Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Opinião

Os desafios à liberdade de Imprensa

por Dinis de Abreu

A celebração do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa  constitui o pretexto e o convite para uma reflexão que não nos exclui. Com os jornais em contínua degradação de vendas em banca, obrigando  já a soluções extremas  - como se verificou com o centenário  “Diário de Noticias”, que passou a ser semanário, embora sem inverter o plano inclinado -,  a apatia continua a ser a regra, sem soluções à vista.

Apesar da situação ser sombria, e ameaçar no curto prazo a maioria das empresas de media, o silêncio das associações do sector, patronais e profissionais, não deixa de ser intrigante, como se fosse preferível  “meter a cabeça na areia” do que promover alternativas sustentáveis, suficientemente  inovadoras  e capazes de virar a página do declínio continuado.

Ao contrário da passividade reinante em Portugal , a efeméride foi aproveitada em Espanha pelas principais associações,  representativas dos jornais e jornalistas,  para manifestarem a sua apreensão  relativamente ao presente e ao futuro .

Foi o caso da FAPE - Federación de Asociaciones de Periodistas de España, que viu na recente campanha eleitoral uma demonstração de que liberdade de Imprensa “continua ameaçada” e  lamentou  a “lei da mordaça”  que se “uniu ao discurso do ódio contra os jornalistas e os media”.

Pior: “a extrema polarização da política catalã impediu  o livre exercício do jornalismo  naquela região autonómica” a ponto de “converter os jornalistas nas principais vitimas, com insultos e agressões nalguns casos”.

De facto, a repressão sobre os jornalistas agravou-se significativamente na última década , desde a Turquia à Venezuela , contagiando várias países em diferentes latitudes. 

A organização Repórteres sem Fronteiras concluiu mesmo que apenas 9% da população mundial vive em países onde   a situação da liberdade de imprensa é considerada  boa ou muito boa.

De facto, no ranking mundial publicado há dias, verifica-se que a liberdade de imprensa é considerada difícil ou muito grave, ou seja, “amplamente reprimida”,  tanto  na China,  Rússia, ou Arábia Saudita, como em democracias como o México ou a Índia, incluindo  países onde a situação é classificada como problemática, casos da  Mauritânia ou da Hungria.

Instaurou-se a “mecânica do medo”, como a definem os RSF, ao contabilizarem a lista negra de jornalista assassinados ou detidos de forma arbitrária. Um balanço sinistro.

O panorama é assustador e não dá sinais de recuar. Por cá, a fragilidade do mercado de Imprensa  associada à “tabloidização” das televisões,  generalistas ou  temáticas, não augura também um futuro promissor, embora estejamos bem longe das condições dramáticas de  exercício da profissão  que perseguem e neutralizam muitos jornalistas pelo mundo.

A precariedade laboral acaba por condicionar o trabalho dos jornalistas,  privados de meios de investigação e submetidos a agendas politicas,  que os querem reduzir ao pepel de   “pé de microfone”. 

Depois, a evolução tecnológica e a desinformação trouxeram novos desafios. E novos pessimismos.

Bem pode o Papa Francisco pregar na sua nota alusiva ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa que “precisamos de um jornalismo que seja livre, ao serviço da verdade, da justiça e da bondade; um jornalismo que ajude a construir uma cultura de encontro”.

É um ideal antigo. Mas, infelizmente, há mais desencontros do que encontros. E  não se pode pedir ao jornalista que some a vocação de  martírio à profissão de fé.

Connosco
Prémio Europeu Helena Vaz da Silva atribuído à Directora do CERN Ver galeria

A cientista italiana Fabiola Gianotti, especializada em física de partículas e, desde 2016, Directora-Geral do CERN (acrónimo da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), foi distinguida com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural 2019.

“O conhecimento é como uma arte”  - afirmou Fabiola Gianotti ao agradecer a nomeação. “Ambos são as mais altas expressões da mente humana e o CERN é o lugar perfeito para as alcançar.”

“O conhecimento científico pertence a todos”  - disse ainda. “Como cientistas, devemos fazer os maiores esforços para compartilhar com a sociedade em geral as nossas descobertas e promover uma ciência aberta, acessível a todos. Ao longo das décadas, o CERN tem defendido os valores da excelência científica, ciência aberta e colaboração entre os países europeus e do resto do mundo.”

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural foi instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura, em cooperação com a Europa Nostra, que representa em Portugal, e também com o Clube Português de Imprensa.

O Júri do Prémio deste ano atribuíu Menções Especiais a duas outras personalidades: o Director do Royal Danish Theatre,  Kasper Holten, pelo seu esforço em prol da compreensão do património cultural, e o italiano Angelo Castiglioni, que dedicou a sua vida a explorações arqueológicas e etnográficas.

A cerimónia de entrega do Prémio terá lugar no dia 25 de Novembro na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


ver mais >
Opinião
Agenda
01
Ago
Composição Fotográfica
09:00 @ Cenjor,Lisboa
21
Ago
Edinburgh TV Festival
09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigéria
16
Set