Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

Jornalistas da rádio "Europe 1" fazem greve por um dia

Mais de metade dos jornalistas da redacção digital da rádio privada Europe 1 (Grupo Lagardère) entrou em greve por 24 horas, como forma de chamar a atenção para a precariedade das suas condições de trabalho. Em três dezenas de redactores, 14 estão contratados como freelancers  - embora trabalhem, na sua maioria, em horário completo há três anos.

“Eles preenchem os quadros de serviço de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro, estão diariamente nos seus postos das cinco às 23 horas, asseguram o acompanhamento permanente da actualidade e enriquecem o tratamento da informação na antena, pelas suas análises e dossiers”  -  afirma a associação sindical que os apoia.

Está em estudo uma reorganização da Europe 1, que inquieta todos os trabalhadores da empresa, mas sobretudo os da redacção digital. Segundo Le Monde, os jornalistas "temem uma contracção dos seus efectivos, para permitir à Europe 1, cujas audiências continuam a baixar desde há três anos, uma redução da massa salarial".

O plano de reorganização devia ter sido apresentado em finais de Fevereiro, mas nada se sabe ainda, nem quanto ao vínculo laboral nem sobre o conteúdo editorial. 

“Vamos ser apenas uma montra da rádio ou um autêntico site de informação?”  - pergunda um dos jornalistas. 

Esta situação precária “expõe os jornalistas a ajustamentos de programa no último minuto, sujeita-os a um regime de férias pagas menos favorável, mantém-nos afastados das promoções e fragiliza a sua situação quando ficam doentes”. 

Em 2017, o então patrão da Europe 1, Denis Olivennes, lançou, por pressão dos representantes sindicais, um programa de titularização que chegou primeiro a 22, mais tarde a 30 assalariados, mas “há departamentos da empresa, como a redacção digital, onde esta corrente de CDI [contratos de duração indeterminada] mal passou”. 

Segundo Le Figaro, “a maioria dos jornalistas com CDI apoia os precários e recusou-se a substitui-los no planeamento”.

 

Mais informação em Le Monde  e Le Figaro

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Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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