null, 17 de Novembro, 2019
Mundo

China alarga rede de influência aos Media ocidentais

A rede mundial da Nova Rota da Seda já está dotada de um conselho de “40 meios de comunicação influentes, de 25 países”, cujo papel é o de “contarem as histórias sobre a Belt and Road Initiative  de um modo que possa moldar uma opinião pública sã e contribuir para que a iniciativa traga mais resultados substanciais às pessoas que vivem nos países ao longo da Cintura, como da Rota”  - segundo os termos de uma mensagem de felicitações que lhes foi dirigida pelo Presidente chinês, Xi Jinping.  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, a referida rede é designada, na língua inglesa, como a Belt and Road News Network, um projecto que vem desde 2013 mas que “só ficou realmente estruturado no final de Abril, em Pequim, à margem do segundo Fórum da Belt and Road Initiative”.

A Imprensa chinesa consultada por Le Monde  não dá mais pormenores sobre o referido conselho de media, mas, no diário nacionalista Global Times, o jornalista paquistanês Sarmad Ali diz em voz alta o que os chineses afirmam em surdina: que os países da BRI precisam de uma plataforma comum, “porque o maior problema é que os media ocidentais têm uma percepção negativa da Belt and Road Initiative e levantam dúvidas sobre a eficácia dos projectos sob esta marca”.

Que os meios de comunicação do Ocidente sejam vistos como mal intencionados por Pequim não é novo. 

“É preciso criar uma nova ordem mundial dos media. Senão, o lugar será ocupado por outros, o que vai pôr um desafio ao nosso papel dominante na condução da opinião pública”  - explicava em 2013 Li Congjun, antigo responsável pela agência oficial Xinhua e membro do comité central do Partido Comunista Chinês. 

Um documento interno do Partido, datado de Novembro do mesmo ano, e atribuído ao próprio Presidente Xi Jinping, descrevia “a situação ideológica como uma luta intensa e complexa” e advertia contra a promoção dos designados “valores universais” do neo-liberalismo e da “ideia ocidental do jornalismo, que desafia o princípio chinês segundo o qual os media e a edição devem estar submetidos à disciplina do Partido”. 

Falando do referido Fórum, Alice Ekman, especialista do IFRI - Instituto Francês de Relações Internacionais  sobre a China, afirma que o projecto das “novas rotas da seda” evoluíu até se tornar “uma nova forma de organização da mundialização”. 

“O discurso de Xi Jinping lembra, além disso, que as novas rotas da seda não se limitam a definir infraestruturas: são uma marca sob a qual a China procura desenvolver aquilo que o Presidente denomina como ‘um novo tipo de relações internacionais’, que passa pelo reforço de trocas em todas as direcções com uma diversidade de actores externos, oficiais ou civis (partidos políticos, empresas, instituições de investigação...).” 

“Neste contexto, as ‘novas rotas da seda’ são uma etiqueta útil à China para reunir um número crescente de países em volta da sua iniciativa e no seu território. A prazo, ela espera transformar o Fórum Belt and Road  numa cimeira mundial de referência, capaz de rivalizar com outras em termos de influência (o G20, os BRIC, etc.). Neste sentido, o Fórum é mais do que uma acção de comunicação.” (...) 


Mais informação em Le Monde  e no IFRI,  bem como em The Guardian.
As notícias no site da  Belt and Road News Network.

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
Nov
Dia da Comunicação
10:00 @ Teatro Tivoli
21
Nov