Quarta-feira, 19 de Junho, 2019
Media

Jornal digital "Quartz" passa a ter acesso pago

Quando começou, em 2012, o jornal online Quartz foi planeado como uma publicação de acesso livre, com “a mínima fricção possível ao seu crescimento, porque partia de audiência zero”. Dirigido a uma classe média-alta, e à comunidade dos homens de negócios, era suposto não ter quaisquer obstáculos, muito menos uma paywall, para ser usado por dispositivos móveis e estar aberto a toda a Rede.

Isso correu bem: menos de um ano depois do lançamento, já se gabava de estar à frente do Economist, nos EUA e, tendo começado com vinte funcionários permanentes, tem hoje uma redacção de mais de cem. Mas os tempos mudam e o Quartz anuncou agora a sua própria paywall, do modelo que estabelece um patamar de dez artigos consultados em acesso livre antes de propor a inscrição na Quartz Membership, que custará cem dólares por ano (ou quinze por mês).

A informação é do NiemanLab, que entrevistou o editor do Quartz, Jay Lauf.

O projecto é usar o acesso condicionado pelo número de artigos já lidos (metered paywall) como porta de entrada para a membership (outro modo de dizer assinatura, mas com mais identificação e envolvimento pessoal) no jornal. 

Como explica Jay Lauf, “num mundo frequentemente cheio de ruído sobre as notícias, acreditamos que a nossa missão é mais importante do que nunca”: 

“Hoje estamos a pedir, àqueles de entre vós que valorizam esta missão, que nos ajudem a investir naquilo que se habituaram a gostar no Quartz. Assim, estamos a tornar o acesso ilimitado a toda a reportagem original dos jornalistas do Quartz, por todo o mundo, exclusivo para os membros. Acrescentamos um limite ao número de artigos de leitura livre a que podem aceder, em cada mês, os não-membros. As newsletters e as aplicações continuam livres.”  (...) 

Esta mudança tem a ver com alguns números de tráfego recentes, segundo dados da comScore. Em 2017 e 2018, o tráfego online do Quartz  tinha uma média de 11,5 milhões de visitantes únicos mensais, com um pico, em Agosto de 2017, de 15,7 milhões. Mas, no primeiro trimestre deste ano, caíu para os 7,3 milhões, uma quebra de 35% em relação ao período homólogo de 2018. 

Claro que o Quartz chega a outras pessoas em mais plataformas, para além do seu próprio site. Mas “só teve um mês com menos de dez milhões de visitantes únicos entre Outubro de 2016 e Julho de 2018; nos oito meses que se seguiram, esteve abaixo dos dez milhões todos os meses menos um”. (...) 

Em Julho de 2018, o Quartz foi adquirido à Atlantic Media pela empresa japonesa de negócios Uzabase por 86 milhões de dólares. Segundo uma exposição da Uzabase aos seus investidores, “a receita do Quartz subiu de 18,6 milhões de dólares, em 2015, para os 30 milhões em 2016, mas depois desceu para os 27,6 milhões em 2017”. (...)

 

Mais informação no artigo aqui citado, no NiemanLab.

Connosco
António Carrapatoso: concorrência distorcida em comunicação social fraca Ver galeria

O País “que vai a votos” não está bem, segundo António Carrapatoso, e a sua comunicação social também não está.
Nosso mais recente convidado, o gestor e empresário António Carrapatoso afirmou que o País “não está bem” porque a forma como a sociedade está organizada e funciona “não permite aproveitar e desenvolver as capacidades dos portugueses”.

Quanto à comunicação social que temos, definiu-a como “uma instituição fraca, que não cumpre suficientemente o seu papel do ponto de vista do interesse do cidadão” , por não ser suficentemente independente, inovadora e diversificada.
“A sua qualidade, acutilância, capacidade de investigação, de escrutínio e explicativa, estão aquém do desejável”  - disse.

Sobre as causas desta situação, a seguir à reduzida dimensão do mercado, apontou a “concorrência distorcida”, as deficiências da regulação e legislação e motivos de outra ordem:

Em sua opinião, não se faz mais para mudar porque “muitos partidos e líderes políticos estão contentes com a situação actual, não querem uma comunicação social verdadeiramente independente, investigadora, escrutinadora e qualificada”;  e ainda porque os próprios cidadãos “não ligam assim tanto à importância da comunicação social”  - motivo porque também "não fazem subscrições que poderiam fazer".
ERC aprova e Rádio Observador vai começar a emitir "muito em breve" Ver galeria

A Rádio Observador, cujo lançamento esteve previsto para a data do quinto aniversário do diário digital com o mesmo título, a 22 de Maio, vai finalmente entrar em funcionamento. Segundo notícia que citamos do jornal Observador, a transmissão será em 98.7 FM, na Grande Lisboa, “a curto prazo também no Porto e noutras zonas do país, e online”.

Conforme também aqui foi referido, o projecto já estava pronto naquela data, “faltando apenas o ‘visto’ da ERC, entidade à qual compete por lei autorizar a nova estação”. Poucos dias depois, a 28 de Maio, era assinada a Deliberação ERC/2019/150 [AUT-R], que autoriza as alterações solicitadas pela sociedade Observador on Time, S.A., para criar a Rádio Observador, a partir da antiga Rádio Baía – Sociedade de Radiodifusão, Lda.

A notícia do Observador não indica ainda a data exacta do início de emissão, mas conclui que “muito em breve teremos mais novidades. Estamos quase no ar.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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