Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Mundo

China alarga rede de influência aos Media ocidentais

A rede mundial da Nova Rota da Seda já está dotada de um conselho de “40 meios de comunicação influentes, de 25 países”, cujo papel é o de “contarem as histórias sobre a Belt and Road Initiative  de um modo que possa moldar uma opinião pública sã e contribuir para que a iniciativa traga mais resultados substanciais às pessoas que vivem nos países ao longo da Cintura, como da Rota”  - segundo os termos de uma mensagem de felicitações que lhes foi dirigida pelo Presidente chinês, Xi Jinping.  

Segundo Le Monde, que aqui citamos, a referida rede é designada, na língua inglesa, como a Belt and Road News Network, um projecto que vem desde 2013 mas que “só ficou realmente estruturado no final de Abril, em Pequim, à margem do segundo Fórum da Belt and Road Initiative”.

A Imprensa chinesa consultada por Le Monde  não dá mais pormenores sobre o referido conselho de media, mas, no diário nacionalista Global Times, o jornalista paquistanês Sarmad Ali diz em voz alta o que os chineses afirmam em surdina: que os países da BRI precisam de uma plataforma comum, “porque o maior problema é que os media ocidentais têm uma percepção negativa da Belt and Road Initiative e levantam dúvidas sobre a eficácia dos projectos sob esta marca”.

Que os meios de comunicação do Ocidente sejam vistos como mal intencionados por Pequim não é novo. 

“É preciso criar uma nova ordem mundial dos media. Senão, o lugar será ocupado por outros, o que vai pôr um desafio ao nosso papel dominante na condução da opinião pública”  - explicava em 2013 Li Congjun, antigo responsável pela agência oficial Xinhua e membro do comité central do Partido Comunista Chinês. 

Um documento interno do Partido, datado de Novembro do mesmo ano, e atribuído ao próprio Presidente Xi Jinping, descrevia “a situação ideológica como uma luta intensa e complexa” e advertia contra a promoção dos designados “valores universais” do neo-liberalismo e da “ideia ocidental do jornalismo, que desafia o princípio chinês segundo o qual os media e a edição devem estar submetidos à disciplina do Partido”. 

Falando do referido Fórum, Alice Ekman, especialista do IFRI - Instituto Francês de Relações Internacionais  sobre a China, afirma que o projecto das “novas rotas da seda” evoluíu até se tornar “uma nova forma de organização da mundialização”. 

“O discurso de Xi Jinping lembra, além disso, que as novas rotas da seda não se limitam a definir infraestruturas: são uma marca sob a qual a China procura desenvolver aquilo que o Presidente denomina como ‘um novo tipo de relações internacionais’, que passa pelo reforço de trocas em todas as direcções com uma diversidade de actores externos, oficiais ou civis (partidos políticos, empresas, instituições de investigação...).” 

“Neste contexto, as ‘novas rotas da seda’ são uma etiqueta útil à China para reunir um número crescente de países em volta da sua iniciativa e no seu território. A prazo, ela espera transformar o Fórum Belt and Road  numa cimeira mundial de referência, capaz de rivalizar com outras em termos de influência (o G20, os BRIC, etc.). Neste sentido, o Fórum é mais do que uma acção de comunicação.” (...) 


Mais informação em Le Monde  e no IFRI,  bem como em The Guardian.
As notícias no site da  Belt and Road News Network.

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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