Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

Jornalistas da rádio "Europe 1" fazem greve por um dia

Mais de metade dos jornalistas da redacção digital da rádio privada Europe 1 (Grupo Lagardère) entrou em greve por 24 horas, como forma de chamar a atenção para a precariedade das suas condições de trabalho. Em três dezenas de redactores, 14 estão contratados como freelancers  - embora trabalhem, na sua maioria, em horário completo há três anos.

“Eles preenchem os quadros de serviço de 1 de Janeiro a 31 de Dezembro, estão diariamente nos seus postos das cinco às 23 horas, asseguram o acompanhamento permanente da actualidade e enriquecem o tratamento da informação na antena, pelas suas análises e dossiers”  -  afirma a associação sindical que os apoia.

Está em estudo uma reorganização da Europe 1, que inquieta todos os trabalhadores da empresa, mas sobretudo os da redacção digital. Segundo Le Monde, os jornalistas "temem uma contracção dos seus efectivos, para permitir à Europe 1, cujas audiências continuam a baixar desde há três anos, uma redução da massa salarial".

O plano de reorganização devia ter sido apresentado em finais de Fevereiro, mas nada se sabe ainda, nem quanto ao vínculo laboral nem sobre o conteúdo editorial. 

“Vamos ser apenas uma montra da rádio ou um autêntico site de informação?”  - pergunda um dos jornalistas. 

Esta situação precária “expõe os jornalistas a ajustamentos de programa no último minuto, sujeita-os a um regime de férias pagas menos favorável, mantém-nos afastados das promoções e fragiliza a sua situação quando ficam doentes”. 

Em 2017, o então patrão da Europe 1, Denis Olivennes, lançou, por pressão dos representantes sindicais, um programa de titularização que chegou primeiro a 22, mais tarde a 30 assalariados, mas “há departamentos da empresa, como a redacção digital, onde esta corrente de CDI [contratos de duração indeterminada] mal passou”. 

Segundo Le Figaro, “a maioria dos jornalistas com CDI apoia os precários e recusou-se a substitui-los no planeamento”.

 

Mais informação em Le Monde  e Le Figaro

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
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