Sábado, 30 de Maio, 2020
Media

Media espanhóis descuram transparência...

Nenhum dos 21 grupos de media espanhóis verificados por um estudo recente da Fundación Compromiso y Transparencia conseguiu receber a qualificação de “transparente”. Os que ficaram mais perto foram a Atresmedia e a Prisa, com apenas 18 e 17 pontos (numa escala em que o mínimo para este efeito seria de 24 num total de 38 pontos). E entre todas as empresas cotadas, o Grupo Unidad Editorial  foi mesmo classificado como “opaco”.

A presidente da FCT, María López Escorial, conclui que “as nossas empresas de comunicação, tanto as cotadas como as não cotadas, estão muito longe de cumprir as práticas mínimas de transparência e bom governo que lhes permitam gerir adequadamente os riscos que podem afectar a sua credibilidade e independência editorial”.

A informação é da Asociación de la Prensa de Madrid, com a qual mantemos um acordo de parceria.

Os resultados do estudo revelam uma grande diferença entre a informação publicada nos seus sites pelos grupos cotados e os não cotados [em bolsa], “em parte por diferentes exigências legais, dado que os grupos cotados estão legalmente obrigados a informar sobre uma diversidade de aspectos, enquanto para os não cotados isso é de carácter voluntário”  - como sublinha Martín Cavanna, um dos dois co-autores. 

Mas mesmo que seja assim com as empresas não cotadas, isto “não pode servir para justificar a extrema opacidade que demonstram em tudo o que se refere às suas políticas e práticas”  - adverte o relatório. 

Nanhum dos dezasseis grupos analizados consegue uma pontuação superior a quatro pontos, e mais de metade tiveram zero pontos: Cope, El Punt Avui, Intereconomía, Planeta, Prensa Ibérica, Diari de Tarragona, Segre, El Confidencial, El Español y La Voz de Galicia

Sobre o financiamento das empresas, Elena Herrero-Beaumont, co-autora do trabalho, sublinhou que os media não costumam divulgar informação sobre as receitas de publicidade. “Nenhum especifica a percentagem de receita que representa um anunciante concreto”  - explica. Alguns fazem-no de forma parcial, quando se trata de publicidade institucional. 

Mas só 20% das empresas cotadas cumprem de forma parcial, destacando-se a Atresmedia e, entre as não cotadas, eldiario.es, “a única empresa que identifica as bolsas e subsídios que recebem para projectos pontuais, mas não de maneira total e íntegra, porque não sabemos de quem as recebem, e a quantia ou a percentagem que representam sobre as receitas totais”.  

Sobre os conteúdos patrocinados, Elena Herrero-Beaumont diz que se estão a tornar “os novos anúncios”, ou a nova maneira de fazer publicidade nos meios de comunicação, sendo necessário criar directivas sobre esta matéria: 

“Não publicar uma política de branded content  parece-nos arriscado, porque os leitores não sabem bem o que estão a consumir e os jornalistas podem ver-se obrigados a desenvolver conteúdos editoriais por exigência do próprio anunciante.”

O relatório inclui, no final, dez recomendações concretas sobre boas práticas a seguir para que as empresas possam fortalecer a sua credibilidade e independência editorial.

 

O texto aqui citado, na íntegra na Asociación de la Prensa de Madrid.
O relatório da Fundación Compromiso y Transparencia.

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas