Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Fórum

Quando os Media apostam nas vendas "online" como negócio

Vários grandes editores, como os grupos Meredith e Hearst, dos EUA, ou as revistas Future e New York, estão a apostar em secções de análise, provas e recomendações sobre toda a espécie de produtos, associadas à possibilidade de serem adquiridos por compra online. Curiosamente, dos doze modelos propostos como de sucesso comprovado, no relatório mundial Innovation in Media 2019-2020, da FIPP, o segundo (logo a seguir às assinaturas) tem a ver com os conteúdos patrocinados.

É irónico que isto suceda num tempo em que, precisamente, alguns dos jornais de maior prestígio e dimensão estejam a valorizar, com bons resultados, a adesão de leitores contribuintes.

Mas “a combinação de um aconselhamento honesto e imparcial e a possibilidade de compra dos produtos recomendados de modo simples está a dar crescentes resultados positivos”.

A reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

A secção The Strategist, da revista New York, lançada em Novembro de 2016, tem uma equipa de editores a produzirem três artigos por dia, que são publicados nos vários sites de The New York Magazine. Estes editores deixam-se conduzir, com frequência, por produtos que são procurados pelo público, fazem a sua análise e publicam recomendações. As receitas da editora, por esta secção de vendas, triplicaram de 2017 para 2018. 

A Meredith, por exemplo, tem muito êxito com a venda de produtos de alimentação baseados em receitas publicadas nos seus sites. No ano passado, associou-se com a eMeals, uma aplicação que planifica e oferece menus seleccionados. O público pode guardar receitas e gerar automaticamente listas de compras semanais com os respectivos ingredientes. (...) 

Também a Hearst tem uma equipa de estudos e recomendações de produtos que colabora com vários dos títulos do Grupo, para experimentar e recomendar ideias de produtos. 

A revista Future tem uma carteira de 50 marcas em electrónica de consumo, música e fotografia, com comércio electrónico associado. 

“É cada vez mais evidente”  - acrescenta o autor -  “que os editores de prestígio têm uma vantagem sensível sobre as marcas, na hora de analizar e recomendar produtos.” 

O comércio electrónico está a disparar por todo o lado. Segundo a eMarketer, “as vendas por eCommerce representaram, no ano passado, 10,2% das vendas mundiais a retalho e prevê-se que cheguem aos 17,2% em 2021”. 

Outro relatório, da Javelin Strategy & Research, calcula que “o eCommerce por meio dos dispositivos móveis vai crescer até aos 319 mil milhões de dólares em 2020, representando então 49% do comércio total electrónico, comparando com os 29% de 2015”. 

O autor termina remetendo para um artigo do jornalista Simon Owens sobre a posição da Amazon nesta matéria, e o interesse que suscita junto de alguns editores.

 

O artigo do editor da Media-tics. Mais informação sobre a Amazon, bem como sobre o relatório Innovation in Media 2019-2020.

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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