Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Mais jornalistas assassinados

Uma jornalista afegã foi morta a tiro em Kabul, na rua, enquanto aguardava o carro que a levaria ao Wolesi Joriga, a câmara baixa do Parlamento do Afeganistão, onde trabalhava como conselheira cultural. Mina Mangal, muito conhecida como apresentadora de televisão, era “uma notória defensora da educação feminina e uma combatente activa contra a prática de casamentos forçados”.

Segundo testemunhas citadas pela RadioFreeEurope, dois homens aproximaram-se numa mota, dispararam para o ar, para dispersarem os circunstantes, e abateram-na com tiros no peito.

“A polícia de Kabul ainda não tem suspeitos, nem revela se há motivações terroristas no assassinato, que não foi reivindicado.”

Também no vizinho Paquistão, o assassínio do jornalista Malik Amanullah Khan, morto há pouco de mais de uma semana da mesma forma, continua sem avanço no inquérito oficial nem quaisquer suspeitos conhecidos  - segundo os Repórteres sem Fronteiras.

Segundo o Observador, que aqui citamos, a jornalista afegã Mina Mangal, que “só este mês se divorciou do homem com quem foi obrigada a casar em 2017”, era conhecida por uma carreira de mais de dez anos como apresentadora em canais de televisão locais como a LEMAR TV, Shamshad News e Ariana TV

A Reuters adianta que estava a receber ameaças de morte há várias semanas. A própria jornalista falara disso nas suas páginas de redes sociais. 

O jornalista paquistanês Malik Khan era conhecido por tratar frontalmente as problemáticas sociais e políticas da sua região, Khyber-Paktunkhwa. 

Mihammad Sohail Gangohi, chefe de redacção do jornal Meezan-e-Adl, onde escrevia, define-o como um repórter “extremamente corajoso”. O seu último texto, de finais de Abril, tratava precisamente de questões de respeito pelo Estado de Direito em Parowa, “onde responsáveis políticos teriam feito pressão sobre os membros da polícia para travar a investigação sobre os gangs criminosos locais”. 

Outro colega descreve-o como “um investigador particularmente obstinado”.

 

Mais informação no Observador, que cita várias outras fontes, e nos Repórteres sem Fronteiras.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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