Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

"Robots" falseiam resultado de concurso de TV russa

Centenas de robots informáticos foram usados para manipular a votação final do concurso “A Voz Kids”, na Rússia, para dar o primeiro lugar à neta de um oligarca. A prova, em que jovens talentosos competem por um lugar na equipa de cada membro do júri, geralmente artistas conhecidos, foi viciada por milhares de chamadas telefónicas e mensagens SMS enviadas em apoio de uma menina de dez anos, filha de uma estrela pop e neta de um oligarca. O Canal 1, que exibe o concurso, teve de anular os resultados.

Uma série de eliminatórias vai reduzindo o número das crianças concorrentes, desde uma primeira em que o júri, de costas, não vê mas escuta a voz de quem canta, até uma final em que é o público a escolher entre as chegaram a esse ponto. Desta vez foram robots.

Segundo notícia que aqui citamos de El País, uma investigação externa revelou que a votação do último programa não foi limpa, tendo detectado “que 300 números de telefone enviaram de modo automático mais de oito mil SMS, e que outros tantos robots tinham automatizado cerca de 30 mil chamadas”. 

“Tudo para votar de forma maciça numa das candidatas, que nunca fora favorita no concurso: Mikella Abramova. A menina, de dez anos, é filha da estrela pop Alsou e neta de um poderoso oligarca russo do petróleo e, contra todos os prognósticos, ganhou com 56,5% dos votos. 

O diário Komsomolskaya Pravda  pôs o escândalo em primeira página: “A filha de Alsou ganhou, mas o país estava contra”. O próprio Canal 1 (estatal) teve de admitir que o resultado era “anómalo”, com a diferença entre Mikella e o menino que ficou em segundo lugar, com 27,9%, demasiado grande: 80 mil votos. 

Uma empresa especializada em ciber-segurança, o Group-IB, foi chamado para investigar o caso, e os primeiros resultados conhecidos indicam que houve de facto fraude.

 

Mais informação em Media-tics, no El País e na BBC News.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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