Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

O desafio de ganhar audiência sem perder qualidade

Quando chegou a Internet, a maioria dos jornais desdobrou a redacção em duas, com uma especializada na edição digital; mas a maior parte do material publicado era o mesmo da edição impressa.

Numa segunda fase, estas duas redacções fundiram-se, em quase todos os grandes jornais, porque, afinal de contas, “a única coisa que mudava era o canal de distribuição e não tanto o conteúdo”.

Mas a remodelação em curso no diário argentino Clarín voltou à repartição, desta vez em três grupos: “um tem a seu cargo a produção de conteúdos de alta qualidade, outro visa as audiências de massa que a Internet proporciona, e o terceiro ocupa-se da edição impressa”.

Segundo Media-tics, que aqui citamos, o projecto reune dentro de cada um destes grupos uma parte das temáticas de que o Clarín faz cobertura: 

“Assim, a redacção encarregada do ‘conteúdo original’ terá sob sua responsabilidade as secções de Nacional, Internacional, Desporto, Cultura, Economia e Viagens, entre outras; a das ‘notícias comuns’ vai tratar o que vem da agenda, notícias de desporto de última hora, redes sociais, temas ‘virais’, fotografia e outros conteúdos focados para melhorar a posição nos motores de busca do digital; por fim, a parte do ‘impresso’ vai aglutinar conteúdos dos outros dois ramos da redacção, bem como as secções de desenho, fecho, arquivo ou opinião  - tratando também das revistas editadas pelo grupo.” 

A fim de tirar o melhor partido possível da transição do papel ao digital, o diário argentino passa a ter um Departamento de Gestão Digital apontado a conquistar e fidelizar o maior número de assinantes. 

O Clarín conta com 16 milhões de utentes únicos por mês, segundo dados da com.Score. Tem ainda 1,7 milhões de pessoas registadas, das quais 173 mil são pagantes. O jornal apostou no registo gratuito dos seus leitores como forma de fidelização, tendo em vista o futuro trânsito desses utentes a modelos de assinatura paga. 

Para o conseguir, “o crescimento desta audiência maciça é igualmente fundamental”, como aponta o diário, mas sem descurar “a qualidade dos conteúdos, independentemente da necessária busca de volume, que por vezes provoca o efeito contrário”. (...)

“Quanto mais qualidade tenha o diário impresso, mais fácil será a transformação digital. (...)  Temos que oferecer um produto digital e um produto impresso do mesmo valor.” (...)

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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