Quinta-feira, 20 de Fevereiro, 2020
Mundo

China alarga rede de influência aos Media ocidentais

A rede mundial da Nova Rota da Seda já está dotada de um conselho de “40 meios de comunicação influentes, de 25 países”, cujo papel é o de “contarem as histórias sobre a Belt and Road Initiative  de um modo que possa moldar uma opinião pública sã e contribuir para que a iniciativa traga mais resultados substanciais às pessoas que vivem nos países ao longo da Cintura, como da Rota”  - segundo os termos de uma mensagem de felicitações que lhes foi dirigida pelo Presidente chinês, Xi Jinping.  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, a referida rede é designada, na língua inglesa, como a Belt and Road News Network, um projecto que vem desde 2013 mas que “só ficou realmente estruturado no final de Abril, em Pequim, à margem do segundo Fórum da Belt and Road Initiative”.

A Imprensa chinesa consultada por Le Monde  não dá mais pormenores sobre o referido conselho de media, mas, no diário nacionalista Global Times, o jornalista paquistanês Sarmad Ali diz em voz alta o que os chineses afirmam em surdina: que os países da BRI precisam de uma plataforma comum, “porque o maior problema é que os media ocidentais têm uma percepção negativa da Belt and Road Initiative e levantam dúvidas sobre a eficácia dos projectos sob esta marca”.

Que os meios de comunicação do Ocidente sejam vistos como mal intencionados por Pequim não é novo. 

“É preciso criar uma nova ordem mundial dos media. Senão, o lugar será ocupado por outros, o que vai pôr um desafio ao nosso papel dominante na condução da opinião pública”  - explicava em 2013 Li Congjun, antigo responsável pela agência oficial Xinhua e membro do comité central do Partido Comunista Chinês. 

Um documento interno do Partido, datado de Novembro do mesmo ano, e atribuído ao próprio Presidente Xi Jinping, descrevia “a situação ideológica como uma luta intensa e complexa” e advertia contra a promoção dos designados “valores universais” do neo-liberalismo e da “ideia ocidental do jornalismo, que desafia o princípio chinês segundo o qual os media e a edição devem estar submetidos à disciplina do Partido”. 

Falando do referido Fórum, Alice Ekman, especialista do IFRI - Instituto Francês de Relações Internacionais  sobre a China, afirma que o projecto das “novas rotas da seda” evoluíu até se tornar “uma nova forma de organização da mundialização”. 

“O discurso de Xi Jinping lembra, além disso, que as novas rotas da seda não se limitam a definir infraestruturas: são uma marca sob a qual a China procura desenvolver aquilo que o Presidente denomina como ‘um novo tipo de relações internacionais’, que passa pelo reforço de trocas em todas as direcções com uma diversidade de actores externos, oficiais ou civis (partidos políticos, empresas, instituições de investigação...).” 

“Neste contexto, as ‘novas rotas da seda’ são uma etiqueta útil à China para reunir um número crescente de países em volta da sua iniciativa e no seu território. A prazo, ela espera transformar o Fórum Belt and Road  numa cimeira mundial de referência, capaz de rivalizar com outras em termos de influência (o G20, os BRIC, etc.). Neste sentido, o Fórum é mais do que uma acção de comunicação.” (...) 


Mais informação em Le Monde  e no IFRI,  bem como em The Guardian.
As notícias no site da  Belt and Road News Network.

Connosco
Amal Clooney advoga mais liberdade de imprensa Ver galeria

A enviada especial britânica para a liberdade de imprensa, Amal Clooney, tem trabalhado, afincadamente, em defesa do livre exercício do jornalismo, mas acredita que os seus esforços estão a ser anulados por alguns líderes mundiais. Clooney destaca  as medidas coercivas de Donald Trump, a quem comparou, em entrevista ao “Guardian”, ao nível dos líderes autoritários.

Amal, que se distinguiu na defesa dos direitos humanos, destacou a urgência de o governo britânico unir esforços para derrotar os “predadores” da liberdade. A advogada acredita que tem em Dominic Raab, secretário dos Negócios Estrangeiros, um aliado, mas que as suas propostas requerem um apoio mais alargado. 

Agora que o Ofcom vai passar a regular a Internet no Reino Unido, Amal sugeriu a implementação de um instrumento, baseado nas sanções Magnitsky, visando penalizar qualquer entidade ou indivíduo que ameace os jornalistas, ou que restrinja conteúdos “online”.

Plataforma estabelece "ponte" entre académicos e imprensa Ver galeria

Apesar do grande número de estudos científicos publicados diariamente no Brasil, contactar os responsáveis por essas pesquisas pode ser, particularmente, ingrato. Perante essa realidade, duas jornalistas brasileiras especializadas em ciência, Ana Paula Morales e Sabine Righetti, criaram uma plataforma “online” para servir de “ponte” entre especialistas académicos e a imprensa. 

A Agência Bori é já parceira de 90 revistas científicas, mas quer expandir-se a novas publicações. A plataforma vai, agora, apresentar, semanalmente, três estudos inéditos, com potencial de divulgação e interesse público. Além disso, a equipa da Agência Bori está a realizar “workshops” de “media” para os cientistas que disponibilizam os seus conteúdos.

A Bori funciona através de um sistema de inteligência artificial único,  que agrega artigos de jornais científicos e gera alertas, de acordo com critérios definidos pelos jornalistas. Para ter acesso aos estudos, os profissionais de imprensa podem subscrever, gratuitamente, a plataforma.


O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...