Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

Governo húngaro lança agência noticiosa de expressão "alternativa"

Está a nascer de modo discreto, sem fundação oficial, a agência de Imprensa do grupo de Visegrado, o “clube” político que reune a Hungria, a Polónia, a Eslováquia e a República Checa. A V4 Agency, por enquanto reservada aos assinantes, tem sede em Londres, uma redacção de 50 jornalistas, divulga informação em inglês e em húngaro e promete ampliar a sua cobertura e alcance, tornando-se concorrente da France-Presse e da Reuters.

O objectivo é de apresentar “um ponto de vista alternativo sobre a actualidade”, neste caso declaradamente “conservador”, com uma orientação editorial que adopta “as ideias manifestadas por Viktor Orban desde a grande vaga migratória de 2015”.
A informação, que aqui citamos de Le Monde, parte do site húngaro independente Valaszoline.hu, que descreve as ligações ao governo húngaro, bem como o tom da leitura que faz da situação na Europa.

O novo site “evoca sobretudo os temas caros à extrema-direita e ao poder instituído em Budapeste”:

“A imigração é uma guerra de culturas e de civilizações.” “Quarenta ataques diários à facada em Londres.” “República checa: demasiados estrangeiros?”  -  são estes alguns dos títulos das primeiras peças publicadas.

Como conta Le Monde, “em Dezembro de 2018, o proprietário da V4 News Agency era Kristof Szalay-Bobrovniczky  - o nome do embaixador da Hungria no Reino Unido”: 

“Em Março [findo], dois grupos de Imprensa detidos por próximos de Viktor Orban tornaram-se maioritários na sociedade. Um deles é dirigido pelo homem de negócios Arpad Habony, que tinha fundado, na capital britânica, uma empresa com Arthur Finkelstein, o conselheiro que era disputado  - antes da sua morte em 2017 -  por diversos partidos de direita nos EUA, em Israel e ainda na Europa Central e Oriental.” 

“Este último estava também por detrás de campanhas agressivas e conspiracionistas dirigidas contra a Comissão Europeia e o milionário americano George Soros, acusado de orquestrar uma substituição de populações no Velho Continente, por meio de muçulmanos originários de África e do Médio-Oriente.” 

Outros actores do espectro nacionalista, que se reconhecem em Viktor Orban e denunciam constantemente o estigma de que estariam a ser vítimas por parte da Imprensa, aplaudem o nascimento de um órgão que lhes será, finalmente, favorável. Segundo o austríaco Wolfgang Sellner, “nós travamos um combate ideológico”: 

“É portanto essencial que tenhamos retransmissores de opinião sustentados pelo poder financeiro de um Estado. É necessário que se multipliquem iniciativas deste género.”

 

Mais informação em Le Monde,  em DailyNewsHungary  e na agência Bloomberg

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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