Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Grupo Figaro rescinde contrato de 30 a 40 jornalistas

O Grupo Le Figaro prevê a extinção de três a quatro dezenas de postos de trabalho sobre um total de 450 jornalistas das suas várias redacções, durante o ano de 2019. Esta medida é incluída num plano de aceleração da passagem ao digital, e num momento em que as receitas da publicidade estão em baixa.

Outras economias, tendo em vista alargar a margem de manobra financeira para investir, serão procuradas noutros departamentos do Grupo, por exemplo fechando um serviço dependente da TV Magazine, o suplemento de televisão do Figaro, que fornecia as grelhas de programas à Imprensa diária regional.

Segundo o director-geral do Grupo, Marc Feuillée  - que aqui citamos de Le Monde -  o objectivo é reunir três milhões de euros de economia. Conforme explica, os despedimentos serão feitos numa base de voluntariado, utilizando duas vias. 

Uma é o "plano séniores", para a partida dos assalariados que atingiram a idade legal de reforma e têm o conjunto dos trimestres necessários para receberem uma pensão completa. 

A outra diz respeito às licenças de mobilidade, tendo em vista o regresso do assalariado a um emprego estável, fazendo o seu acompanhamento. 

Para enfrentar as mudanças ligadas ao digital, o Grupo tem procurado, nos últimos anos, uma diversificação, multiplicando actividades externas aos media, tanto no comércio electrónico ou dos serviços, como nos sectores de viagens, educação, emprego ou de eventos. 

"Em 2015 tinha assumido o controlo da CCM Benchmark, que detém sites especializados  - Comment ça Marche, L’Internaute, Le Journal des Femmes…" 

"Em 2018, o volume de negócios do Grupo subiu para os 600 milhões de euros, progredindo 9%, graças à integração do especialista em viagens Marco Vasco, mas em recuo ligeiro, para 550 milhões de euros, a um nível constante, com um resultado de exploração idêntico, num ano, de 34 milhões de euros." 

"As receitas da publicidade estão em recuo desde Novembro de 2018. Segundo a mais recente análise do mercado de publicidade do primeiro trimestre, a Imprensa registou uma baixa de 3,3% neste terreno, de 370 milhões de euros, em relação ao mesmo período de 2018. A Imprensa diária nacional e as revistas tiveram uma queda de 7% nas suas receitas."   (…)

 

O artigo aqui citado, em Le Monde

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Francisco Sarsfield Cabral
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