Quarta-feira, 26 de Junho, 2019
Media

"Público" limita acesso à sua edição digital

O diário Público anuncia o estabelecimento de novas regras de acesso à sua edição online, “prestando uma vénia aos 14 mil leitores que nos assinam e incentivando as muitas centenas de milhares que o procuram a seguir os mesmos passos”. Segundo o seu director, Manuel Carvalho, “queremos aumentar o nosso número de leitores, seja na edição impressa, seja na online, como tem vindo a acontecer no último ano. Mas queremos ir mais longe, criando condições para que o nervo da nossa redacção se torne ainda mais longo e mais tenso”.

O motivo explicado no editorial é que, “como a generalidade da Imprensa das sociedades democráticas”, também o Público vive hoje um paradoxo: “nunca as suas notícias ou reportagens foram tão lidas como o são hoje, sem que esse serviço público seja capaz de gerar receitas suficientes para garantir a sua sustentabilidade financeira”.

O caminho escolhido é o de um apelo às assinaturas, em primeiro lugar, e de uma informação sobre as restrições colocadas a partir de agora: muitos artigos de actualidade vão permanecer “abertos a todos os leitores até ao limite de sete textos por mês”, mas muitos outros “serão exclusivos a assinantes”.

O Público recorda que todos os meses passam pela sua edição online “mais de 6.5 milhões de visitantes, que abrem mais de 40 milhões de páginas”. Quanto à edição impressa, “aumentou em 2018 e permanece estável”, mas “a migração da publicidade para as grandes plataformas digitais privou-nos, como a todas as empresas de comunicação social, da nossa tradicional fonte de receitas”: 

“O Público está por isso numa encruzilhada que exige novas soluções para garantir a sua sustentabilidade. Numa altura em que se fala em apoios públicos para viabilizar a comunicação social independente, optámos por outra estratégia. Em vez dos apoios do Estado, procuramos o compromisso dos nossos leitores — o compromisso da sociedade portuguesa, afinal.” 

“A reserva dos conteúdos exclusivos aos assinantes é, assim, um apelo para que os leitores tenham uma palavra definitiva na defesa dos valores do jornalismo livre e plural, que recusa o sensacionalismo e a infantilização dos leitores.” (...) 

Entre as várias modalidades de assinatura que são propostas, o leitor poderá “optar pela combinação entre o acesso integral à edição online e, ao mesmo tempo, receber em sua casa ou no seu quiosque a edição impressa. Porque entre as duas edições há uma óbvia complementaridade”. 

“A edição online, para lá de resultar de uma escolha dos temas que marcam a actualidade, proporciona igualmente uma forma rápida e fácil (nos smartphones, por exemplo) de os leitores acompanharem minuto a minuto o que acontece no país e no mundo.” (...)

 

Mais informação no Público

Connosco
"Metástases" da desinformação espalham-se pelo mundo Ver galeria

O alastrar da desinformação, potenciado pelas capacidades de contágio “viral” da revolução tecnológica, teve um impacto transformador sobre o jornalismo. Nos Estados Unidos, um dos primeiros factos surpreendentes com que os jornalistas tiveram de lidar, logo após a eleição de Donald Trump, foi a noção de que hackers russos, em “fábricas” de conteúdos, podiam semear desordem no eleitorado americano e desacreditar o jornalismo autêntico.

“Por vezes, os leitores encontravam notícias verdadeiras que Trump procurava desacreditar porque não gostava do modo como o faziam parecer;  outras vezes encontravam a deformação intencional da informação para distorcer a verdade;  em muitas ocasiões, o que encontravam era apenas completo absurdo.”  
E deixou de ser um problema local. As “metástases” da desinformação espalham-se pelo mundo e o jornalismo é arrastado para o caos:

“Vimos isso na Birmânia e no Brasil, no Sri Lanka e na Nova Zelândia, por vezes em campanhas orquestradas que trazem a dedada de agentes estatais, por vezes em manifestos individuais de mentes perturbadas. O resultado é sempre o mesmo: relatos falsos envenenam as plataformas que abrigam o verdadeiro jornalismo. Ninguém na Imprensa está a salvo de ver o seu trabalho, sério e diligente, exposto na enxurrada.”
A reflexão é de Kyle Pope, director da Columbia Journalism Review, em “Todo o jornalismo é global”.

O pesadelo dos jornalistas filipinos perseguidos pelo regime Ver galeria

A luta pela liberdade de Imprensa pode ser uma guerra de resistência entre os carcereiros e os candidatos a presos  - que são todos os jornalistas que tenham a coragem de o ser. Num dos mais recentes episódios em que foi detida, em Fevereiro de 2019, a jornalista filipina Maria Ressa, fundadora do site Rappler, comentou ironicamente à saída do tribunal:

“Esta é a sexta vez que pago fiança, e vou pagar mais do que criminosos condenados. Vou pagar mais do que Imelda Marcos.”

Como conta no artigo “Alvos de Duterte”, que aqui citamos, o Presidente das Filipinas, que “foi o primeiro político do meu país a usar as redes sociais para ganhar umas eleições, conduz uma campanha incansável de desinformação (trolling patriótico) para reduzir os críticos ao silêncio”:

“O seu governo vomita mentiras a tal velocidade que o público já não consegue saber o que é realidade. Mesmo os seus próprios membros ficam confusos.”

“Desde Junho de 2016, quando Rodrigo Duterte se tornou Presidente, houve cerca de 27 mil assassínios decorrentes da sua ‘guerra contra a droga’. Este número vem das Nações Unidas, mas não foi muito divulgado. A polícia mantém a sua própria contagem menor, pressionando os órgãos de informação a publicá-la.”

O Clube


Lançado em Novembro de 2015, este site tem vindo a conquistar uma audiência crescente, traduzida no número de visitantes e de sessões e do tempo médio despendido. É reconfortante e  encorajador, para um projecto concebido para ser um espaço de informação e de reflexão sobre os problemas que se colocam, de uma forma cada vez mais aguda, ao jornalismo e aos  media.

Observa-se , aliás, ressalvadas as excepções , que a problemática dos media , desde a precariedade  dos seus quadros às incertezas do futuro -  quer no plano tecnológico  quer no editorial - , raramente  constitui  tema de debate  nas páginas dos jornais, e menos ainda nas  suas versões  online ou nos audiovisuais. É um assunto quase tabú.


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Opinião
Sejam de direita ou de esquerda, há uma verdadeira inflação de políticos no activo - ou supostamente retirados - ,  “vestidos” de comentadores residentes nas televisões, com farto proveito. Alguns deles acumulam mesmo os “plateaux” com os microfones  da rádio ou as colunas de jornais, demonstrando  uma invejável capacidade de desdobramento. O objectivo comum a todos é, naturalmente,  pastorearem...
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“Fake news”, ontem e hoje
Francisco Sarsfield Cabral
Lançar notícias falsas sobre adversários políticos ou outros existe há séculos. Mas a internet deu às mentiras uma capacidade de difusão nunca antes vista.  Divulgar no espaço público notícias falsas (“fake news”) é hoje um problema que, com razão, preocupa muita gente. Mas não se pode considerar que este seja um problema novo. Claro que a internet e as redes sociais proporcionam...
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Jul
The Children’s Media Conference
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21
Ago
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09:00 @ Edinburgo, Escócia
27
Ago
Digital Broadcast Media Convention
09:00 @ Lagos, Nigeria