Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Estudo

Twitter procura não ser o "epicentro do assédio digital"

O Twitter é um ecossistema com mais de 330 milhões de utentes, mas a maioria deles não manda tweets. A plataforma procura converter-se num epicentro de informação em tempo real, incluindo emissões de TV em directo, “para aumentar o tempo de permanência e assim valorizar a sua publicidade”. Acaba de anunciar 190 milhões de dólares em lucros no primeiro trimestre deste ano, e espera recolher 830 no segundo.

O regresso de Jack Dorsey, um dos fundadores, está a dar frutos: foi aumentado o número de caracteres em cada tweet, estão a ser comprados conteúdos para emissão em directo  - e já recorre ao fecho de contas, dantes “identificado com uma censura que não queriam na plataforma, mas que, pelo seu radicalismo, ironicamente dava asas aos radicais”.

Se isto vai resolver os seus problemas de liderança e de má imagem, está ainda por ver. A informação é de Media-tics.

Segundo o texto que aqui citamos, a plataforma “é polémica, errática e desesperante; mas é também uma revolução na forma de comunicar e receber informação”. 

“O Twitter diz muito sobre o nosso tempo: é fugaz, mas com permanência; é breve, mas pode ser ampliada até ao infinito; é um poço de ódio e de lixo, mas também um cofre de verdadeiras jóias.” 

“Teve grande aceitação desde o início, e mostrou que pode ser realmente útil, mas, por alguma razão, também viram o mesmo os trolls de todas as tendências. Desde os mais inocentes, os inadaptados sociais que se babam em curtas e efémeras mensagens que lançam ao mundo para se sentirem melhor, até aos mais perigosos, apoiados por Estados que encontram nesta e noutras plataformas a arma definitiva para abalar as democracias que não conseguem nem desejam ser.” (...) 

O Twitter tornou-se “epicentro do assédio digital mais impune e descarado, apesar dos esforços da empresa para se posicionar com uma plataforma de difusão e intercâmbio de informação, incluindo emissões em directo para potenciar a sua aposta em vídeos de qualidade”. (...) 

Diz-se que a Disney se recusou a adquiri-la “porque não queria incluir no seu catálogo um poço de ódio e assédio incompatível com os seus parques temáticos e filmes de fantasia e de ilusão”. (...) 

Segundo o estudo We Are Social 2019, há em Espanha seis milhões de utentes do Twitter, na sua maioria homens (64%); mas as mulheres, com 36%, “são mais activas e, sobretudo, educadas”. 

“A maioria tem mais de 24 anos de idade, dois terços têm estudos superiores e 40% têm um nível de compra acima da média do país  - segundo outro estudo, da Kantar Media de 2018.” (...) 

Mas a Espanha não é o país mais “tuiteito”  - é o sexto (embora a língua espanhola seja rainha na plataforma). A liderança pertence aos EUA, seguidos do Japão e do Reino Unido  - segundo o Pew Research Center.

 

Mais informação em Media-tics  e no Pew Research Center

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set