Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Mundo

China alarga rede de influência aos Media ocidentais

A rede mundial da Nova Rota da Seda já está dotada de um conselho de “40 meios de comunicação influentes, de 25 países”, cujo papel é o de “contarem as histórias sobre a Belt and Road Initiative  de um modo que possa moldar uma opinião pública sã e contribuir para que a iniciativa traga mais resultados substanciais às pessoas que vivem nos países ao longo da Cintura, como da Rota”  - segundo os termos de uma mensagem de felicitações que lhes foi dirigida pelo Presidente chinês, Xi Jinping.  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, a referida rede é designada, na língua inglesa, como a Belt and Road News Network, um projecto que vem desde 2013 mas que “só ficou realmente estruturado no final de Abril, em Pequim, à margem do segundo Fórum da Belt and Road Initiative”.

A Imprensa chinesa consultada por Le Monde  não dá mais pormenores sobre o referido conselho de media, mas, no diário nacionalista Global Times, o jornalista paquistanês Sarmad Ali diz em voz alta o que os chineses afirmam em surdina: que os países da BRI precisam de uma plataforma comum, “porque o maior problema é que os media ocidentais têm uma percepção negativa da Belt and Road Initiative e levantam dúvidas sobre a eficácia dos projectos sob esta marca”.

Que os meios de comunicação do Ocidente sejam vistos como mal intencionados por Pequim não é novo. 

“É preciso criar uma nova ordem mundial dos media. Senão, o lugar será ocupado por outros, o que vai pôr um desafio ao nosso papel dominante na condução da opinião pública”  - explicava em 2013 Li Congjun, antigo responsável pela agência oficial Xinhua e membro do comité central do Partido Comunista Chinês. 

Um documento interno do Partido, datado de Novembro do mesmo ano, e atribuído ao próprio Presidente Xi Jinping, descrevia “a situação ideológica como uma luta intensa e complexa” e advertia contra a promoção dos designados “valores universais” do neo-liberalismo e da “ideia ocidental do jornalismo, que desafia o princípio chinês segundo o qual os media e a edição devem estar submetidos à disciplina do Partido”. 

Falando do referido Fórum, Alice Ekman, especialista do IFRI - Instituto Francês de Relações Internacionais  sobre a China, afirma que o projecto das “novas rotas da seda” evoluíu até se tornar “uma nova forma de organização da mundialização”. 

“O discurso de Xi Jinping lembra, além disso, que as novas rotas da seda não se limitam a definir infraestruturas: são uma marca sob a qual a China procura desenvolver aquilo que o Presidente denomina como ‘um novo tipo de relações internacionais’, que passa pelo reforço de trocas em todas as direcções com uma diversidade de actores externos, oficiais ou civis (partidos políticos, empresas, instituições de investigação...).” 

“Neste contexto, as ‘novas rotas da seda’ são uma etiqueta útil à China para reunir um número crescente de países em volta da sua iniciativa e no seu território. A prazo, ela espera transformar o Fórum Belt and Road  numa cimeira mundial de referência, capaz de rivalizar com outras em termos de influência (o G20, os BRIC, etc.). Neste sentido, o Fórum é mais do que uma acção de comunicação.” (...) 


Mais informação em Le Monde  e no IFRI,  bem como em The Guardian.
As notícias no site da  Belt and Road News Network.

Connosco
O essencial em jornalismo em tempo de pandemia Ver galeria

A imprensa, em todo o mundo,  está a adaptar-se à nova realidade, desencadeada pela pandemia do coronavírus, e a trabalhar, maioritariamente, por via remota.


Os jornalistas parecem querer zelar pela saúde dos leitores e, nos “media” os avisos e as advertências repetem-se: ficar em casa para conter a disseminação do vírus, evitar aglomerados de pessoas, sair só em caso de emergência, ou para adquirir bens essenciais.

Ainda assim, alguns profissionais, nos Estados Unidos parecem não seguir a conduta que promovem, realizando reportagens no exterior e expondo-se à contaminação do vírus,  destaca Alexandria Nelson, num artigo publicado no “Columbia Journalism Review”

De acordo com a autora, os repórteres estão a pôr em causa a saúde pública,  deslocando-se, por exemplo, a praias para dar conta de cidadãos que não estão a cumprir as normas de isolamento. Os jornalistas querem, assim, distinguir-se dos restantes concidadãos. 

Moncloa recua e levanta restrições aos jornalistas Ver galeria

A Moncloa vai deixar de  “amordaçar” a imprensa. Depois da pressão exercida pelos “media”, o governo espanhol vai permitir que os jornalistas façam perguntas, por videochamada, durante as conferências de imprensa do primeiro-ministro Pedro Sánchez.

A decisão surge na sequência de uma denúncia conjunta de centenas jornalistas espanhóis, que se opuseram ao “modus operandi” das conferências de imprensa, controladas pelo Secretário de Estado da Comunicação, Miguel Angel Oliver.

Depois de a polémica se ter arrastado ao longo de várias semanas Oliver enviou, finalmente, uma nota às redações para informar que “a metodologia utilizada nas conferências de imprensa irá mudar”. 

O Governo garante, agora, que vai implementar um sistema seguro de videoconferência que terá rondas de perguntas. A selecção das questões será concretizada por um “mecanismo aleatório, público e verificável”.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Opinião
O Presidente do Governo espanhol deixou cair a mordaça que tinha imposto aos jornalistas nas videoconferências por causa do coronavírus.  A oposição de centenas de profissionais - que não se curvaram e souberam unir-se contra a censura dissimulada que estava a ser seguida pelo secretário de estado da Comunicação Social, ao filtrar as perguntas que mais convinham ao governo -, bem como a posição firme tomada...
O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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15
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Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun