Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Altice volta a separar revista e site

A Altice continua a reduzir a sua presença no jornalismo em papel. Depois de ter fechado a edição impressa de À nous Paris, e de ter vendido, em Fevereiro, a maioria do capital de L’Express a Alain Weill (ele mesmo director-executivo do ramo Altice France), o referido Grupo está agora em negociações com a Alchimie Média para lhe ceder a sua revista informática 01Net.

A notícia preocupa os 17 trabalhadores da 01Net Magazine, que têm dúvidas sobre a solidez financeira da Alchimie Médias. Por este caminho, a Altice vai ficar em breve com apenas dois títulos impressos: a revista MyCuisine e o diário Libération  -  sobre o qual já correram também, segundo Le Journal du Dimanche, boatos de uma possível alienação.

Segundo Le Figaro, que aqui citamos, a agência de conteúdos Alchimie Média já trabalha, em grande parte, para o Grupo Altice, ocupando-se da redacção dos números especiais da 01Net, bem como de duas dezenas de páginas da revista, sob a direcção da respectiva chefia da redacção. 

“A Alchimie Média foi criada em 2008 por antigos quadros do grupo de Imprensa Future France, que editava, na altura, revistas sobre os jogos de vídeo  Joypad, Joystick e Consoles+.”

 

Segundo os últimos resultados financeiros conhecidos, a agência tinha conseguido em 2015 um volume de negócios de 408 mil euros. Em 2017, a revista 01Net valia 6,87 milhões, com um lucro de 559 mil euros.

 

E esta venda não diz respeito apenas à revista impressa. O site de informação tecnológica especializada  01Net continua, por seu lado, ligado ao Grupo Altice. O diário Le Figaro descreve a “história movimentada desta marca”, com com os dois títulos, o impresso e o digital, a mudarem de proprietários e a separarem-se, para se reencontrarem em 2018... e para se afastarem novamente, passado um ano.

 

Com a Altice a manter o site 01Net.com, o comprador da revista “não poderá desenvolver o site Internet em torno da marca”.

 

“Uma solução seria mudarmos de nome”  - sublinham os representantes da redacção -  “mas isso seria um investimento muito pesado”.

Por sua vez, um porta-voz da Altice vai dizendo que a revista é rentável mas as receitas tendem a descer:

“Precisa de um foco de gestão para se reerguer, o qual não podemos proprocionar-lhe.”

 

Os trabalhadores temem, assim, que esta venda possa ser, na realidade, “uma liquidação disfarçada” da revista.

 

 

Mais informação em Le Figaro,  e o processo recente de L’Express no nosso site.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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