Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Imprensa generalista francesa pede apoio ao Estado

A associação que representa os cerca de 300 editores da Imprensa generalista em França redigiu um documento que apela ao apoio do Estado no sentido de garantir a continuidade do sector, “cuja rentabilidade vai afundar-se nos próximos cinco anos”. Dirigido aos ministros da Economia e da Cultura, o texto refere a quebra conjugada das vendas por exemplar e da receita publicitária, calculando uma perda de 300 a 400 milhões de euros até 2023.

Perante estas previsões, a APIG – Alliance de la Presse d’Information Générale propõe um plano em 17 pontos, cujas medidas poderão custar ao Estado francês, se forem aceites, cerca de 169 milhões de euros por ano.
Segundo Le Monde, que aqui citamos, o relatório aponta que, embora a maior parte dos jornais já esteja empenhada na evolução digital, “o suporte em papel continua a representar 80% do seu volume de negócios e cerca de 45% dos seus custos”.

“Para reduzir os custos de um utensílio industrial destinado a ser cada vez menos utilizado, os editores pedem [entre as medidas citadas] um envelope [financeiro] de 14 milhões de euros por ano durante cinco anos, para modernizar as impressoras e ‘financiar o custo social da sua reestruturação’.” 

Outra medida solicitada é a aplicação de um IVA a taxa zero para as empresas da Imprensa generalista, que lhes permitiria economizar 45 milhões de euros por ano. 

Mas a reformulação dos apoios à distribuição, reclamada pela APIG, pode entrar em conflito com os serviços de correio.

A Aliança deplora que o operador receba 80% desta ajuda, embora seja “deficiente na sua qualidade de serviço”, estando em causa “a sua capacidade de assegurar em toda a parte uma prestação diária”. 

“O sector recomenda ao Estado que atribua aos media generalistas a totalidade deste envelope, até agora entregue aos Correios para a distribuição de jornais (actualmente 79 milhões de euros).” 

Sobre esta matéria, foi apresentado no conselho de ministros francês, no dia 10 de Abril, um projecto de reforma da lei em vigor desde 1947, para “modernizar o meio legislativo sem quebrar os fundamentos que fazem o sucesso do sistema de distribuição da Imprensa”. 

A CGT apelou a uma greve de 24 horas na distribuidora Presstalis, denunciando “a morte programada do sistema de distribuição dos títulos da Imprensa”.

 

Mais informação  em Le Monde  e Le Figaro

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"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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