Sábado, 20 de Abril, 2019
Media

"Público" limita acesso à sua edição digital

O diário Público anuncia o estabelecimento de novas regras de acesso à sua edição online, “prestando uma vénia aos 14 mil leitores que nos assinam e incentivando as muitas centenas de milhares que o procuram a seguir os mesmos passos”. Segundo o seu director, Manuel Carvalho, “queremos aumentar o nosso número de leitores, seja na edição impressa, seja na online, como tem vindo a acontecer no último ano. Mas queremos ir mais longe, criando condições para que o nervo da nossa redacção se torne ainda mais longo e mais tenso”.

O motivo explicado no editorial é que, “como a generalidade da Imprensa das sociedades democráticas”, também o Público vive hoje um paradoxo: “nunca as suas notícias ou reportagens foram tão lidas como o são hoje, sem que esse serviço público seja capaz de gerar receitas suficientes para garantir a sua sustentabilidade financeira”.

O caminho escolhido é o de um apelo às assinaturas, em primeiro lugar, e de uma informação sobre as restrições colocadas a partir de agora: muitos artigos de actualidade vão permanecer “abertos a todos os leitores até ao limite de sete textos por mês”, mas muitos outros “serão exclusivos a assinantes”.

O Público recorda que todos os meses passam pela sua edição online “mais de 6.5 milhões de visitantes, que abrem mais de 40 milhões de páginas”. Quanto à edição impressa, “aumentou em 2018 e permanece estável”, mas “a migração da publicidade para as grandes plataformas digitais privou-nos, como a todas as empresas de comunicação social, da nossa tradicional fonte de receitas”: 

“O Público está por isso numa encruzilhada que exige novas soluções para garantir a sua sustentabilidade. Numa altura em que se fala em apoios públicos para viabilizar a comunicação social independente, optámos por outra estratégia. Em vez dos apoios do Estado, procuramos o compromisso dos nossos leitores — o compromisso da sociedade portuguesa, afinal.” 

“A reserva dos conteúdos exclusivos aos assinantes é, assim, um apelo para que os leitores tenham uma palavra definitiva na defesa dos valores do jornalismo livre e plural, que recusa o sensacionalismo e a infantilização dos leitores.” (...) 

Entre as várias modalidades de assinatura que são propostas, o leitor poderá “optar pela combinação entre o acesso integral à edição online e, ao mesmo tempo, receber em sua casa ou no seu quiosque a edição impressa. Porque entre as duas edições há uma óbvia complementaridade”. 

“A edição online, para lá de resultar de uma escolha dos temas que marcam a actualidade, proporciona igualmente uma forma rápida e fácil (nos smartphones, por exemplo) de os leitores acompanharem minuto a minuto o que acontece no país e no mundo.” (...)

 

Mais informação no Público

Connosco
Agravam-se as restrições à liberdade de Imprensa - segundo os RSF Ver galeria

A situação da liberdade de Imprensa continua a degradar-se em muitos países, por todo o mundo. O ódio aos jornalistas degenerou em violência, o que leva a um aumento do medo na profissão.
É esta a síntese inicial da edição de 2019 do Ranking Mundial da Liberdade da Imprensa, dos Repórteres sem Fronteiras, agora divulgada.

“Se o debate político desliza, de forma discreta ou evidente, para uma atmosfera de guerra civil, onde os jornalistas se tornam bodes expiatórios, os modelos democráticos passam a estar em grande perigo”  - afirma Christophe Deloire, secretário-geral da referida ONG.

“O número de países onde os jornalistas podem exercer com total segurança a actividade profissional continua a diminuir, enquanto os regimes autoritários reforçam o controlo sobre os meios de comunicação.” De acordo com este relatório, apenas 24% dos 180 países e territórios analisados apresentam uma situação considerada “boa” ou “relativamente boa”.

A Noruega mantém, pelo terceiro ano consecutivo, o primeiro lugar no ranking, com a Finlândia na segunda posição e a Suécia na terceira. Portugal subiu para o 12º lugar, ficando imediatamente acima da Alemanha, da Islândia e da Irlanda.
José Ribeiro e Castro: "Sofremos de uma periferia mental" Ver galeria

Portugal precisa de fazer três reformas atrasadas, e a primeira é a reforma eleitoral, para “devolver a democracia à cidadania, resgatar e salvar a democracia do declínio em que está e que nós sentimos, eleição após eleição”  -  afirmou José Ribeiro e Castro no ciclo de jantares-debate promovido pelo Clube Português de Imprensa, em parceria com o Centro Nacional de Cultura e o Grémio Literário, sob o tema “Portugal: Que País vai a votos?”.

As outras duas são a do território, num País que é “um deserto administrativo”, e a do Estado, para o tornar “mais barato e eficiente” e realmente “dimensionado às capacidades do País”.

Segundo o nosso convidado, Portugal precisa ainda de dois propósitos, o mais urgente do combate à pobreza, o mais ambicioso de “atingir a média europeia em vinte anos”.

Finalmente, precisamos de realizar estes projectos assumindo a nossa condição europeia, em relação à qual continuamos a sofrer de uma “periferia mental”, que "é pior do que a geográfica, porque aqui não há auto-estrada que valha".
O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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