Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Estudo

... e está a mudar o "cartão de visita" nos Media

O Brasil tinha uma imagem internacional bastante positiva. “Éramos tidos, para grande parte do mundo, como um país alegre, multicultural, multirracial, aberto a todos os povos e costumes. Um país de festa, de alto astral e de natureza exuberante.”

“Que fique claro que tudo isso pode ou não ser a realidade. Mas não importa, essa é a imagem que se tinha do Brasil (...) e imagem é poder  - é poder suave”.

“Este termo vem do inglês soft power, e foi cunhado nos anos 1980 pelo cientista político Joseph Nye para significar ‘a habilidade de se conseguir o que se quer pela atracção, e não pela coerção ou pagamentos’  - tendo como principal exemplo, no campo da cultura, Hollywood, que foi capaz de desestabilizar regimes fechados, como o da antiga União Soviética.”

A reflexão é de Franthiesco Ballerini, autor do livro Jornalismo Cultural no Século 21 e finalista do 60º Prémio Jabuti por ‘Poder Suave – Soft Power’. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor cita vários exemplos da História, lembrando que “a arte renascentista não só suavizou a imagem da Igreja Católica como transformou a Itália num dos maiores captadores de recursos turísticos e económicos do mundo”. 

“O ballet russo é o cartão de visitas mais utilizado por diplomatas daquele país em missão comercial mundo afora, seduzindo o mundo não com canhões ou sanções, mas com sapatilhas e arte.” 

Mais adiante, afirma: 

“O Brasil, apesar de não ter o poder da língua inglesa, o poder tecnológico japonês nem bélico russo, é um dos países que mais acumularam poder suave nas últimas décadas. Mas quase tudo está sendo dilacerado diariamente pelo poder duro (hard power) que se instalou em Brasília neste ano.” 

Franthiesco Ballerini recorda que o Carnaval brasileiro “é um de nossos mais eficientes poderes suaves, o que mais ajudou a alimentar a imagem de país aberto e amigo. Mais do que isso, o Carnaval é exibido em dezenas de países, traz turistas do mundo inteiro e muito dinheiro para a economia”. 

O autor cita então duas intervenções públicas do Presidente Jair Bolsonaro, pelas redes sociais, em plena época do Carnaval, “não para exaltar a festa” mas, no primeiro caso, “para compartilhar um vídeo no qual um rapaz tira a roupa e faz gestos obscenos num bloco de rua de São Paulo”; e, no segundo, para dizer que o Brasil não deve se tornar um “paraíso do turismo gay”. 

Critica também outras formas de “caça às bruxas” na política cultural agora no poder, citando a demissão de Mário Vilalva, presidente da APEX -  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, como “apenas a ponta do iceberg do controlo ideológico que o governo quer ter numa agência que precisa de liberdade, racionalidade e faro de negócios para trabalhar com venda e promoção de produtos culturais brasileiros mundo afora”. (...) 

Fala ainda de outros “poderes suaves” do Brasil, como a bissa nova e as telenovelas, concluindo: 

“Mas a TV Globo, hoje, é claramente de oposição ao governo. Enquanto isso, o Presidente não esconde a preferência pela TV Record. Resta saber se Bolsonaro vai tentar boicotar as exportações de telenovelas da TV Globo e dar uma ajudinha ao bispo para exportar tramas como A Terra Prometida, Jezabel e Caminhos do Coração. Mas o empurrãozinho do poder duro nem sempre é o suficiente para produtos culturais ganharem poder suave. Criatividade e liberdade precisam estar neste pacote.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa.

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



ver mais >
Opinião
As eleições americanas, bem como a pandemia provocada pelo  covid-19, têm sido dois poderosos ímanes na  cobertura mediática, e campo fértil para  o exercício do jornalismo, desde o que é   servido com rigor, àquele que obedece  apenas aos cânones  ideológicos de quem escreve. Houve tempo em que se cultivava o sagrado principio da separação da opinião e da...
No final de 2016 a Newspaper Association Of America, que representava cerca de 2000 publicações nos Estados Unidos e no Canadá, anunciou a sua transformação em News Media Alliance, reflectindo a evolução do sector e passando a incorporar as diversas plataformas em que os grupos produtores de informação qualificada se desdobraram ao longo dos últimos anos, coexistindo o papel com os formatos digitais, mas também video,...
Jornalistas: nem heróis nem vilões
Francisco Sarsfield Cabral
No  jornal “Público” de sábado,  J. Pacheco Pereira elogiou Vicente Jorge Silva porque “fez uma coisa rara entre nós – fez obra. Não tanto como jornalista, mas como criador no terreno da comunicação social”. E destacou o papel do jornal madeirense “Comércio do Funchal”, que, apesar da censura, conseguiu criticar o regime então vigente. Até ao 25 de Abril este jornal logrou,...
De acordo com Carlos Camponez , o «jornalismo de proximidade», porque realmente está mais próximo dos leitores da comunidade onde se integra, pode desempenhar um papel fundamental, «assumindo uma perspetiva de compromisso no incentivo à vida pública». Neste contexto, aquele investigador aponta para a ideia da criação de uma agenda do cidadão, o que, por sua vez, «obriga a que os media invistam em técnicas...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
02
Dez
Género e "media": desafios de Pequim
10:00 @ Conferência Internacional "Online" da SOPCOM
04
Dez
O coronavírus e o Caos estatístico
10:00 @ Conferência "online" da Universidade de Bournemouth
09
Dez
11
Dez