Quarta-feira, 30 de Setembro, 2020
Fórum

Saber se a violência em directo cabe na liberdade de expressão

O comissário para as questões de Privacidade na Nova Zelândia, John Edwards, criticou asperamente o Facebook por se recusar a mudar as regras que tornam possível o sucedido durante o ataque terrorista a duas mesquitas  -  uma transmissão em directo de 17 minutos, feita pelo próprio assassino.

John Edwards  - que propusera o estabelecimento de uma “décalage entre a emissão e a difusão de vídeos, para permitir moderação (o bloqueio da emissão), se necessário” -  respondia a uma entrevista em que Mark Zuckerberg recusou a possibilidade, dizendo que isso iria pôr causa um serviço que comunica acontecimentos e aniversários, e que o problema não é a tecnologia ser má, mas as pessoas.

Em twits que publicou e depois apagou, por terem suscitado “reacções tóxicas”, Edwards disse do Facebook:

"Permitem a difusão em directo de suicídios, de violações e de homicídios, continuam a alojar e a publicar o vídeo do ataque à mesquita, permitem aos publicitários dirigir anúncios para ‘anti-judeus’ e outros segmentos do mercado do ódio, e recusam aceitar qualquer responsabilidade por conteúdos que difundam ou mal que causem. (...) Não se pode confiar no Facebook. São mentirosos patológicos e sem moralidade."

Este confronto de argumentos volta a colocar ao vivo a questão da violência assassina exibida em meios de comunicação de massas  - se deve ser protegida pela liberdade de expressão, ou combatida como acto de cumplicidade com o terrorismo, que se alimenta precisamente do seu próprio espectáculo. 

Segundo o DN, que aqui citamos, o que disse Mark Zuckerberg é uma justificação “que faz lembrar a do lobby das armas, que usa o mesmo tipo de argumento: não são as armas que matam mas as pessoas”. 

“Ora, na sequência do massacre de Março, a Nova Zelândia decidiu de imediato legislar sobre as armas, proibindo a venda de armas de assalto e semi-automáticas.” 

“Porém, impedir que volte a suceder alguém usar o Facebook Live para transmitir, durante 17 minutos, em tempo real, a morte de dezenas de pessoas (50 foram assassinadas em Christchurch), e que tal seja visto e descarregado (foram retirados posteriormente mais de 1,5 milhões de cópias e impedidos outros tantos downloads) por milhares de internautas, antes de ser retirado, é algo que aparentemente não será tão simples de conseguir.” 

John Edwards acusou também o Facebook de “permitir genocídios” (referindo a Birmânia e a perseguição dos Rohingyas, que foi incitada em posts no Facebook), e de “facilitar a ingerência estrangeira nas instituições democráticas” (aqui referindo a ingerência russa nas eleições americanas). 

No dia 5 de Abril, o jornal New Zeland Herald  noticiou que ainda há vídeos do massacre no FB. Apesar de Zuckerberg, na entrevista, ter dito que o FB está a trabalhar com a polícia neozelandesa, a reacção de um porta-voz à revelação do Herald foi de que a plataforma está a trabalhar “24 horas por dia para retirar novos carregamentos do vídeo usando uma combinação de tecnologia e de funcionários”. 

A responsável pelas operações da empresa, Sheryl Sandberg, deu razão ao principal argumento apontado pela opinião pública, de que “é preciso fazer mais” a este nível  -  garantindo que o Facebook já está a avaliar medidas para limitar a transmissão de vídeos em directo na rede social, fazendo-as depender de regras sobre as violações dos estatutos da comunidade.

 

 

Mais informação no DN  e no Expresso

Connosco
Wikipedia modifica “layout” e melhora experiência de leitura Ver galeria

Ao longo das últimas duas décadas, a Wikipédia tem servido de fórum para cidadãos de todo o mundo. 

Com mais de 53 milhões de artigos, em 300 línguas, este “site”, de acesso gratuito, tornou-se uma fonte de conhecimento, sobre os mais variados tópicos, mas os seus criadores consideram que há, ainda, espaço para melhorias.

Assim, pela primeira vez em dez anos, a Wikipédia vai alterar o seu “layout”, de forma a refinar a experiência do utilizador.

De acordo com um comunicado de Olga Vasileva, responsável na Wikimedia Foundation, o objectivo é tornar a utilização do “site” mais intuitiva, especialmente para os utilizadores que estão, agora, a iniciar-se na “navegação online”.

“Precisamos de oferecer, não só um excelente conteúdo, mas, igualmente, uma experiência de um ‘site’ moderno, digno de confiança (...) Queremos criar uma página que seja familiar para os nossos utilizadores de longa data, mas simples e intuitiva para os novos visitantes”. 

As alterações incluem um logótipo reconfigurado, barra lateral rebatível, um índice e a extensão da largura da página.


A desinformação também afecta os mais jovens Ver galeria

Os jovens, com idades compreendidas entre os 18 e os 24 anos, são duas vezes mais susceptíveis de acreditar em notícias falsas sobre a pandemia, concluiu um estudo desenvolvido nos Estados Unidos

Em causa estará a partilha de desinformação nas aplicações de mensagens instantâneas, como o Messenger e o Whatsapp,  a falta de literacia mediática, e a utilização das redes sociais. 

Em declarações ao jornal “Público”, um dos investigadores do estudo, Mathew Baum, revelou que “foi surpreendente  concluir que os cidadãos mais jovens eram os mais propensos a acreditar em desinformação”, já que “outros estudos mostram evidências de que os mais velhos têm maior probabilidade de acreditar em ‘fake news’ sobre polícia e saúde.”

A equipa de Baum acredita, igualmente, que os resultados não são exclusivos dos Estados Unidos. “A desinformação é um problema global e está longe de ser exclusiva dos EUA”, sublinhou o académico. “Existem muitos casos documentados de histórias de desinformação [sobre covid-19] que se tornaram virais em outros países e regiões.”


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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