Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Media

O Brasil é país de risco para exercer jornalismo ...

Tanto nas redacções como no ambiente digital, os jornalistas brasileiros estão expostos a riscos regulares e iminentes. Os problemas “impostos ao ecossistema jornalístico no Brasil actual são um facto contundente e avassalador”.

Segundo o relatório de 2018 da directora-geral da UNESCO sobre a segurança dos jornalistas e o perigo da impunidade, divulgado sob o título “Punir o crime, não a verdade”, o Brasil é hoje o sexto país mais perigoso para o exercício da actividade jornalística no mundo.

Este trabalho trata sobretudo do assassínio de jornalistas, “que é a forma mais definitiva de censura”:  “No entanto, é apenas a ponta do iceberg  dos ataques contra jornalistas, que vão desde ataques físicos não letais, sequestros, detenções ilegais, ameaças, assédio online e offline, até retaliações a membros da família.”

Os dados oficiais do Conselho Nacional do Ministério Público, sobre assassinatos decorrentes do exercício do jornalismo, no período de 1995 a 2018, afirmam:  “A situação brasileira é preocupante e revela um cenário sistemático. O país soma 64 episódios de homicídios desses agentes desde 1995, praticados em todas as cinco regiões.”

A informação é de um texto de José Ricardo Torres, pesquisador do ObjEthos, que aqui citamos do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Também o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, recentemente divulgado, destaca o caso do Brasil, referido como “um dos países mais violentos da América Latina para quem exerce este ofício”. 

Segundo o relatório, pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em 2018, pelo trabalho que exerciam, “e na maioria dos casos os profissionais mortos cobriam e investigavam temas sensíveis ligados à corrupção, políticas públicas e crime organizado, particularmente em cidades de pequeno e médio porte”. 

Noutra recolha, intiulada “Violência contra jornalistas e liberdade de Imprensa no Brasil”, da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, é explicitamente afirmado que “a violência contra jornalistas no Brasil voltou a crescer em 2018, sendo que o número de agressões chegou a 135, atingindo 227 jornalistas, visto que em muitos casos mais de um profissional foi atingido”.

Ainda outro relatório, “Violações à liberdade de expressão (2018)”, da Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, conclui que “em todo o mundo, a tarefa de informar se transformou em risco de morte e os jornalistas continuam sendo tratados como alvos; no Brasil, não é diferente.” 

A ONG Artigo 19 sublinha a gravidade do caso brasileiro pelo facto de o seu espaço de comunicação ser “marcado por um grande ‘deserto de notícias’, em que mais de um terço da população vive em cidades sem nenhum jornal impresso ou online local”. 

Tendo citado a mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o autor conclui que “os ataques aos jornalistas estão relacionados a tentativas de controlo social ardilosas, que podem corroer instituições democráticas e dar aos detentores de poder económico e político um nocivo grau de manipulação dos factos sociais, pois, em inúmeras ocasiões, a falta de densidade informativa é proposital e estratégica”.

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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“Fake news”, ontem e hoje
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Composição Fotográfica
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