Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

Imprensa generalista francesa pede apoio ao Estado

A associação que representa os cerca de 300 editores da Imprensa generalista em França redigiu um documento que apela ao apoio do Estado no sentido de garantir a continuidade do sector, “cuja rentabilidade vai afundar-se nos próximos cinco anos”. Dirigido aos ministros da Economia e da Cultura, o texto refere a quebra conjugada das vendas por exemplar e da receita publicitária, calculando uma perda de 300 a 400 milhões de euros até 2023.

Perante estas previsões, a APIG – Alliance de la Presse d’Information Générale propõe um plano em 17 pontos, cujas medidas poderão custar ao Estado francês, se forem aceites, cerca de 169 milhões de euros por ano.
Segundo Le Monde, que aqui citamos, o relatório aponta que, embora a maior parte dos jornais já esteja empenhada na evolução digital, “o suporte em papel continua a representar 80% do seu volume de negócios e cerca de 45% dos seus custos”.

“Para reduzir os custos de um utensílio industrial destinado a ser cada vez menos utilizado, os editores pedem [entre as medidas citadas] um envelope [financeiro] de 14 milhões de euros por ano durante cinco anos, para modernizar as impressoras e ‘financiar o custo social da sua reestruturação’.” 

Outra medida solicitada é a aplicação de um IVA a taxa zero para as empresas da Imprensa generalista, que lhes permitiria economizar 45 milhões de euros por ano. 

Mas a reformulação dos apoios à distribuição, reclamada pela APIG, pode entrar em conflito com os serviços de correio.

A Aliança deplora que o operador receba 80% desta ajuda, embora seja “deficiente na sua qualidade de serviço”, estando em causa “a sua capacidade de assegurar em toda a parte uma prestação diária”. 

“O sector recomenda ao Estado que atribua aos media generalistas a totalidade deste envelope, até agora entregue aos Correios para a distribuição de jornais (actualmente 79 milhões de euros).” 

Sobre esta matéria, foi apresentado no conselho de ministros francês, no dia 10 de Abril, um projecto de reforma da lei em vigor desde 1947, para “modernizar o meio legislativo sem quebrar os fundamentos que fazem o sucesso do sistema de distribuição da Imprensa”. 

A CGT apelou a uma greve de 24 horas na distribuidora Presstalis, denunciando “a morte programada do sistema de distribuição dos títulos da Imprensa”.

 

Mais informação  em Le Monde  e Le Figaro

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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