Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Fórum

Quando os Media apostam nas vendas "online" como negócio

Vários grandes editores, como os grupos Meredith e Hearst, dos EUA, ou as revistas Future e New York, estão a apostar em secções de análise, provas e recomendações sobre toda a espécie de produtos, associadas à possibilidade de serem adquiridos por compra online. Curiosamente, dos doze modelos propostos como de sucesso comprovado, no relatório mundial Innovation in Media 2019-2020, da FIPP, o segundo (logo a seguir às assinaturas) tem a ver com os conteúdos patrocinados.

É irónico que isto suceda num tempo em que, precisamente, alguns dos jornais de maior prestígio e dimensão estejam a valorizar, com bons resultados, a adesão de leitores contribuintes.

Mas “a combinação de um aconselhamento honesto e imparcial e a possibilidade de compra dos produtos recomendados de modo simples está a dar crescentes resultados positivos”.

A reflexão é de Miguel Ormaetxea, editor de Media-tics.

A secção The Strategist, da revista New York, lançada em Novembro de 2016, tem uma equipa de editores a produzirem três artigos por dia, que são publicados nos vários sites de The New York Magazine. Estes editores deixam-se conduzir, com frequência, por produtos que são procurados pelo público, fazem a sua análise e publicam recomendações. As receitas da editora, por esta secção de vendas, triplicaram de 2017 para 2018. 

A Meredith, por exemplo, tem muito êxito com a venda de produtos de alimentação baseados em receitas publicadas nos seus sites. No ano passado, associou-se com a eMeals, uma aplicação que planifica e oferece menus seleccionados. O público pode guardar receitas e gerar automaticamente listas de compras semanais com os respectivos ingredientes. (...) 

Também a Hearst tem uma equipa de estudos e recomendações de produtos que colabora com vários dos títulos do Grupo, para experimentar e recomendar ideias de produtos. 

A revista Future tem uma carteira de 50 marcas em electrónica de consumo, música e fotografia, com comércio electrónico associado. 

“É cada vez mais evidente”  - acrescenta o autor -  “que os editores de prestígio têm uma vantagem sensível sobre as marcas, na hora de analizar e recomendar produtos.” 

O comércio electrónico está a disparar por todo o lado. Segundo a eMarketer, “as vendas por eCommerce representaram, no ano passado, 10,2% das vendas mundiais a retalho e prevê-se que cheguem aos 17,2% em 2021”. 

Outro relatório, da Javelin Strategy & Research, calcula que “o eCommerce por meio dos dispositivos móveis vai crescer até aos 319 mil milhões de dólares em 2020, representando então 49% do comércio total electrónico, comparando com os 29% de 2015”. 

O autor termina remetendo para um artigo do jornalista Simon Owens sobre a posição da Amazon nesta matéria, e o interesse que suscita junto de alguns editores.

 

O artigo do editor da Media-tics. Mais informação sobre a Amazon, bem como sobre o relatório Innovation in Media 2019-2020.

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

De acordo com Torres, o volume e a nocividade das informações propagadas através dos “media” digitais, são o reflexo de formatos comunicacionais imersos num “ecossistema” que favorece a desinformação.

Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

A era digital e a revolução tecnológica vieram alterar o panorama do jornalismo. Se, anteriormente, os jornalistas apenas tinham de  preocupar-se com o conteúdo produzido na redacção onde trabalhavam, hoje, terão de manter-se competitivos com outras plataformas, e escrever com base nos artigos de outros jornais.

Muitos jornalistas, da chamada “velha guarda”, ainda não  conseguiram adaptar-se à nova realidade, e continuam a depender de uma cultura profissional baseada num jornalismo linear e sequencial, o que impede, por vezes, a tão desejada diversidade dos formatos de apresentação informativa.

O jornalista Carlos Castilho, especializado em “media” digitais, escreveu um artigo para o “Observatório da Imprensa”, no qual reflecte sobre a urgência de adaptação aos novos modelos. 

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...