Sábado, 25 de Maio, 2019
Media

O Brasil é país de risco para exercer jornalismo ...

Tanto nas redacções como no ambiente digital, os jornalistas brasileiros estão expostos a riscos regulares e iminentes. Os problemas “impostos ao ecossistema jornalístico no Brasil actual são um facto contundente e avassalador”.

Segundo o relatório de 2018 da directora-geral da UNESCO sobre a segurança dos jornalistas e o perigo da impunidade, divulgado sob o título “Punir o crime, não a verdade”, o Brasil é hoje o sexto país mais perigoso para o exercício da actividade jornalística no mundo.

Este trabalho trata sobretudo do assassínio de jornalistas, “que é a forma mais definitiva de censura”:  “No entanto, é apenas a ponta do iceberg  dos ataques contra jornalistas, que vão desde ataques físicos não letais, sequestros, detenções ilegais, ameaças, assédio online e offline, até retaliações a membros da família.”

Os dados oficiais do Conselho Nacional do Ministério Público, sobre assassinatos decorrentes do exercício do jornalismo, no período de 1995 a 2018, afirmam:  “A situação brasileira é preocupante e revela um cenário sistemático. O país soma 64 episódios de homicídios desses agentes desde 1995, praticados em todas as cinco regiões.”

A informação é de um texto de José Ricardo Torres, pesquisador do ObjEthos, que aqui citamos do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Também o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, recentemente divulgado, destaca o caso do Brasil, referido como “um dos países mais violentos da América Latina para quem exerce este ofício”. 

Segundo o relatório, pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em 2018, pelo trabalho que exerciam, “e na maioria dos casos os profissionais mortos cobriam e investigavam temas sensíveis ligados à corrupção, políticas públicas e crime organizado, particularmente em cidades de pequeno e médio porte”. 

Noutra recolha, intiulada “Violência contra jornalistas e liberdade de Imprensa no Brasil”, da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, é explicitamente afirmado que “a violência contra jornalistas no Brasil voltou a crescer em 2018, sendo que o número de agressões chegou a 135, atingindo 227 jornalistas, visto que em muitos casos mais de um profissional foi atingido”.

Ainda outro relatório, “Violações à liberdade de expressão (2018)”, da Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, conclui que “em todo o mundo, a tarefa de informar se transformou em risco de morte e os jornalistas continuam sendo tratados como alvos; no Brasil, não é diferente.” 

A ONG Artigo 19 sublinha a gravidade do caso brasileiro pelo facto de o seu espaço de comunicação ser “marcado por um grande ‘deserto de notícias’, em que mais de um terço da população vive em cidades sem nenhum jornal impresso ou online local”. 

Tendo citado a mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o autor conclui que “os ataques aos jornalistas estão relacionados a tentativas de controlo social ardilosas, que podem corroer instituições democráticas e dar aos detentores de poder económico e político um nocivo grau de manipulação dos factos sociais, pois, em inúmeras ocasiões, a falta de densidade informativa é proposital e estratégica”.

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
Prémios Europeus de Jornalismo privilegiam grandes reportagens Ver galeria

Foram designados os vencedores do European Press Prize, que contempla, desde 2013, os melhores trabalhos do jornalismo europeu, como uma espécie de equivalente europeu do famoso Prémio Pulitzer nos EUA. A cerimónia de atribuição, realizada na sede do diário Gazeta Wyborcza, em Varsóvia, nomeou cinco meios de comunicação e a rede de jornalistas  Forbidden Stories, que prossegue e procura concluir as reportagens de investigação de profissionais que deram a vida por elas.

Os jornais onde foram publicados os trabalhos premiados são a Der Spiegel, o El País Semanal e o Süddeutsche Zeitung Magazin, The Guardian e o site de jornalismo de investigação Bellingcat, no Reino Unido. O júri, que examinou centenas de trabalhos vindos de toda a Europa, era constituído po Sir Harold Evans, da Reuters, Sylvie Kauffmann, de Le Monde, Jorgen Ejbol, do Jyllands-Posten, Yevgenia Albats, de The New Times, e Alexandra Föderl-Schmidt, do Süddeutsche Zeitung.

Crise actual do jornalismo é "diferente de todas as que já teve" Ver galeria

O jornalismo “já não é mais o que era antigamente, e as pessoas e as sociedades relacionam-se hoje de forma distinta, muitas vezes abrindo mão do jornalismo para isso”. Em consequência, o jornalismo “está numa crise diferente de todas as que já teve: não é só financeira, mas política, ética, de credibilidade, de governança”.

“Mas é importante ter em mente que não se pode resolver um problema tão complexo assim com uma bala de prata, com uma tacada perfeita. A crise afecta profissionais, públicos e organizações de forma distinta, inclusive porque tem escalas distintas. Um pequeno jornal do interior é afectado pela crise de um modo e não pode responder a ela como um New York Times. A crise é frenética, dinâmica e complexa. Enfrentá-la é urgente.”

Esta reflexão é de Rogério Christofoletti , docente de jornalismo na Universidade Federal de Santa Catarina, que sintetiza o seu pensamento sobre esta matéria num livro acabado de lançar  - “A crise do jornalismo tem solução?” -  e responde a uma entrevista no Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual mantemos um acordo de parceria.

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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