Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Altice volta a separar revista e site

A Altice continua a reduzir a sua presença no jornalismo em papel. Depois de ter fechado a edição impressa de À nous Paris, e de ter vendido, em Fevereiro, a maioria do capital de L’Express a Alain Weill (ele mesmo director-executivo do ramo Altice France), o referido Grupo está agora em negociações com a Alchimie Média para lhe ceder a sua revista informática 01Net.

A notícia preocupa os 17 trabalhadores da 01Net Magazine, que têm dúvidas sobre a solidez financeira da Alchimie Médias. Por este caminho, a Altice vai ficar em breve com apenas dois títulos impressos: a revista MyCuisine e o diário Libération  -  sobre o qual já correram também, segundo Le Journal du Dimanche, boatos de uma possível alienação.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, a agência de conteúdos Alchimie Média já trabalha, em grande parte, para o Grupo Altice, ocupando-se da redacção dos números especiais da 01Net, bem como de duas dezenas de páginas da revista, sob a direcção da respectiva chefia da redacção. 

“A Alchimie Média foi criada em 2008 por antigos quadros do grupo de Imprensa Future France, que editava, na altura, revistas sobre os jogos de vídeo  Joypad, Joystick e Consoles+.”

 

Segundo os últimos resultados financeiros conhecidos, a agência tinha conseguido em 2015 um volume de negócios de 408 mil euros. Em 2017, a revista 01Net valia 6,87 milhões, com um lucro de 559 mil euros.

 

E esta venda não diz respeito apenas à revista impressa. O site de informação tecnológica especializada  01Net continua, por seu lado, ligado ao Grupo Altice. O diário Le Figaro descreve a “história movimentada desta marca”, com com os dois títulos, o impresso e o digital, a mudarem de proprietários e a separarem-se, para se reencontrarem em 2018... e para se afastarem novamente, passado um ano.

 

Com a Altice a manter o site 01Net.com, o comprador da revista “não poderá desenvolver o site Internet em torno da marca”.

 

“Uma solução seria mudarmos de nome”  - sublinham os representantes da redacção -  “mas isso seria um investimento muito pesado”.

Por sua vez, um porta-voz da Altice vai dizendo que a revista é rentável mas as receitas tendem a descer:

“Precisa de um foco de gestão para se reerguer, o qual não podemos proprocionar-lhe.”

 

Os trabalhadores temem, assim, que esta venda possa ser, na realidade, “uma liquidação disfarçada” da revista.

 

 

Mais informação em Le Figaro,  e o processo recente de L’Express no nosso site.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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