Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

O desafio de ganhar audiência sem perder qualidade

Quando chegou a Internet, a maioria dos jornais desdobrou a redacção em duas, com uma especializada na edição digital; mas a maior parte do material publicado era o mesmo da edição impressa.

Numa segunda fase, estas duas redacções fundiram-se, em quase todos os grandes jornais, porque, afinal de contas, “a única coisa que mudava era o canal de distribuição e não tanto o conteúdo”.

Mas a remodelação em curso no diário argentino Clarín voltou à repartição, desta vez em três grupos: “um tem a seu cargo a produção de conteúdos de alta qualidade, outro visa as audiências de massa que a Internet proporciona, e o terceiro ocupa-se da edição impressa”.

Segundo Media-tics, que aqui citamos, o projecto reune dentro de cada um destes grupos uma parte das temáticas de que o Clarín faz cobertura: 

“Assim, a redacção encarregada do ‘conteúdo original’ terá sob sua responsabilidade as secções de Nacional, Internacional, Desporto, Cultura, Economia e Viagens, entre outras; a das ‘notícias comuns’ vai tratar o que vem da agenda, notícias de desporto de última hora, redes sociais, temas ‘virais’, fotografia e outros conteúdos focados para melhorar a posição nos motores de busca do digital; por fim, a parte do ‘impresso’ vai aglutinar conteúdos dos outros dois ramos da redacção, bem como as secções de desenho, fecho, arquivo ou opinião  - tratando também das revistas editadas pelo grupo.” 

A fim de tirar o melhor partido possível da transição do papel ao digital, o diário argentino passa a ter um Departamento de Gestão Digital apontado a conquistar e fidelizar o maior número de assinantes. 

O Clarín conta com 16 milhões de utentes únicos por mês, segundo dados da com.Score. Tem ainda 1,7 milhões de pessoas registadas, das quais 173 mil são pagantes. O jornal apostou no registo gratuito dos seus leitores como forma de fidelização, tendo em vista o futuro trânsito desses utentes a modelos de assinatura paga. 

Para o conseguir, “o crescimento desta audiência maciça é igualmente fundamental”, como aponta o diário, mas sem descurar “a qualidade dos conteúdos, independentemente da necessária busca de volume, que por vezes provoca o efeito contrário”. (...)

“Quanto mais qualidade tenha o diário impresso, mais fácil será a transformação digital. (...)  Temos que oferecer um produto digital e um produto impresso do mesmo valor.” (...)

 

Mais informação em Media-tics

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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