Sábado, 30 de Maio, 2020
Estudo

Twitter procura não ser o "epicentro do assédio digital"

O Twitter é um ecossistema com mais de 330 milhões de utentes, mas a maioria deles não manda tweets. A plataforma procura converter-se num epicentro de informação em tempo real, incluindo emissões de TV em directo, “para aumentar o tempo de permanência e assim valorizar a sua publicidade”. Acaba de anunciar 190 milhões de dólares em lucros no primeiro trimestre deste ano, e espera recolher 830 no segundo.

O regresso de Jack Dorsey, um dos fundadores, está a dar frutos: foi aumentado o número de caracteres em cada tweet, estão a ser comprados conteúdos para emissão em directo  - e já recorre ao fecho de contas, dantes “identificado com uma censura que não queriam na plataforma, mas que, pelo seu radicalismo, ironicamente dava asas aos radicais”.

Se isto vai resolver os seus problemas de liderança e de má imagem, está ainda por ver. A informação é de Media-tics.

Segundo o texto que aqui citamos, a plataforma “é polémica, errática e desesperante; mas é também uma revolução na forma de comunicar e receber informação”. 

“O Twitter diz muito sobre o nosso tempo: é fugaz, mas com permanência; é breve, mas pode ser ampliada até ao infinito; é um poço de ódio e de lixo, mas também um cofre de verdadeiras jóias.” 

“Teve grande aceitação desde o início, e mostrou que pode ser realmente útil, mas, por alguma razão, também viram o mesmo os trolls de todas as tendências. Desde os mais inocentes, os inadaptados sociais que se babam em curtas e efémeras mensagens que lançam ao mundo para se sentirem melhor, até aos mais perigosos, apoiados por Estados que encontram nesta e noutras plataformas a arma definitiva para abalar as democracias que não conseguem nem desejam ser.” (...) 

O Twitter tornou-se “epicentro do assédio digital mais impune e descarado, apesar dos esforços da empresa para se posicionar com uma plataforma de difusão e intercâmbio de informação, incluindo emissões em directo para potenciar a sua aposta em vídeos de qualidade”. (...) 

Diz-se que a Disney se recusou a adquiri-la “porque não queria incluir no seu catálogo um poço de ódio e assédio incompatível com os seus parques temáticos e filmes de fantasia e de ilusão”. (...) 

Segundo o estudo We Are Social 2019, há em Espanha seis milhões de utentes do Twitter, na sua maioria homens (64%); mas as mulheres, com 36%, “são mais activas e, sobretudo, educadas”. 

“A maioria tem mais de 24 anos de idade, dois terços têm estudos superiores e 40% têm um nível de compra acima da média do país  - segundo outro estudo, da Kantar Media de 2018.” (...) 

Mas a Espanha não é o país mais “tuiteito”  - é o sexto (embora a língua espanhola seja rainha na plataforma). A liderança pertence aos EUA, seguidos do Japão e do Reino Unido  - segundo o Pew Research Center.

 

Mais informação em Media-tics  e no Pew Research Center

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Numa era digital, marcada por uma constante e acelerada mudança, caracterizada por um globalismo padronizador de culturas e de costumes, muitas indústrias e profissões estão a alterar-se totalmente, ou até mesmo a desaparecer. Tudo isto se passa num ritmo freneticamente acelerado, que nos afoga literalmente num caudal de informação, muitas vezes difícil de filtrar e descodificar em tempo útil. A evolução...
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas