Sábado, 30 de Maio, 2020
Media

O Brasil é país de risco para exercer jornalismo ...

Tanto nas redacções como no ambiente digital, os jornalistas brasileiros estão expostos a riscos regulares e iminentes. Os problemas “impostos ao ecossistema jornalístico no Brasil actual são um facto contundente e avassalador”.

Segundo o relatório de 2018 da directora-geral da UNESCO sobre a segurança dos jornalistas e o perigo da impunidade, divulgado sob o título “Punir o crime, não a verdade”, o Brasil é hoje o sexto país mais perigoso para o exercício da actividade jornalística no mundo.

Este trabalho trata sobretudo do assassínio de jornalistas, “que é a forma mais definitiva de censura”:  “No entanto, é apenas a ponta do iceberg  dos ataques contra jornalistas, que vão desde ataques físicos não letais, sequestros, detenções ilegais, ameaças, assédio online e offline, até retaliações a membros da família.”

Os dados oficiais do Conselho Nacional do Ministério Público, sobre assassinatos decorrentes do exercício do jornalismo, no período de 1995 a 2018, afirmam:  “A situação brasileira é preocupante e revela um cenário sistemático. O país soma 64 episódios de homicídios desses agentes desde 1995, praticados em todas as cinco regiões.”

A informação é de um texto de José Ricardo Torres, pesquisador do ObjEthos, que aqui citamos do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Também o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, recentemente divulgado, destaca o caso do Brasil, referido como “um dos países mais violentos da América Latina para quem exerce este ofício”. 

Segundo o relatório, pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em 2018, pelo trabalho que exerciam, “e na maioria dos casos os profissionais mortos cobriam e investigavam temas sensíveis ligados à corrupção, políticas públicas e crime organizado, particularmente em cidades de pequeno e médio porte”. 

Noutra recolha, intiulada “Violência contra jornalistas e liberdade de Imprensa no Brasil”, da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, é explicitamente afirmado que “a violência contra jornalistas no Brasil voltou a crescer em 2018, sendo que o número de agressões chegou a 135, atingindo 227 jornalistas, visto que em muitos casos mais de um profissional foi atingido”.

Ainda outro relatório, “Violações à liberdade de expressão (2018)”, da Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, conclui que “em todo o mundo, a tarefa de informar se transformou em risco de morte e os jornalistas continuam sendo tratados como alvos; no Brasil, não é diferente.” 

A ONG Artigo 19 sublinha a gravidade do caso brasileiro pelo facto de o seu espaço de comunicação ser “marcado por um grande ‘deserto de notícias’, em que mais de um terço da população vive em cidades sem nenhum jornal impresso ou online local”. 

Tendo citado a mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o autor conclui que “os ataques aos jornalistas estão relacionados a tentativas de controlo social ardilosas, que podem corroer instituições democráticas e dar aos detentores de poder económico e político um nocivo grau de manipulação dos factos sociais, pois, em inúmeras ocasiões, a falta de densidade informativa é proposital e estratégica”.

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
Na era digital a máquina é o “braço direito” do jornalista ... Ver galeria

A era digital fez-se acompanhar de uma profunda alteração nos modelos de actividade e de negócio, entre os quais se destaca o sector mediático, segundo aponta o mais recente relatório do Obercom.

De acordo com o estudo, essas mudanças caracterizam-se, sobretudo, pela implementação de algoritmos e pela automatização dos sistemas.

Se, por um lado, a digitalização trouxe alguns problemas ao sector mediático, que, durante décadas estudou a adaptação a um mundo globalizado, onde a informação nunca pára, por outro, veio facilitar o trabalho aos jornalistas.

Este fenómeno é, aparentemente, paradoxal, mas a verdade é que os processos automáticos ajudam os profissionais a responderem, eficazmente, à necessidade da produção “sôfrega” de conteúdos noticiosos.

Trocando por miúdos: se as máquinas existem, porque não “pedir-lhes ajuda”?

Assim, os “media” actuais dependem, cada vez mais, de algoritmos que permitem analisar a preferências dos leitores, bem como de sistemas que facilitam a actualização de “websites” ao minuto.

A urgência de proteger jornalistas em países onde falha a liberdade de imprensa Ver galeria

A violência contra os jornalistas é uma realidade cada vez mais presente no mundo contemporâneo, já que várias entidades, insatisfeitas com a sua independência, estão a desenvolver novos mecanismos para impedir a publicação de artigos incómodos para o poder instituído.

Os atentados mais graves contra a liberdade de imprensa ocorrem em países onde esta está condicionada, mas, igualmente, noutros onde era suposto haver protecção para o trabalho jornalístico.

De acordo com um artigo do “Guardian”, esta realidade distópica ficou  mais evidente com o aparecimento do coronavírus.

A título de exemplo, alguns governos criaram medidas extraordinárias, visando a restrição do trabalho jornalístico. Foi o caso da Hungria, onde Viktor Órban instituiu a lei “coronavírus”, que criminaliza a difusão de “notícias falsas” sobre a pandemia. 

Da mesma forma, tanto a China como o Irão censuraram a informação respeitante aos surtos nestes países.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas