Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Grupo Figaro rescinde contrato de 30 a 40 jornalistas

O Grupo Le Figaro prevê a extinção de três a quatro dezenas de postos de trabalho sobre um total de 450 jornalistas das suas várias redacções, durante o ano de 2019. Esta medida é incluída num plano de aceleração da passagem ao digital, e num momento em que as receitas da publicidade estão em baixa.

Outras economias, tendo em vista alargar a margem de manobra financeira para investir, serão procuradas noutros departamentos do Grupo, por exemplo fechando um serviço dependente da TV Magazine, o suplemento de televisão do Figaro, que fornecia as grelhas de programas à Imprensa diária regional.

Segundo o director-geral do Grupo, Marc Feuillée  - que aqui citamos de Le Monde -  o objectivo é reunir três milhões de euros de economia. Conforme explica, os despedimentos serão feitos numa base de voluntariado, utilizando duas vias. 

Uma é o "plano séniores", para a partida dos assalariados que atingiram a idade legal de reforma e têm o conjunto dos trimestres necessários para receberem uma pensão completa. 

A outra diz respeito às licenças de mobilidade, tendo em vista o regresso do assalariado a um emprego estável, fazendo o seu acompanhamento. 

Para enfrentar as mudanças ligadas ao digital, o Grupo tem procurado, nos últimos anos, uma diversificação, multiplicando actividades externas aos media, tanto no comércio electrónico ou dos serviços, como nos sectores de viagens, educação, emprego ou de eventos. 

"Em 2015 tinha assumido o controlo da CCM Benchmark, que detém sites especializados  - Comment ça Marche, L’Internaute, Le Journal des Femmes…" 

"Em 2018, o volume de negócios do Grupo subiu para os 600 milhões de euros, progredindo 9%, graças à integração do especialista em viagens Marco Vasco, mas em recuo ligeiro, para 550 milhões de euros, a um nível constante, com um resultado de exploração idêntico, num ano, de 34 milhões de euros." 

"As receitas da publicidade estão em recuo desde Novembro de 2018. Segundo a mais recente análise do mercado de publicidade do primeiro trimestre, a Imprensa registou uma baixa de 3,3% neste terreno, de 370 milhões de euros, em relação ao mesmo período de 2018. A Imprensa diária nacional e as revistas tiveram uma queda de 7% nas suas receitas."   (…)

 

O artigo aqui citado, em Le Monde

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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