Segunda-feira, 16 de Setembro, 2019
Estudo

Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.

Os sete factores de confiança são apresentados por ordem decrescente de valorização atribuída, como segue:

  1.  -  Equilíbrio (77,8%)  -  Vem mencionado no topo da lista de desejos expressos pelos leitores entrevistados. Muitos entendem que o jornalismo deve reflectir uma diversidade de opiniões. Outros defendem que os jornalistas devem manter as suas próprias opiniões separadas do trabalho que fazem. Outros ainda explicam que cultivam a sua própria dieta equilibrada de notícias lendo jornalismo de múltiplas fontes.
  2. Honestidade (71,9%)  -  Os leitores não querem ser enganados. Querem encontrar uma atribuição clara dos conteúdos e franqueza a respeito de conflitos de interesses da parte dos jornalistas ou das suas fontes. Também não querem detalhes exagerados ou sensacionalistas.
  3. Profundidade (46,9%)  -  As pessoas valorizam o jornalismo que dá o contexto da história, indo mais longe do que os factos evidentes, para ajudar os leitores a compreenderem como encaixam num contexto mais amplo.
  4. Proximidade aos leitores (23,5%)  -  Os consumidores de notícias querem desenvolver a sua própria opinião. Não querem que se lhes diga o que devem fazer. E valorizam a informação que os ajuda a tomar decisões.
  5. Profissionalismo e boa reputação (22,2%)  -  Os leitores valorizam a sensação de que um conteúdo é de alta qualidade e preocupam-se com a reputação do jornal que lêem, mantendo lealdade aos que seguem há mais tempo.
  6. Simplicidade (12,3%).
  7. Relevância (6,2%).

O estudo aqui citado destaca ainda outros pontos, como a presença de verificação de factos, a distinção explícita entre o que é notícia e o que é opinião, e a transparência.

 

Mais informação na Red Ética da FNPI e o estudo citado, no Instituto Reynolds de Jornalismo.

Connosco
Portugal entre os que menos pagam por jornalismo na Internet Ver galeria

“Em Portugal, o número de consumidores de notícias que pagam por jornalismo online baixou 2% em relação ao ano passado. Hoje são apenas 7% o total de leitores pagantes. Se considerarmos apenas os que têm uma assinatura recorrente, o número desce para 5%”, refere João Pedro Pereira, num artigo do jornal Público, intitulado “Quem Paga o Poder”.

O colunista lembra que após a massificação da Internet, ocorrida na década de 90, do século passado, começaram as quebras nas vendas de jornais e revistas. Os números do Instituto Nacional de Estatística, revelam que o número total de exemplares vendidos caiu 40% entre 2011 e 2017.

A grande quebra nas vendas de jornais foi acompanhada da redução, também drástica do segmento da publicidade, que, segundo o mesmo Instituto, caiu 41% entre 2008 e 2017.
O dilema dos conteúdos pagos como resposta à quebra de receitas Ver galeria

 

Num contexto de crise, o conteúdo pago ganha maior relevo, sendo considerado um mal necessário por muitos órgãos de comunicação social.  Mas será que é possível haver qualidade nos textos patrocinados? Esta é a questão levantada por Lívia Souza Vieira, num artigo reproduzido no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

A professora de jornalismo, cita The  New York Times e a revista The Atlantic, como exemplos de duas publicações de referência, onde esse passo para a qualidade parece ter sido dado.

O primeiro, quando publicou uma peça paga pela Netflix, sobre as particularidades do sistema prisional feminino, integrado numa campanha da série televisiva, “Orange is the new black”, que teve a vantagem de abordar um tema normalmente esquecido pelas agendas.

No segundo caso, salienta-se o facto de a publicação ter revisto e actualizado as regras e procedimentos para publicação de conteúdos pagos.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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