Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

... e está a mudar o "cartão de visita" nos Media

O Brasil tinha uma imagem internacional bastante positiva. “Éramos tidos, para grande parte do mundo, como um país alegre, multicultural, multirracial, aberto a todos os povos e costumes. Um país de festa, de alto astral e de natureza exuberante.”

“Que fique claro que tudo isso pode ou não ser a realidade. Mas não importa, essa é a imagem que se tinha do Brasil (...) e imagem é poder  - é poder suave”.

“Este termo vem do inglês soft power, e foi cunhado nos anos 1980 pelo cientista político Joseph Nye para significar ‘a habilidade de se conseguir o que se quer pela atracção, e não pela coerção ou pagamentos’  - tendo como principal exemplo, no campo da cultura, Hollywood, que foi capaz de desestabilizar regimes fechados, como o da antiga União Soviética.”

A reflexão é de Franthiesco Ballerini, autor do livro Jornalismo Cultural no Século 21 e finalista do 60º Prémio Jabuti por ‘Poder Suave – Soft Power’. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor cita vários exemplos da História, lembrando que “a arte renascentista não só suavizou a imagem da Igreja Católica como transformou a Itália num dos maiores captadores de recursos turísticos e económicos do mundo”. 

“O ballet russo é o cartão de visitas mais utilizado por diplomatas daquele país em missão comercial mundo afora, seduzindo o mundo não com canhões ou sanções, mas com sapatilhas e arte.” 

Mais adiante, afirma: 

“O Brasil, apesar de não ter o poder da língua inglesa, o poder tecnológico japonês nem bélico russo, é um dos países que mais acumularam poder suave nas últimas décadas. Mas quase tudo está sendo dilacerado diariamente pelo poder duro (hard power) que se instalou em Brasília neste ano.” 

Franthiesco Ballerini recorda que o Carnaval brasileiro “é um de nossos mais eficientes poderes suaves, o que mais ajudou a alimentar a imagem de país aberto e amigo. Mais do que isso, o Carnaval é exibido em dezenas de países, traz turistas do mundo inteiro e muito dinheiro para a economia”. 

O autor cita então duas intervenções públicas do Presidente Jair Bolsonaro, pelas redes sociais, em plena época do Carnaval, “não para exaltar a festa” mas, no primeiro caso, “para compartilhar um vídeo no qual um rapaz tira a roupa e faz gestos obscenos num bloco de rua de São Paulo”; e, no segundo, para dizer que o Brasil não deve se tornar um “paraíso do turismo gay”. 

Critica também outras formas de “caça às bruxas” na política cultural agora no poder, citando a demissão de Mário Vilalva, presidente da APEX -  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, como “apenas a ponta do iceberg do controlo ideológico que o governo quer ter numa agência que precisa de liberdade, racionalidade e faro de negócios para trabalhar com venda e promoção de produtos culturais brasileiros mundo afora”. (...) 

Fala ainda de outros “poderes suaves” do Brasil, como a bissa nova e as telenovelas, concluindo: 

“Mas a TV Globo, hoje, é claramente de oposição ao governo. Enquanto isso, o Presidente não esconde a preferência pela TV Record. Resta saber se Bolsonaro vai tentar boicotar as exportações de telenovelas da TV Globo e dar uma ajudinha ao bispo para exportar tramas como A Terra Prometida, Jezabel e Caminhos do Coração. Mas o empurrãozinho do poder duro nem sempre é o suficiente para produtos culturais ganharem poder suave. Criatividade e liberdade precisam estar neste pacote.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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