Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Jornal digital "Quartz" passa a ter acesso pago

Quando começou, em 2012, o jornal online Quartz foi planeado como uma publicação de acesso livre, com “a mínima fricção possível ao seu crescimento, porque partia de audiência zero”. Dirigido a uma classe média-alta, e à comunidade dos homens de negócios, era suposto não ter quaisquer obstáculos, muito menos uma paywall, para ser usado por dispositivos móveis e estar aberto a toda a Rede.

Isso correu bem: menos de um ano depois do lançamento, já se gabava de estar à frente do Economist, nos EUA e, tendo começado com vinte funcionários permanentes, tem hoje uma redacção de mais de cem. Mas os tempos mudam e o Quartz anuncou agora a sua própria paywall, do modelo que estabelece um patamar de dez artigos consultados em acesso livre antes de propor a inscrição na Quartz Membership, que custará cem dólares por ano (ou quinze por mês).

A informação é do NiemanLab, que entrevistou o editor do Quartz, Jay Lauf.

O projecto é usar o acesso condicionado pelo número de artigos já lidos (metered paywall) como porta de entrada para a membership (outro modo de dizer assinatura, mas com mais identificação e envolvimento pessoal) no jornal. 

Como explica Jay Lauf, “num mundo frequentemente cheio de ruído sobre as notícias, acreditamos que a nossa missão é mais importante do que nunca”: 

“Hoje estamos a pedir, àqueles de entre vós que valorizam esta missão, que nos ajudem a investir naquilo que se habituaram a gostar no Quartz. Assim, estamos a tornar o acesso ilimitado a toda a reportagem original dos jornalistas do Quartz, por todo o mundo, exclusivo para os membros. Acrescentamos um limite ao número de artigos de leitura livre a que podem aceder, em cada mês, os não-membros. As newsletters e as aplicações continuam livres.”  (...) 

Esta mudança tem a ver com alguns números de tráfego recentes, segundo dados da comScore. Em 2017 e 2018, o tráfego online do Quartz  tinha uma média de 11,5 milhões de visitantes únicos mensais, com um pico, em Agosto de 2017, de 15,7 milhões. Mas, no primeiro trimestre deste ano, caíu para os 7,3 milhões, uma quebra de 35% em relação ao período homólogo de 2018. 

Claro que o Quartz chega a outras pessoas em mais plataformas, para além do seu próprio site. Mas “só teve um mês com menos de dez milhões de visitantes únicos entre Outubro de 2016 e Julho de 2018; nos oito meses que se seguiram, esteve abaixo dos dez milhões todos os meses menos um”. (...) 

Em Julho de 2018, o Quartz foi adquirido à Atlantic Media pela empresa japonesa de negócios Uzabase por 86 milhões de dólares. Segundo uma exposição da Uzabase aos seus investidores, “a receita do Quartz subiu de 18,6 milhões de dólares, em 2015, para os 30 milhões em 2016, mas depois desceu para os 27,6 milhões em 2017”. (...)

 

Mais informação no artigo aqui citado, no NiemanLab.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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