Sábado, 25 de Maio, 2019
Estudo

Twitter procura não ser o "epicentro do assédio digital"

O Twitter é um ecossistema com mais de 330 milhões de utentes, mas a maioria deles não manda tweets. A plataforma procura converter-se num epicentro de informação em tempo real, incluindo emissões de TV em directo, “para aumentar o tempo de permanência e assim valorizar a sua publicidade”. Acaba de anunciar 190 milhões de dólares em lucros no primeiro trimestre deste ano, e espera recolher 830 no segundo.

O regresso de Jack Dorsey, um dos fundadores, está a dar frutos: foi aumentado o número de caracteres em cada tweet, estão a ser comprados conteúdos para emissão em directo  - e já recorre ao fecho de contas, dantes “identificado com uma censura que não queriam na plataforma, mas que, pelo seu radicalismo, ironicamente dava asas aos radicais”.

Se isto vai resolver os seus problemas de liderança e de má imagem, está ainda por ver. A informação é de Media-tics.

Segundo o texto que aqui citamos, a plataforma “é polémica, errática e desesperante; mas é também uma revolução na forma de comunicar e receber informação”. 

“O Twitter diz muito sobre o nosso tempo: é fugaz, mas com permanência; é breve, mas pode ser ampliada até ao infinito; é um poço de ódio e de lixo, mas também um cofre de verdadeiras jóias.” 

“Teve grande aceitação desde o início, e mostrou que pode ser realmente útil, mas, por alguma razão, também viram o mesmo os trolls de todas as tendências. Desde os mais inocentes, os inadaptados sociais que se babam em curtas e efémeras mensagens que lançam ao mundo para se sentirem melhor, até aos mais perigosos, apoiados por Estados que encontram nesta e noutras plataformas a arma definitiva para abalar as democracias que não conseguem nem desejam ser.” (...) 

O Twitter tornou-se “epicentro do assédio digital mais impune e descarado, apesar dos esforços da empresa para se posicionar com uma plataforma de difusão e intercâmbio de informação, incluindo emissões em directo para potenciar a sua aposta em vídeos de qualidade”. (...) 

Diz-se que a Disney se recusou a adquiri-la “porque não queria incluir no seu catálogo um poço de ódio e assédio incompatível com os seus parques temáticos e filmes de fantasia e de ilusão”. (...) 

Segundo o estudo We Are Social 2019, há em Espanha seis milhões de utentes do Twitter, na sua maioria homens (64%); mas as mulheres, com 36%, “são mais activas e, sobretudo, educadas”. 

“A maioria tem mais de 24 anos de idade, dois terços têm estudos superiores e 40% têm um nível de compra acima da média do país  - segundo outro estudo, da Kantar Media de 2018.” (...) 

Mas a Espanha não é o país mais “tuiteito”  - é o sexto (embora a língua espanhola seja rainha na plataforma). A liderança pertence aos EUA, seguidos do Japão e do Reino Unido  - segundo o Pew Research Center.

 

Mais informação em Media-tics  e no Pew Research Center

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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