Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Mais jornalistas assassinados

Uma jornalista afegã foi morta a tiro em Kabul, na rua, enquanto aguardava o carro que a levaria ao Wolesi Joriga, a câmara baixa do Parlamento do Afeganistão, onde trabalhava como conselheira cultural. Mina Mangal, muito conhecida como apresentadora de televisão, era “uma notória defensora da educação feminina e uma combatente activa contra a prática de casamentos forçados”.

Segundo testemunhas citadas pela RadioFreeEurope, dois homens aproximaram-se numa mota, dispararam para o ar, para dispersarem os circunstantes, e abateram-na com tiros no peito.

“A polícia de Kabul ainda não tem suspeitos, nem revela se há motivações terroristas no assassinato, que não foi reivindicado.”

Também no vizinho Paquistão, o assassínio do jornalista Malik Amanullah Khan, morto há pouco de mais de uma semana da mesma forma, continua sem avanço no inquérito oficial nem quaisquer suspeitos conhecidos  - segundo os Repórteres sem Fronteiras.

Segundo o Observador, que aqui citamos, a jornalista afegã Mina Mangal, que “só este mês se divorciou do homem com quem foi obrigada a casar em 2017”, era conhecida por uma carreira de mais de dez anos como apresentadora em canais de televisão locais como a LEMAR TV, Shamshad News e Ariana TV

A Reuters adianta que estava a receber ameaças de morte há várias semanas. A própria jornalista falara disso nas suas páginas de redes sociais. 

O jornalista paquistanês Malik Khan era conhecido por tratar frontalmente as problemáticas sociais e políticas da sua região, Khyber-Paktunkhwa. 

Mihammad Sohail Gangohi, chefe de redacção do jornal Meezan-e-Adl, onde escrevia, define-o como um repórter “extremamente corajoso”. O seu último texto, de finais de Abril, tratava precisamente de questões de respeito pelo Estado de Direito em Parowa, “onde responsáveis políticos teriam feito pressão sobre os membros da polícia para travar a investigação sobre os gangs criminosos locais”. 

Outro colega descreve-o como “um investigador particularmente obstinado”.

 

Mais informação no Observador, que cita várias outras fontes, e nos Repórteres sem Fronteiras.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Set