Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

Director da Agência France Press na Argélia foi expulso

O director do escritório da Agência France Press (AFP) em Argel,  Aymeric Vincenot foi expulso pelas autoridades argelinas, que se negaram a renovar sua credencial para 2019.

Souhaieb Khayati, respresentante do gabinete Repórteres sem Fronteiras, da Africa do Norte, num artigo do L´Éxpress, considera este facto “um sinal inquietante” .

A expulsão acontece num momento em que a Argélia está no meio de um movimento de contestação popular sem precedentes, que levou ao pedido de renúncia do presidente Abdelaziz Buteflika.

Aymeric Vincenot, que ocupava o cargo em Argel desde Junho de 2017, teve que deixar o país no momento em que vencia o prazo dado pela Polícia, após expirar a sua licença de residência.

O Director da AFP, Fabrice Fries, considerou inaceitável a expulsão do jornalista, tendo declarado que “ ao deixar-nos  sem um director de escritório no local, a decisão tomada atinge gravemente a nossa operação, que tem como objetivo garantir uma cobertura exaustiva e rigorosa dos acontecimentos históricos que ocorrem actualmente na Argélia”.

O funcionário da agência de notícias, cuja autorização de residência no país expirou em 28 de Fevereiro, não tinha visto desde o fim do ano passado.

O pedido de renovação de sua credencial de imprensa para 2019, um documento que permite a obtenção de residência, ficou sem resposta por parte das autoridades, apesar dos esforços da AFP para obter explicações.

A redacção internacional da AFP cobre notícias de todo o mundo em texto, vídeo, foto e infografia em seis idiomas, 24 horas por dia, segundo requisitos editoriais de rigor, independência e pluralidade.

Mais de cinco mil meios de comunicação utilizam os serviços da agência, que está presente em 151 países, sendo que o escritório na Argélia existe desde 1962.

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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