Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Agravou-se violência contra as jornalistas mexicanas

Os seis anos de mandato presidencial de Peña Nieto, no México, foram caracterizados “pela impunidade da violência contra as mulheres jornalistas, que é quotidiana e estrutural”. Durante este período, de 2012 a 2018, a Cimac – Comunicación e Información de la Mujer registou 448 agressões de todo o tipo, incluindo onze assassínios. “Foi o sexénio mais violento, com maior número geral de jornalistas assassinados”  - afirmou Lucía Lagunes, directora daquela organização de direitos civis.

Os autores foram “agentes do Estado”  - governadores, militantes de partidos, polícia e militares, e a procuradoria criada para investigar estes crimes contra jornalistas teve um “resultado zero: nenhuma detenção, nenhuma investigação; esta procuradoria consente que as agressões se repitam”  - acrescentou.

Esta informação foi divulgada na apresentação do mais recente relatório da Cimac, em sessão organizada pela Cátedra Unesco de Comunicação da Universidade de Málaga, com o apoio da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

A jornalista e socióloga mexicana Lucía Lagunes Huerta declarou que “a invisibilidade das jornalistas [agredidas] faz com que essas agressões continuem ocultas” e gera “uma enorme vulnerabilidade”, pelo que é “muito importante dar rosto a essas mulheres”. 

Como acrescentou Victoria Prego, presidente da APM, “a situação dos jornalistas no México é dramática, terrível, são autênticos heróis, e há uma dimensão acrescentada, que é a das jornalistas mexicanas”. E Bernardo Díaz Nosty, presidente da Cátedra Unesco da Universidade de Málaga, sublinhou a importância do relatório, porque, como disse, “os dados que conhecíamos sobre agressões a jornalistas no México reuniam homens e mulheres, sem fazer considerações nem matizes que envolvem os casos das mulheres”. 

O relatório agora divulgado informa que as agressões mais comuns contra as jornalistas mexicanas foram actos de intimidação (19,56%), ameaças (13,39%), assédio (11,51%), agressões físicas (10,15%), bloqueio informativo (8,69%), campanhas de desprestígio (7,22%) e uso desproporcionado da força pública (6,28%). 

Além dos referidos assassínios, também ocorreram exílios forçados “para outro lugar, incluindo para outro país, para salvar a vida; e as jornalistas deslocadas são culpabilizadas por isso, com uma brutal pressão emocional que as acompanha para onde tenham de ir”. 

Lucía Lagunes descreveu algumas das agressões e ameaças sofridas por jornalistas mexicanas, como chegar a casa e encontrar a roupa interior espalhada no chão; ameaças contra os seus filhos, incluindo receber fotografias de bebés recém-nascidos obtidas no seu berço, dentro do hospital; campanhas de desprestígio com a imagem sexualizada das jornalistas, que se torna viral mesmo entre colegas. (...)

Lucía Lagunes responsabiliza também as empresas dos media por esta situação de insegurança, “com condições contratuais leoninas, que chegar a pagar um euro por uma colaboração”:

“As empresas não assumem a parte que lhes diz respeito quando as jornalistas são agredidas”  - afirmou, acrescentando que “a precariedade laboral também gera condições de vulnerabilidade” e que “a fragilidade laboral aumenta o risco destas jornalistas”.

 

 

O artigo aqui citado, na íntegra no site da Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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