Quarta-feira, 17 de Julho, 2019
Estudo

Os sete elementos decisivos para os leitores confiarem nos Media

Sete elementos fundamentais foram identificados como decisivos na confiança que os leitores depositam num meio de comunicação  - e os três primeiros, votados a grande distância de todos os outros, são o equilíbrio, a honestidade e a profundidade de tratamento dos temas.

Esta recolha foi elaborada a partir de um inquérito realizado por vários media associados à TrustingNews.org, na forma de 81 entrevistas pessoais com leitores escolhidos como representantes de diversos pontos de vista.

Rob Jones, um estudante na Escola de Jornalismo do Missouri, pesquisou os temas mais presentes em todas as respostas e organizou-os no estudo agora divulgado pelo Instituto Reynolds de Jornalismo. A informação é publicada na Red Ética, da FNPI – Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano.

Os sete factores de confiança são apresentados por ordem decrescente de valorização atribuída, como segue:

  1.  -  Equilíbrio (77,8%)  -  Vem mencionado no topo da lista de desejos expressos pelos leitores entrevistados. Muitos entendem que o jornalismo deve reflectir uma diversidade de opiniões. Outros defendem que os jornalistas devem manter as suas próprias opiniões separadas do trabalho que fazem. Outros ainda explicam que cultivam a sua própria dieta equilibrada de notícias lendo jornalismo de múltiplas fontes.
  2. Honestidade (71,9%)  -  Os leitores não querem ser enganados. Querem encontrar uma atribuição clara dos conteúdos e franqueza a respeito de conflitos de interesses da parte dos jornalistas ou das suas fontes. Também não querem detalhes exagerados ou sensacionalistas.
  3. Profundidade (46,9%)  -  As pessoas valorizam o jornalismo que dá o contexto da história, indo mais longe do que os factos evidentes, para ajudar os leitores a compreenderem como encaixam num contexto mais amplo.
  4. Proximidade aos leitores (23,5%)  -  Os consumidores de notícias querem desenvolver a sua própria opinião. Não querem que se lhes diga o que devem fazer. E valorizam a informação que os ajuda a tomar decisões.
  5. Profissionalismo e boa reputação (22,2%)  -  Os leitores valorizam a sensação de que um conteúdo é de alta qualidade e preocupam-se com a reputação do jornal que lêem, mantendo lealdade aos que seguem há mais tempo.
  6. Simplicidade (12,3%).
  7. Relevância (6,2%).

O estudo aqui citado destaca ainda outros pontos, como a presença de verificação de factos, a distinção explícita entre o que é notícia e o que é opinião, e a transparência.

 

Mais informação na Red Ética da FNPI e o estudo citado, no Instituto Reynolds de Jornalismo.

Connosco
Confirma-se que as más notícias são as que correm mais depressa Ver galeria

Todos ouvimos alguma vez dizer, no início da profissão, que a aterragem segura de mil aviões não é notícia, mas o despenhamento de um só já passa a ser.
A classificação do que é “noticiável” teve sempre alguma preferência por esse lado negativo: “a guerra mais do que a paz, os crimes mais do que a segurança, o conflito mais do que o acordo”.

“Sabemos hoje que nem sempre a audiência segue estas escolhas; muitos encaram os noticiários como pouco mais do que uma fonte de irritação, impotência, ansiedade, stress  e um geral negativismo.”

Sabemos também que cresce a percentagem dos que já se recusam a “consumir” a informação jornalística dominante por terem esta mesma sensação.  

A reflexão inicial é de Joshua Benton, fundador e director do Nieman Journalism Lab, na Universidade de Harvard.

As questões “que incomodam” no Festival Internacional de Jornalismo Ver galeria

Jornalistas e gilets jaunes  tiveram, em Couthures, o seu frente-a-frente de revisão da matéria dada. Terminado o quarto Festival Internacional de Jornalismo, o jornal  Le Monde, seu organizador, conta agora, numa série de reportagens, o que se passou neste evento de Verão nas margens do rio Garonne  - e um dos pontos altos foi uma espécie de “Prós e Contras”, incluindo a sua grande-repórter Florence Aubenas, que encontrou a agressividade das ruas em Dezembro de 2018, mais Céline Pigalle, que chefia a redacção do canal BFM-TV, especialmente detestado pelos manifestantes, e do outro lado seis representantes assumidos do movimento, da região de Marmande.

O debate foi vivo, e a confrontação verbal, por vezes, agressiva. Houve também um esforço de esclarecimento e momentos de auto-crítica.  Depois do “julgamento” final, uma encenação com acusadores (o público), réus (os jornalistas), alguns reconhecendo-se culpados com “circunstâncias atenuantes”, outros assumindo o risco de “prisão perpétua”, a conclusão de uma participante:

“Ficam muito bem as boas decisões durante o Festival. Só que vocês vão esquecer durante onze meses, e voltam iguais para o ano que vem. Mas eu volto também e fico agradecida.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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