Sábado, 30 de Maio, 2020
Estudo

... e está a mudar o "cartão de visita" nos Media

O Brasil tinha uma imagem internacional bastante positiva. “Éramos tidos, para grande parte do mundo, como um país alegre, multicultural, multirracial, aberto a todos os povos e costumes. Um país de festa, de alto astral e de natureza exuberante.”

“Que fique claro que tudo isso pode ou não ser a realidade. Mas não importa, essa é a imagem que se tinha do Brasil (...) e imagem é poder  - é poder suave”.

“Este termo vem do inglês soft power, e foi cunhado nos anos 1980 pelo cientista político Joseph Nye para significar ‘a habilidade de se conseguir o que se quer pela atracção, e não pela coerção ou pagamentos’  - tendo como principal exemplo, no campo da cultura, Hollywood, que foi capaz de desestabilizar regimes fechados, como o da antiga União Soviética.”

A reflexão é de Franthiesco Ballerini, autor do livro Jornalismo Cultural no Século 21 e finalista do 60º Prémio Jabuti por ‘Poder Suave – Soft Power’. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor cita vários exemplos da História, lembrando que “a arte renascentista não só suavizou a imagem da Igreja Católica como transformou a Itália num dos maiores captadores de recursos turísticos e económicos do mundo”. 

“O ballet russo é o cartão de visitas mais utilizado por diplomatas daquele país em missão comercial mundo afora, seduzindo o mundo não com canhões ou sanções, mas com sapatilhas e arte.” 

Mais adiante, afirma: 

“O Brasil, apesar de não ter o poder da língua inglesa, o poder tecnológico japonês nem bélico russo, é um dos países que mais acumularam poder suave nas últimas décadas. Mas quase tudo está sendo dilacerado diariamente pelo poder duro (hard power) que se instalou em Brasília neste ano.” 

Franthiesco Ballerini recorda que o Carnaval brasileiro “é um de nossos mais eficientes poderes suaves, o que mais ajudou a alimentar a imagem de país aberto e amigo. Mais do que isso, o Carnaval é exibido em dezenas de países, traz turistas do mundo inteiro e muito dinheiro para a economia”. 

O autor cita então duas intervenções públicas do Presidente Jair Bolsonaro, pelas redes sociais, em plena época do Carnaval, “não para exaltar a festa” mas, no primeiro caso, “para compartilhar um vídeo no qual um rapaz tira a roupa e faz gestos obscenos num bloco de rua de São Paulo”; e, no segundo, para dizer que o Brasil não deve se tornar um “paraíso do turismo gay”. 

Critica também outras formas de “caça às bruxas” na política cultural agora no poder, citando a demissão de Mário Vilalva, presidente da APEX -  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, como “apenas a ponta do iceberg do controlo ideológico que o governo quer ter numa agência que precisa de liberdade, racionalidade e faro de negócios para trabalhar com venda e promoção de produtos culturais brasileiros mundo afora”. (...) 

Fala ainda de outros “poderes suaves” do Brasil, como a bissa nova e as telenovelas, concluindo: 

“Mas a TV Globo, hoje, é claramente de oposição ao governo. Enquanto isso, o Presidente não esconde a preferência pela TV Record. Resta saber se Bolsonaro vai tentar boicotar as exportações de telenovelas da TV Globo e dar uma ajudinha ao bispo para exportar tramas como A Terra Prometida, Jezabel e Caminhos do Coração. Mas o empurrãozinho do poder duro nem sempre é o suficiente para produtos culturais ganharem poder suave. Criatividade e liberdade precisam estar neste pacote.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa.

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas