Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Media

O Brasil é país de risco para exercer jornalismo ...

Tanto nas redacções como no ambiente digital, os jornalistas brasileiros estão expostos a riscos regulares e iminentes. Os problemas “impostos ao ecossistema jornalístico no Brasil actual são um facto contundente e avassalador”.

Segundo o relatório de 2018 da directora-geral da UNESCO sobre a segurança dos jornalistas e o perigo da impunidade, divulgado sob o título “Punir o crime, não a verdade”, o Brasil é hoje o sexto país mais perigoso para o exercício da actividade jornalística no mundo.

Este trabalho trata sobretudo do assassínio de jornalistas, “que é a forma mais definitiva de censura”:  “No entanto, é apenas a ponta do iceberg  dos ataques contra jornalistas, que vão desde ataques físicos não letais, sequestros, detenções ilegais, ameaças, assédio online e offline, até retaliações a membros da família.”

Os dados oficiais do Conselho Nacional do Ministério Público, sobre assassinatos decorrentes do exercício do jornalismo, no período de 1995 a 2018, afirmam:  “A situação brasileira é preocupante e revela um cenário sistemático. O país soma 64 episódios de homicídios desses agentes desde 1995, praticados em todas as cinco regiões.”

A informação é de um texto de José Ricardo Torres, pesquisador do ObjEthos, que aqui citamos do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Também o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, recentemente divulgado, destaca o caso do Brasil, referido como “um dos países mais violentos da América Latina para quem exerce este ofício”. 

Segundo o relatório, pelo menos quatro jornalistas foram assassinados em 2018, pelo trabalho que exerciam, “e na maioria dos casos os profissionais mortos cobriam e investigavam temas sensíveis ligados à corrupção, políticas públicas e crime organizado, particularmente em cidades de pequeno e médio porte”. 

Noutra recolha, intiulada “Violência contra jornalistas e liberdade de Imprensa no Brasil”, da FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas, é explicitamente afirmado que “a violência contra jornalistas no Brasil voltou a crescer em 2018, sendo que o número de agressões chegou a 135, atingindo 227 jornalistas, visto que em muitos casos mais de um profissional foi atingido”.

Ainda outro relatório, “Violações à liberdade de expressão (2018)”, da Abert - Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, conclui que “em todo o mundo, a tarefa de informar se transformou em risco de morte e os jornalistas continuam sendo tratados como alvos; no Brasil, não é diferente.” 

A ONG Artigo 19 sublinha a gravidade do caso brasileiro pelo facto de o seu espaço de comunicação ser “marcado por um grande ‘deserto de notícias’, em que mais de um terço da população vive em cidades sem nenhum jornal impresso ou online local”. 

Tendo citado a mensagem da directora-geral da UNESCO, Audrey Azoulay, a propósito do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, o autor conclui que “os ataques aos jornalistas estão relacionados a tentativas de controlo social ardilosas, que podem corroer instituições democráticas e dar aos detentores de poder económico e político um nocivo grau de manipulação dos factos sociais, pois, em inúmeras ocasiões, a falta de densidade informativa é proposital e estratégica”.

 

O artigo aqui citado, na íntegra no Observatório da Imprensa

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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