Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Agravou-se violência contra as jornalistas mexicanas

Os seis anos de mandato presidencial de Peña Nieto, no México, foram caracterizados “pela impunidade da violência contra as mulheres jornalistas, que é quotidiana e estrutural”. Durante este período, de 2012 a 2018, a Cimac – Comunicación e Información de la Mujer registou 448 agressões de todo o tipo, incluindo onze assassínios. “Foi o sexénio mais violento, com maior número geral de jornalistas assassinados”  - afirmou Lucía Lagunes, directora daquela organização de direitos civis.

Os autores foram “agentes do Estado”  - governadores, militantes de partidos, polícia e militares, e a procuradoria criada para investigar estes crimes contra jornalistas teve um “resultado zero: nenhuma detenção, nenhuma investigação; esta procuradoria consente que as agressões se repitam”  - acrescentou.

Esta informação foi divulgada na apresentação do mais recente relatório da Cimac, em sessão organizada pela Cátedra Unesco de Comunicação da Universidade de Málaga, com o apoio da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

A jornalista e socióloga mexicana Lucía Lagunes Huerta declarou que “a invisibilidade das jornalistas [agredidas] faz com que essas agressões continuem ocultas” e gera “uma enorme vulnerabilidade”, pelo que é “muito importante dar rosto a essas mulheres”. 

Como acrescentou Victoria Prego, presidente da APM, “a situação dos jornalistas no México é dramática, terrível, são autênticos heróis, e há uma dimensão acrescentada, que é a das jornalistas mexicanas”. E Bernardo Díaz Nosty, presidente da Cátedra Unesco da Universidade de Málaga, sublinhou a importância do relatório, porque, como disse, “os dados que conhecíamos sobre agressões a jornalistas no México reuniam homens e mulheres, sem fazer considerações nem matizes que envolvem os casos das mulheres”. 

O relatório agora divulgado informa que as agressões mais comuns contra as jornalistas mexicanas foram actos de intimidação (19,56%), ameaças (13,39%), assédio (11,51%), agressões físicas (10,15%), bloqueio informativo (8,69%), campanhas de desprestígio (7,22%) e uso desproporcionado da força pública (6,28%). 

Além dos referidos assassínios, também ocorreram exílios forçados “para outro lugar, incluindo para outro país, para salvar a vida; e as jornalistas deslocadas são culpabilizadas por isso, com uma brutal pressão emocional que as acompanha para onde tenham de ir”. 

Lucía Lagunes descreveu algumas das agressões e ameaças sofridas por jornalistas mexicanas, como chegar a casa e encontrar a roupa interior espalhada no chão; ameaças contra os seus filhos, incluindo receber fotografias de bebés recém-nascidos obtidas no seu berço, dentro do hospital; campanhas de desprestígio com a imagem sexualizada das jornalistas, que se torna viral mesmo entre colegas. (...)

Lucía Lagunes responsabiliza também as empresas dos media por esta situação de insegurança, “com condições contratuais leoninas, que chegar a pagar um euro por uma colaboração”:

“As empresas não assumem a parte que lhes diz respeito quando as jornalistas são agredidas”  - afirmou, acrescentando que “a precariedade laboral também gera condições de vulnerabilidade” e que “a fragilidade laboral aumenta o risco destas jornalistas”.

 

 

O artigo aqui citado, na íntegra no site da Asociación de la Prensa de Madrid

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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