Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

Twitter procura não ser o "epicentro do assédio digital"

O Twitter é um ecossistema com mais de 330 milhões de utentes, mas a maioria deles não manda tweets. A plataforma procura converter-se num epicentro de informação em tempo real, incluindo emissões de TV em directo, “para aumentar o tempo de permanência e assim valorizar a sua publicidade”. Acaba de anunciar 190 milhões de dólares em lucros no primeiro trimestre deste ano, e espera recolher 830 no segundo.

O regresso de Jack Dorsey, um dos fundadores, está a dar frutos: foi aumentado o número de caracteres em cada tweet, estão a ser comprados conteúdos para emissão em directo  - e já recorre ao fecho de contas, dantes “identificado com uma censura que não queriam na plataforma, mas que, pelo seu radicalismo, ironicamente dava asas aos radicais”.

Se isto vai resolver os seus problemas de liderança e de má imagem, está ainda por ver. A informação é de Media-tics.

Segundo o texto que aqui citamos, a plataforma “é polémica, errática e desesperante; mas é também uma revolução na forma de comunicar e receber informação”. 

“O Twitter diz muito sobre o nosso tempo: é fugaz, mas com permanência; é breve, mas pode ser ampliada até ao infinito; é um poço de ódio e de lixo, mas também um cofre de verdadeiras jóias.” 

“Teve grande aceitação desde o início, e mostrou que pode ser realmente útil, mas, por alguma razão, também viram o mesmo os trolls de todas as tendências. Desde os mais inocentes, os inadaptados sociais que se babam em curtas e efémeras mensagens que lançam ao mundo para se sentirem melhor, até aos mais perigosos, apoiados por Estados que encontram nesta e noutras plataformas a arma definitiva para abalar as democracias que não conseguem nem desejam ser.” (...) 

O Twitter tornou-se “epicentro do assédio digital mais impune e descarado, apesar dos esforços da empresa para se posicionar com uma plataforma de difusão e intercâmbio de informação, incluindo emissões em directo para potenciar a sua aposta em vídeos de qualidade”. (...) 

Diz-se que a Disney se recusou a adquiri-la “porque não queria incluir no seu catálogo um poço de ódio e assédio incompatível com os seus parques temáticos e filmes de fantasia e de ilusão”. (...) 

Segundo o estudo We Are Social 2019, há em Espanha seis milhões de utentes do Twitter, na sua maioria homens (64%); mas as mulheres, com 36%, “são mais activas e, sobretudo, educadas”. 

“A maioria tem mais de 24 anos de idade, dois terços têm estudos superiores e 40% têm um nível de compra acima da média do país  - segundo outro estudo, da Kantar Media de 2018.” (...) 

Mas a Espanha não é o país mais “tuiteito”  - é o sexto (embora a língua espanhola seja rainha na plataforma). A liderança pertence aos EUA, seguidos do Japão e do Reino Unido  - segundo o Pew Research Center.

 

Mais informação em Media-tics  e no Pew Research Center

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
Agenda
19
Set
Local Media Fal(l) School
09:00 @ Covilhã
23
Set
Radio Broadcasters Convention of Southern Africa
09:00 @ Johannesburg, África do Sul
24
Set
Radio Show
09:00 @ Hilton Anatole, Dallas, EUA
07
Out