Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

Media espanhóis descuram transparência...

Nenhum dos 21 grupos de media espanhóis verificados por um estudo recente da Fundación Compromiso y Transparencia conseguiu receber a qualificação de “transparente”. Os que ficaram mais perto foram a Atresmedia e a Prisa, com apenas 18 e 17 pontos (numa escala em que o mínimo para este efeito seria de 24 num total de 38 pontos). E entre todas as empresas cotadas, o Grupo Unidad Editorial  foi mesmo classificado como “opaco”.

A presidente da FCT, María López Escorial, conclui que “as nossas empresas de comunicação, tanto as cotadas como as não cotadas, estão muito longe de cumprir as práticas mínimas de transparência e bom governo que lhes permitam gerir adequadamente os riscos que podem afectar a sua credibilidade e independência editorial”.

A informação é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Os resultados do estudo revelam uma grande diferença entre a informação publicada nos seus sites pelos grupos cotados e os não cotados [em bolsa], “em parte por diferentes exigências legais, dado que os grupos cotados estão legalmente obrigados a informar sobre uma diversidade de aspectos, enquanto para os não cotados isso é de carácter voluntário”  - como sublinha Martín Cavanna, um dos dois co-autores. 

Mas mesmo que seja assim com as empresas não cotadas, isto “não pode servir para justificar a extrema opacidade que demonstram em tudo o que se refere às suas políticas e práticas”  - adverte o relatório. 

Nanhum dos dezasseis grupos analizados consegue uma pontuação superior a quatro pontos, e mais de metade tiveram zero pontos: Cope, El Punt Avui, Intereconomía, Planeta, Prensa Ibérica, Diari de Tarragona, Segre, El Confidencial, El Español y La Voz de Galicia

Sobre o financiamento das empresas, Elena Herrero-Beaumont, co-autora do trabalho, sublinhou que os media não costumam divulgar informação sobre as receitas de publicidade. “Nenhum especifica a percentagem de receita que representa um anunciante concreto”  - explica. Alguns fazem-no de forma parcial, quando se trata de publicidade institucional. 

Mas só 20% das empresas cotadas cumprem de forma parcial, destacando-se a Atresmedia e, entre as não cotadas, eldiario.es, “a única empresa que identifica as bolsas e subsídios que recebem para projectos pontuais, mas não de maneira total e íntegra, porque não sabemos de quem as recebem, e a quantia ou a percentagem que representam sobre as receitas totais”.  

Sobre os conteúdos patrocinados, Elena Herrero-Beaumont diz que se estão a tornar “os novos anúncios”, ou a nova maneira de fazer publicidade nos meios de comunicação, sendo necessário criar directivas sobre esta matéria: 

“Não publicar uma política de branded content  parece-nos arriscado, porque os leitores não sabem bem o que estão a consumir e os jornalistas podem ver-se obrigados a desenvolver conteúdos editoriais por exigência do próprio anunciante.”

O relatório inclui, no final, dez recomendações concretas sobre boas práticas a seguir para que as empresas possam fortalecer a sua credibilidade e independência editorial.

 

O texto aqui citado, na íntegra na Asociación de la Prensa de Madrid.
O relatório da Fundación Compromiso y Transparencia.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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