Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Altice volta a separar revista e site

A Altice continua a reduzir a sua presença no jornalismo em papel. Depois de ter fechado a edição impressa de À nous Paris, e de ter vendido, em Fevereiro, a maioria do capital de L’Express a Alain Weill (ele mesmo director-executivo do ramo Altice France), o referido Grupo está agora em negociações com a Alchimie Média para lhe ceder a sua revista informática 01Net.

A notícia preocupa os 17 trabalhadores da 01Net Magazine, que têm dúvidas sobre a solidez financeira da Alchimie Médias. Por este caminho, a Altice vai ficar em breve com apenas dois títulos impressos: a revista MyCuisine e o diário Libération  -  sobre o qual já correram também, segundo Le Journal du Dimanche, boatos de uma possível alienação.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, a agência de conteúdos Alchimie Média já trabalha, em grande parte, para o Grupo Altice, ocupando-se da redacção dos números especiais da 01Net, bem como de duas dezenas de páginas da revista, sob a direcção da respectiva chefia da redacção. 

“A Alchimie Média foi criada em 2008 por antigos quadros do grupo de Imprensa Future France, que editava, na altura, revistas sobre os jogos de vídeo  Joypad, Joystick e Consoles+.”

 

Segundo os últimos resultados financeiros conhecidos, a agência tinha conseguido em 2015 um volume de negócios de 408 mil euros. Em 2017, a revista 01Net valia 6,87 milhões, com um lucro de 559 mil euros.

 

E esta venda não diz respeito apenas à revista impressa. O site de informação tecnológica especializada  01Net continua, por seu lado, ligado ao Grupo Altice. O diário Le Figaro descreve a “história movimentada desta marca”, com com os dois títulos, o impresso e o digital, a mudarem de proprietários e a separarem-se, para se reencontrarem em 2018... e para se afastarem novamente, passado um ano.

 

Com a Altice a manter o site 01Net.com, o comprador da revista “não poderá desenvolver o site Internet em torno da marca”.

 

“Uma solução seria mudarmos de nome”  - sublinham os representantes da redacção -  “mas isso seria um investimento muito pesado”.

Por sua vez, um porta-voz da Altice vai dizendo que a revista é rentável mas as receitas tendem a descer:

“Precisa de um foco de gestão para se reerguer, o qual não podemos proprocionar-lhe.”

 

Os trabalhadores temem, assim, que esta venda possa ser, na realidade, “uma liquidação disfarçada” da revista.

 

 

Mais informação em Le Figaro,  e o processo recente de L’Express no nosso site.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
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