Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

Mais jornalistas assassinados

Uma jornalista afegã foi morta a tiro em Kabul, na rua, enquanto aguardava o carro que a levaria ao Wolesi Joriga, a câmara baixa do Parlamento do Afeganistão, onde trabalhava como conselheira cultural. Mina Mangal, muito conhecida como apresentadora de televisão, era “uma notória defensora da educação feminina e uma combatente activa contra a prática de casamentos forçados”.

Segundo testemunhas citadas pela RadioFreeEurope, dois homens aproximaram-se numa mota, dispararam para o ar, para dispersarem os circunstantes, e abateram-na com tiros no peito.

“A polícia de Kabul ainda não tem suspeitos, nem revela se há motivações terroristas no assassinato, que não foi reivindicado.”

Também no vizinho Paquistão, o assassínio do jornalista Malik Amanullah Khan, morto há pouco de mais de uma semana da mesma forma, continua sem avanço no inquérito oficial nem quaisquer suspeitos conhecidos  - segundo os Repórteres sem Fronteiras.

Segundo o Observador, que aqui citamos, a jornalista afegã Mina Mangal, que “só este mês se divorciou do homem com quem foi obrigada a casar em 2017”, era conhecida por uma carreira de mais de dez anos como apresentadora em canais de televisão locais como a LEMAR TV, Shamshad News e Ariana TV

A Reuters adianta que estava a receber ameaças de morte há várias semanas. A própria jornalista falara disso nas suas páginas de redes sociais. 

O jornalista paquistanês Malik Khan era conhecido por tratar frontalmente as problemáticas sociais e políticas da sua região, Khyber-Paktunkhwa. 

Mihammad Sohail Gangohi, chefe de redacção do jornal Meezan-e-Adl, onde escrevia, define-o como um repórter “extremamente corajoso”. O seu último texto, de finais de Abril, tratava precisamente de questões de respeito pelo Estado de Direito em Parowa, “onde responsáveis políticos teriam feito pressão sobre os membros da polícia para travar a investigação sobre os gangs criminosos locais”. 

Outro colega descreve-o como “um investigador particularmente obstinado”.

 

Mais informação no Observador, que cita várias outras fontes, e nos Repórteres sem Fronteiras.

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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