua a sua transição democrática” -  embora na frustração de milhões de tunisinos, que “continuam à espera dos frutos económicos e sociais do fim da ditadura”. 

“Quando jornalistas e escritores trocam os seus papéis” é outro dos sete temas propostos, havendo ainda um sobre a crise ecológica, outro sobre as questões de género e ainda outro sobre o Ensino e a escola francesa. 

Haverá projecção de documentários na Igreja de Couthures, em parceria com a France 3 Nouvelle-Aquitaine e a revista Far Ouest, geralmente estando presentes os seus realizadores. 

A Radio Campus e a Radio Parleur, também em parceria com o Festival, vão animar uma “casa da rádio” de onde será transmitida a WebRadio do evento, enquanto o jornal regional Sud Ouest vai receber um convidado por dia, à hora do aperitivo de antes do jantar. 

Por falar em comida, os produtores locais vão estar presentes com tudo o que a região tem que se coma e que se beba. Le Monde promete um Festival de assuntos sérios, como se vê pelo programa, mas de “ambiente convivial e festivo”, como é próprio de um autêntico Festival de Verão.

 

Mais informação em Le Monde  e no Programa do Festival

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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21
Jun
Social Media Day: Halifax
09:00 @ Halifax, Nova Escócia, Canadá
22
Jun
Google Analytics para Jornalistas
09:00 @ Cenjor, Lisboa
25
Jun
Big Day of Data
09:00 @ Savoy Place, Londres
02
Jul
The Children’s Media Conference
16:00 @ Sheffield,Reino Unido