Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Estudo

... e está a mudar o "cartão de visita" nos Media

O Brasil tinha uma imagem internacional bastante positiva. “Éramos tidos, para grande parte do mundo, como um país alegre, multicultural, multirracial, aberto a todos os povos e costumes. Um país de festa, de alto astral e de natureza exuberante.”

“Que fique claro que tudo isso pode ou não ser a realidade. Mas não importa, essa é a imagem que se tinha do Brasil (...) e imagem é poder  - é poder suave”.

“Este termo vem do inglês soft power, e foi cunhado nos anos 1980 pelo cientista político Joseph Nye para significar ‘a habilidade de se conseguir o que se quer pela atracção, e não pela coerção ou pagamentos’  - tendo como principal exemplo, no campo da cultura, Hollywood, que foi capaz de desestabilizar regimes fechados, como o da antiga União Soviética.”

A reflexão é de Franthiesco Ballerini, autor do livro Jornalismo Cultural no Século 21 e finalista do 60º Prémio Jabuti por ‘Poder Suave – Soft Power’. No Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O autor cita vários exemplos da História, lembrando que “a arte renascentista não só suavizou a imagem da Igreja Católica como transformou a Itália num dos maiores captadores de recursos turísticos e económicos do mundo”. 

“O ballet russo é o cartão de visitas mais utilizado por diplomatas daquele país em missão comercial mundo afora, seduzindo o mundo não com canhões ou sanções, mas com sapatilhas e arte.” 

Mais adiante, afirma: 

“O Brasil, apesar de não ter o poder da língua inglesa, o poder tecnológico japonês nem bélico russo, é um dos países que mais acumularam poder suave nas últimas décadas. Mas quase tudo está sendo dilacerado diariamente pelo poder duro (hard power) que se instalou em Brasília neste ano.” 

Franthiesco Ballerini recorda que o Carnaval brasileiro “é um de nossos mais eficientes poderes suaves, o que mais ajudou a alimentar a imagem de país aberto e amigo. Mais do que isso, o Carnaval é exibido em dezenas de países, traz turistas do mundo inteiro e muito dinheiro para a economia”. 

O autor cita então duas intervenções públicas do Presidente Jair Bolsonaro, pelas redes sociais, em plena época do Carnaval, “não para exaltar a festa” mas, no primeiro caso, “para compartilhar um vídeo no qual um rapaz tira a roupa e faz gestos obscenos num bloco de rua de São Paulo”; e, no segundo, para dizer que o Brasil não deve se tornar um “paraíso do turismo gay”. 

Critica também outras formas de “caça às bruxas” na política cultural agora no poder, citando a demissão de Mário Vilalva, presidente da APEX -  Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, como “apenas a ponta do iceberg do controlo ideológico que o governo quer ter numa agência que precisa de liberdade, racionalidade e faro de negócios para trabalhar com venda e promoção de produtos culturais brasileiros mundo afora”. (...) 

Fala ainda de outros “poderes suaves” do Brasil, como a bissa nova e as telenovelas, concluindo: 

“Mas a TV Globo, hoje, é claramente de oposição ao governo. Enquanto isso, o Presidente não esconde a preferência pela TV Record. Resta saber se Bolsonaro vai tentar boicotar as exportações de telenovelas da TV Globo e dar uma ajudinha ao bispo para exportar tramas como A Terra Prometida, Jezabel e Caminhos do Coração. Mas o empurrãozinho do poder duro nem sempre é o suficiente para produtos culturais ganharem poder suave. Criatividade e liberdade precisam estar neste pacote.”

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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Ago
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09:00 @ Lagos, Nigéria
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Set