Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

Media espanhóis descuram transparência...

Nenhum dos 21 grupos de media espanhóis verificados por um estudo recente da Fundación Compromiso y Transparencia conseguiu receber a qualificação de “transparente”. Os que ficaram mais perto foram a Atresmedia e a Prisa, com apenas 18 e 17 pontos (numa escala em que o mínimo para este efeito seria de 24 num total de 38 pontos). E entre todas as empresas cotadas, o Grupo Unidad Editorial  foi mesmo classificado como “opaco”.

A presidente da FCT, María López Escorial, conclui que “as nossas empresas de comunicação, tanto as cotadas como as não cotadas, estão muito longe de cumprir as práticas mínimas de transparência e bom governo que lhes permitam gerir adequadamente os riscos que podem afectar a sua credibilidade e independência editorial”.

A informação é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Os resultados do estudo revelam uma grande diferença entre a informação publicada nos seus sites pelos grupos cotados e os não cotados [em bolsa], “em parte por diferentes exigências legais, dado que os grupos cotados estão legalmente obrigados a informar sobre uma diversidade de aspectos, enquanto para os não cotados isso é de carácter voluntário”  - como sublinha Martín Cavanna, um dos dois co-autores. 

Mas mesmo que seja assim com as empresas não cotadas, isto “não pode servir para justificar a extrema opacidade que demonstram em tudo o que se refere às suas políticas e práticas”  - adverte o relatório. 

Nanhum dos dezasseis grupos analizados consegue uma pontuação superior a quatro pontos, e mais de metade tiveram zero pontos: Cope, El Punt Avui, Intereconomía, Planeta, Prensa Ibérica, Diari de Tarragona, Segre, El Confidencial, El Español y La Voz de Galicia

Sobre o financiamento das empresas, Elena Herrero-Beaumont, co-autora do trabalho, sublinhou que os media não costumam divulgar informação sobre as receitas de publicidade. “Nenhum especifica a percentagem de receita que representa um anunciante concreto”  - explica. Alguns fazem-no de forma parcial, quando se trata de publicidade institucional. 

Mas só 20% das empresas cotadas cumprem de forma parcial, destacando-se a Atresmedia e, entre as não cotadas, eldiario.es, “a única empresa que identifica as bolsas e subsídios que recebem para projectos pontuais, mas não de maneira total e íntegra, porque não sabemos de quem as recebem, e a quantia ou a percentagem que representam sobre as receitas totais”.  

Sobre os conteúdos patrocinados, Elena Herrero-Beaumont diz que se estão a tornar “os novos anúncios”, ou a nova maneira de fazer publicidade nos meios de comunicação, sendo necessário criar directivas sobre esta matéria: 

“Não publicar uma política de branded content  parece-nos arriscado, porque os leitores não sabem bem o que estão a consumir e os jornalistas podem ver-se obrigados a desenvolver conteúdos editoriais por exigência do próprio anunciante.”

O relatório inclui, no final, dez recomendações concretas sobre boas práticas a seguir para que as empresas possam fortalecer a sua credibilidade e independência editorial.

 

O texto aqui citado, na íntegra na Asociación de la Prensa de Madrid.
O relatório da Fundación Compromiso y Transparencia.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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